Análise: Jump Force é aquele filler do seu anime preferido completamente desnecessário

Jump Force foi anunciado na E3 de 2018 e desde então o hype para ele aumentava a cada dia. Afinal, a possibilidade de fazer um time com os personagens favoritos de diversos animes como Dragon Ball, Naruto, One Piece, Yu Yu Hakusho, Hunter x Hunter e muito mais animou todos os otakus do mundo, incluindo esse que vos fala.

Mas será que o trabalho foi bem executado ou temos em nossas mãos um grande desastre em forma de jogo? Vejam a seguir em nossa análise como Jump Force errou completamente em sua proposta e falha em ser um bom jogo.

Já posso adiantar que Jump Force é aquele filler sem graça e sem gosto que entra no meio do anime somente para encher linguiça e que será devidamente pulado pela maioria das pessoas.

História sonolenta

Eu honestamente achei que Jump Force iniciaria com uma explicação do que aconteceu com o mundo e daria um sentido a esse grande crossover. A verdade é que a explicação é inexistente e o jogo começa com você tendo que aceitar que os mundos do mangá da Jump simplesmente se uniram ao mundo real. Inclusive diversas localidades como o México, Estados Unidos e Japão são citados dezenas de vezes,

O personagem principal será você. Um humano simples que foi ferido gravemente em uma batalha e que um misterioso cubo te da poderes como um herói do mundo Jump. A partir daí, será teletransportado para a base Umbra (falarei dela posteriormente) onde receberá ordens do comandante Glover para ajudar a organização contra os novos vilões originais Kane e Galena que estão espalhando o caos no mundo.

Como é previsível, os vilões irão se unir a Kane e Galena e utilizarão o poder dos cubos para criar réplicas dos personagens para trazer ainda mais caos ao mundo. Embora a premissa seja minimamente interessante, o seu desenvolvimento é extremamente sonolento. Simplesmente todos aceitam tudo isso sem questionar absolutamente nada. Por exemplo, Goku/Naruto/Luffy são apresentados a verdade que eles ão um mangá e ta tudo certo e fim! Quando algum novo aliado é resgatado, eles precisam de três linhas de explicação para aceitar trabalhar na J force e por ai vai. Não espere desenvolvimento nem do personagem nem da história!

Adicionalmente a animação é patética na melhor das hipóteses. Todos os modelos dos personagens são estáticos e possuem a mesma cara para qualquer tipo de situação. Pode estar com sono, fome, feliz, triste, machucado e por ai vai, sua face simplesmente não mudará. O máximo que verá, é sua boca abrindo e fechando como se tivesse falando (não espere uma boa sincronia com a legenda). Por fim, diversos diálogos acabam somente com o inimigo dando as costas e andando para fora da luta. Imagina o Freeza tacando o terror e sendo derrotado pelo seu personagem/Goku. Ai ele fala: Ah, ok. Perdi. Vou voltar então, adeus. Ai ele vira as costas e absolutamente nada acontece. Zero reação dos heróis. E o detalhe é que esse inimigo irá CAMINHAR TRANQUILAMENTE! Não irá correr, voar nem tentará despistar você…

E outra coisa que me irritou foi que os desenvolvedores não tiveram o mínimo de empenho para fazer um mundo contínuo. Como exemplo, vamos pegar a fase de Nova Iorque. Ao ir para uma missão os personagens são teletransportados para a fase (a mesma que se luta) e os personagens dialogam entre si. Na hora de sair desse ambiente, tem um novo teletransporte. Oras, custava muito fazer um novo cenário? Mostrar os personagens andando de um lado para outro? Uma animação diferenciada? Infelizmente nada foi feito nesse sentido e a sensação de evolução e imersão é simplesmente inexistente.

Muito do seu tempo gasto será lutar contra os Venons, inimigos genéricos que estão possuídos pelo cubo Umbra do mal. Basicamente inimigos iguais a você com golpes igualmente customizáveis.

Loading infinitos e bugs

Dentre as inúmeras críticas que tenho a Jump Force acho que a vencedora são as milhares telas de loading/carregamento que o jogo possui. Simplesmente existe telas de carregamento para praticamente tudo. Digamos que vá fazer uma missão de história. Ao clicar na missão para iniciar, vai presenciar um loading para o briefing da missão. Depois outro loading chegando no local. Depois mais um loading para iniciar a luta. E ai mais um loading para sair da luta e ter a cena pós luta. Por fim, mais um loading para voltar a base umbra e ter a cena de fechamento da missão. E claro, mais um loading para poder se mexer livremente na base Umbra.

É inadmissível que em pleno 2019 um jogo AAA tenha tantos carregamentos. Não somente isso, mas são inúmeros e longos carregamentos para cenas curtas. Alguns carregamentos são maiores do que as cenas que eles estão carregando! Imagina ficar 40 segundos esperando para uma cena de 15 segundos??? Bem vindo a Jump Force…

E claro, além dessa péssima otimização, temos bugs. Vou aqui somente colocar dois que mais me saltaram aos olhos. O primeiro (e esse foi a indicação de um amigo) é que a física de cabelo é completamente zoada! Se colocar um cabelo curto, nada irá acontecer. Porém, se colocar um cabelo longo, simplesmente não existe física de detecção e fica passando por dentro de você. O mesmo vale para algumas roupas como, por exemplo, a capa de Yugi Muto. O outro bug que pude presenciar é que nas cenas de diálogo entre meu personagem e Light/Ryuk de Death Note, Ryuk simplesmente não tinha dublagem e nem suas asas. Era muito estranho ele falar nada sem ter nenhuma voz saindo.

