Análise: Battle Princess Madelyn, um lindo e excelente jogo mas que tentou ousar demais

Estamos na era dos indies. Hoje o jogo indie, por ser de uma produtora independente, ele também está assumindo uma identidade de estilo, que basicamente é: jogo em pixel, metroidvania para os novos e plataforma 2D para os saudosos. Entre eles temos o que podemos classificar como subgêneros, exploratórios, artísticos (Journey por exemplo), ação, lineares (The Messenger), aventuras (como o premiado Celeste), entre outros. Mas percebemos que a premissa é a mesma.

A crítica é exatamente essa, manter a essência e mesmo que todos jogos comecem a ficar parecidos, esse é o estilo, cada um com um ponto de inovação ou de diferença mas que o jogador sinta de forma sutil e se interesse pelo gameplay, seja pela história, ou pelo formato saudoso desse tipo de game. Aí abrimos nossa análise de Battle Princess Madelyn praticamente em dois pilares, acertaram demais na historia, personagens e beleza, mas complicaram o gameplay, trazendo um mundo complexo para um jogo que deveria ser simples. Explicaremos abaixo em nossa crítica do jogo.

Expectativa e Origem

Conforme eu mesmo escrevi nessa matéria em novembro do ano passado, pelo que havia sido mostrado nos trailers, a história do jogo gerou uma grande expectativa. Estava na cara que era um “aviso” à Capcom : “vocês esqueceram de Ghouls’n Ghosts mas nós e os fãs não!” E que momento para por uma princesa protagonista, linda, carismática com uma história das mais leves e gostosas dos últimos tempos, salvar o mundo obviamente de um monstro maligno e vingar a morte de seu cachorrinho com toda fúria de um John Wick. Girl Power!! E nisso é preciso dizer, o jogo não decepciona em nada, chega a ser motivador. Era o que eu esperava, muita variedade de inimigos, com grande variedade de chefes, alguns até engraçados, e um longo e árduo caminho pela frente, árduo demais e confuso, e é aí que o jogo se perde um pouco e vamos te explicar o porque.

Modos de jogo

O jogo possui dois modos: história e arcade. E a partir daí vem o ponto chave da análise que justifica toda abertura no primeiro parágrafo. Primeiro o mais simples e básico, o modo arcade. Nele você encontra um jogo bem linear, bem básico no sentido de fases, boss, fases, boss, e devido ao seu altíssimo grau de dificuldade você já começa com nossa personagem bem equipada e com poderes evoluídos. Algo que avaliei como bastante positivo pelo saudosismo, mas que fará muitos perderem os cabelos. É aquela velha história dos jogos dos anos 80 e 90: morreu, já era. Começa tudo de novo. Sem “chororô”, a vida era difícil pra quem se aventurou e tentou terminar Ghouls’n Ghosts na década de seu lançamento e agora se quiser terminar Battle Princess Madelyn, também terá que suar a camisa. Esse modo não leva uma nota 10 por um simples detalhe: o gameplay é muito maior que o do jogo que o inspirou e muito mais difícil, com certeza isso afeta o fator replay.

Agora vamos para o modo mais complexo, o modo história. Como dito em outras matérias e aqui mesmo, a premissa do jogo é quase perfeita, a personagem é perfeita, carisma altíssimo com toda a apresentação e introdução da “historinha”, ou seja, não há como resistir e não querer jogar o modo história. Aí vem o grande ponto negativo do jogo que se resume no ditado popular “em time que está ganhando não se mexe”.

Foi o que quis dizer na apresentação da análise, o estilo indie já tem sua receita de sucesso, e todos os grandes jogos lançados possuem sim suas novidades e incrementações, mas Battle Princess Madelyn passa do ponto. As fases são confusas, o jogo é confuso, até literalmente a metade do jogo (que já é uma quantidade elevada de horas devido a dificuldade)/ Você com certeza estará se perguntando: deixei algo pra trás? Estou no lugar certo? Era aqui mesmo que deveria estar? Cadê a evolução? Pra que serve isso? É uma sensação péssima na verdade, entre um inventário inútil, portais escondidos e muito distantes (apesar de extrema utilidade), side quests (em um jogo plataforma?) e falta de contexto na história, você tem que ter muita paciência pra chegar ao auge do jogo.

São muitos itens secretos, muitas passagens, muitas portas, que parece que é impossível “limpar” a fase, até a chegada dos chefes, que surgem as vezes depois de fases longas e as vezes depois de fases curtas. E matar 4 ou 5 chefes e não sentir seu personagem evoluindo quase lhe dá a certeza que você está jogando errado. Mas não, tudo é recompensado depois. Diria então que mesmo com essa terrível sensação inicial, a criatividade dos chefes, a beleza dos cenários, e principalmente a personagem mais carismática do ano 2018 (mais inclusive que a própria Celeste na minha opinião), acabam que te mantém preso ao jogo, por mais que eu admita que passou pela cabeça em começar tudo de novo pra ter certeza que era o caminho correto.

E tecnicamente?

Só elogios. Gráficos lindos, coloridos, vivos e divertidos, tela cheia de monstros, muito criativos. As respostas as movimentações beiram a perfeição, e deve ser assim em um jogo de visão lateral plataforma, opções de armas e que podem ser lançadas em várias direções. Tem também classe de armadura que aumentam sua capacidade de se proteger dos danos, e muitos itens ao longo do jogo, todos podendo ser encontrados por meios secretos ou durante a fase mesmo. O som é magnífico, músicas que correspondem muito bem ao ambiente e dão mais suspense, ou sentimento de ação, bem clássico e muito bem feito. Você está numa tumba e a música parece que foi composta por uma caveira que mora lá. E com uma opção ótima, o som você pode optar por escutá-lo de forma clássica, estilo 8/16 bits ou orquestral que seria já com os efeitos de um jogo da atualidade.

Conclusão

Battle Princess Madelyn era pra ser um jogo nota 10, tinham tudo na mão, mas a confusão da primeira metade do jogo do seu modo principal tirou pontos. Não dá pra compensar só com os outros excelentes fatores que o jogo possui. Porém, não tem como não jogar e já servindo de dica, essa sensação de confusão passa, então vale sim a pena. Particularmente como já disse, criei uma expectativa muito grande por toda premissa do jogo e trailers lançados e esperava muito dizer que foi o melhor indie estilo clássico anos 90 que já joguei, porém, não aconteceu. Mesmo assim é muito divertido. Então não perca tempo e não deixe barato qualquer monstro vir e matar seu cachorro e querer destruir seu reino! Jogamos a versão de Nintendo Switch.

notas

Publicado
Saudosista apaixonado por quase tudo que é antigo: games, música, costumes, ele mesmo e o único titulo brasileiro do time de coração Atlético-MG. Fã de RPG e jogos de luta, jura que fazia fila no fliperama na década de 90.

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