E se está se perguntando como está o FPS, ele está ruim. Ao longo das lutas vi algumas quedas, mas na base Umbra, ele é sofrível!

Base Umbra, times inúteis e Mapa engana trouxa

Como falei acima, quando seu personagem vira um super herói, você é levado para a base de operações Umbra que é o Hub principal do jogo. Ali será possível procurar partidas online, offline, comprar itens para seu personagem, roupas, novas habilidades e muito mais. Ao chegar na base é necessário se filiar a um dos três grupos presentes, a equipe Alfa, Beta ou Gama. Cada uma delas é liderada pelo Naruto, Goku e Luffy, respectivamente.

Na teoria você vai escolher uma das equipes para ter missões mais de acordo com o time, porém, na prática, não existe nenhuma diferença. Sempre será possível escolher qualquer um dos personagens já liberados independente da escolha inicial. A única coisa que efetivamente é o seu set de golpes inicial.

Após escolher seu time e montar seu personagem, vamos para um dos itens que está no meu top 3 de ódio neste jogo, o mapa. Existem dois modos de fazer uma missão. A primeira, que é um modo completamente artificial, é ir a bancada de missões e escolher uma missão. Seja ela uma missão principal, secundária ou livre (que é uma série de pequenos desafios). Já a segunda forma seria algo mais orgânico, onde deveria ir falar com um personagem específico para iniciar uma cena. Embora seja legal na teoria, na prática, é um inferno. Isso acontece, pois é impossível de saber o que tem que fazer e aonde. Por mais que você tenha um mapa ele não te indica o próximo ponto de interesse. Sempre será necessário passar entre as equipes Alfa, Beta e Gama para ver aonde você deveria ir. Ou então, deverá ir ao centro de comando falar com o comandante Glover. Tudo completamente aleatório e sem qualquer tipo de indicação.

A ideia tanto do jogo como desse centro de operações é um copiar colar do que vimos em Dragon Ball Xenoverse. Porém, enquanto é muito bem executado em Xenoverse 1 e 2, em Jump Force é um caos. E junte todas esses problemas a uma animação bizarra do personagem com quedas constantes de frames.

A luta salva (um pouco) e belos gráficos

Indo para a parte principal do jogo temos a luta! Felizmente, aqui posso dizer que tiveram coisas que me agradaram. A luta em si segue aquela receita de bolo já conhecida nos jogos da Bandai. Temos um botão para golpe fraco, forte, para pular, agarrão, defesa, contra ataque e por ai vai. Se jogou qualquer jogo de anine da Bandai já sabe o que esperar. Adicionalmente o jogo é muito bonito e plástico. Além dos golpes deixarem um rastro de luz pela fase, vai um destaque especial para o golpe supremo que é uma beleza a parte. Além de ser muito bonito, muitos personagens irão se transformar após esses golpes. Goku, por exemplo, vira Super Sayajin. Gon fica em sua forma adulta com o cabelo grande e os cavaleiros de Atenas ficam com sua armadura de ouro. E existem muitos outros personagens que ficam bonitões após utilizar seu golpe supremo.

Além disso, é muito legal poder juntar personagens diferentes de tantas franquias para ver quem é o mais forte. Como otaku assumido e fã de 90% dos personagens presentes em Jump Force eu tive uma grande felicidade em fazer times e efetuar golpes que nunca poderiam ser feitos em qualquer outro jogo. Adicionalmente, o seu personagem é completamente customizável com os golpes, ou seja, é possível ter quatro golpes diferentes de quatro franquias. No meu caso eu usei um golpe de Dragon Ball, outro de Naruto, outro de Black Clover e o meu supremo é de Yu Yu Hakusho!

Aqui eu posso ousar afirmar que caso queira comprar o jogo somente para lutar e nada mais, em especial com seus amigos, Jump Force pode até valer a pena. Porém, tenho que destacar falhas que acontecem durante a luta. A primeira já até mencionei rapidamente acima que é a queda de FPS que acontece em alguns momentos. O segundo problema é a falta de interatividade com o cenário. A ideia é que o mundo real se misturou ao mundo Jump. Infelizmente isso não altera em nada a luta. Adicionalmente, como a luta é frenética, você mal percebe esse tipo de detalhe no cenários.

Por fim, o terceiro e maior problema na luta, é a total falta de equilíbrio entre os golpes especiais. Os golpes tem praticamente três tipos de alcance. Curto, médio e longa distância. Inicialmente eu testei diversos golpes de curta e média distância, porém, é praticamente impossível conectá-los, pois o adversário normalmente estará longe de você. Por ser fã de Cavaleiros do Zodíaco, eu testei alguns golpes do Shiryu e do Seiya, porém, quase nunca acertava eles. E o que resta são os golpes de longa distância que acabam tendo uma vantagem absurda na luta. Simplesmente não faz sentido utilizar algo de curta distância, podendo jogar uma bola de energia no inimigos.

E algo que também me incomodou, embora seja contornável, é a defesa perfeita. Se você ficar defendendo, o dano levado é praticamente zero, ou seja, quem fizer o primeiro contra ataque na luta já começará com uma grande vantagem.

Conclusão

Todo o hype gerado por Jump Force foi inversamente proporcional a sua qualidade. Temos problemas em todas as esferas do jogo, telas excessivas de loading, uma história sofrível, animações patéticas, quedas de FPS, bugs, oportunidades mal aproveitadas e mais. Jump Force é uma lista infinita de problemas e decepções.

É com muita tristeza que digo que Jump Force é o pior jogo da Bandai que já joguei em toda minha vida. Nem mesmo a luta aceitável que apresenta e os belos gráficos e efeitos salvam esse desastre em forma de jogo.

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Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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