Análise: Trials Rising é uma joia rara no meio de tantos lançamentos

Me lembro até hoje quando estava vendo a conferência da E3 2018 e do nada entra um homem gordinho e barbudo no teatro Orpheum dentro da conferência da Ubisoft. Ele estava com uma fantasia louca e pilotando uma moto. Na hora percebi que aquela entrada bobalhona era uma referência a um novo Trials. E sendo sincero, nunca foi uma franquia que me chamou a atenção.

Tive a oportunidade de jogá-lo para fazer esta análise antes de seu lançamento e posso afirmar que me diverti horrores. Inclusive me lembrou dos bons tempos de PS1 e PS2 quando me divertia com o clássico Tony Hawk Pro Skater. Uma mecânica viciante, quedas lendárias e muito Rock!

A primeira queda você nunca esquece

A idéia tanto de Trials Rising como de sua franquia é muito simples. Você deverá escolher uma moto e conseguir chegar ao final do percurso com o menor número de quedas e no melhor tempo possível em um visual 2.5D. Os comandos são muito simples: acelerar, frear, esquerda e direita. O grande desafio em Trials Rising será ter o equilíbrio perfeito para manter o momentum, ou seja, saber pular/cair/acelerar com perfeição para dar continuidade ao longo da pista.

Algo que me chamou muito a atenção foram as fases. Basicamente toda fase me encantou com suas nuances. Ao longo do jogo, você terá dezenas e mais dezenas de circuitos que irão variar a dificuldade de fácil à difícil. Quanto mais difícil a fase, mais obstáculos você encontrará pela frente. O interessante é que elas são completamente temáticas e animadas. Por exemplo, existe uma na Russia que ao passar por ela, você verá diversos foguetes levantando voo no fundo. Já outra, se passa em um set de cinema e será possível ver o faroeste, uma guerra espacial, policia e ladrão, um set de terror e mais. Tudo é completamente animado com muita coisa chamando sua atenção, incluindo diversas explosões ao longo das fases.

Um ponto que todos que tem que prestar atenção é ao cuidadoso e hilário fim de cada pista. Ao invés de simplesmente parar, seu personagem será explodido, afogado, baterá numa parede, cairá no concreto mole e até será levado para o espaço. Isso mostra um carinho aos mínimos detalhes além de uma grande criatividade.

E adicionalmente os belezas visuais, tenho que destacar a trilha sonora do jogo. Tendo 80% de sua trilha baseada em Rock N Roll, será muito divertido jogar com o volume no talo!

Fases que mudam e a busca pelo equilíbrio perfeito

Como falei acima, as fases são maravilhosamente bem feitas e desafiadoras, assim como as mecânicas são bem simples. Porém, isso não quer dizer que o jogo seja fácil! O jogo tenta simular a física tanto do jogador quanto da moto e de suas inclinações. Demorará um bom tempo (talvez horas) para você pegar o jeito do jogo e conseguir manter um bom ritmo em cada fase. Porém, após pegar esse ritmo, saiba que as fases mais avançadas irão mudar enquanto você pilota nelas. Por exemplo, muitas vezes será necessário ficar parado para pegar um elevador adaptado. Adicionalmente, será necessário saber o momento certo de acelerar para não ficar planando no ar e perder tempo.

Além da física e mudanças, ao longo das fases será possível pegar um, dois ou até três caminhos diferentes para passar de um obstáculo. E para tal será necessário saber quando acelerar ou frear. Uma dica importante é que muitas vezes ir mais devagar irá te ajudar no seu tempo final.

Para te ajudar em todos esses cálculos complicados, temos em Trials Rising uma novidade chamada Universidade do jogo. Nesse modo você contará com dicas de como fazer a movimentação perfeita. De como acelerar e frear e na hora em que deverá fazer isso. Como e quando deverá inclinar a moto e como fazer para alcançar plataformas mais altas. E por aí vão as diversas lições que te ajudarão e muito a ter o controle perfeito sobre sua moto. É uma adição muito bem vinda para os novatos.

Jogando com os amigos

Além de contar com um modo single player vasto, existem outros modos onde poderá se divertir com seus amigos. O primeiro é a própria campanha. Em Trials Rising, adicionaram uma novo moto onde duas pessoas podem pilotá-la ao mesmo tempo e isso é uma divertida e engraçada bagunça. Imagine a dificuldade natural do jogo e agora pense duas pessoas tentando coisas diferentes ao mesmo tempo. Não somente vira uma salada na hora de controlar a moto, mas com o segundo jogador a física da moto muda por causa do peso levando a novos cálculos para chegar ao fim da pista.

Também existe o modo de até quatro pessoas contra, com a tela dividida. Após escolher uma série de até oito pistas, cada um deverá concluir a pista na melhor posição possível caindo o menor número de vezes possível. Como estamos falando de quatro pessoas em uma única tela, o time de desenvolvimento teve uma sacada genial: Quem cai é transportado para o checkpoint seguinte e poderá acelerar somente após o primeiro jogador passar por esse checkpoint. Ou seja, por mais que você chegue em primeiro lugar, também será contabilizado o número total de quedas. No fim desse modo o ganhador irá ganhar uma aposta inofensiva feita no início do modo como: dar um peteleco no perdedor, ganhador ganhará uma pizza, perdedor lavará a louça e por aí vai…

Por fim existe o modo clássico de multiplayer que não estava disponível antes do lançamento do jogo, mas ele deve seguir o que já vimos no modo campanha onde é cada um por si. Vale dizer que ao longo do modo campanha será possível ver sempre os recordes de cada pista e eles sendo quebrado em tempo real.

O jogo tem problemas?

Eu amei Trials Rising e deixei isso explícito nessa análise, porém, tenho que destacar alguns pequenos problemas (que podem ser resolvidos com atualizações futuras).

Um problema sério que pude ver é que o jogo dá uns engasgos completamente aleatórios. Não chega a ser queda de frame, mas sim um congelamento da tela por um segundo. Muitas vezes esse congelamento acontece ao passar da linha de chegada, mas existem vezes que acontecem no meio de toda ação. Embora não acabe com a experiência do jogo , ele incomoda.

Por fim, algo que Trials Rising tem muito de legal é a customização massiva. Seja no jogador ou na moto, será possível deixar tudo com sua cara, ainda mais por poder equipar até 200 adesivos em cada item. Porém, a crítica é que: você receberá loot boxes ao longo do jogo e caso receba um item repetido, você deverá entrar de forma manual e vender item por item. Acredito que deveria existir um sistema de venda automática dos itens repetidos. E por tocar no assunto de vender o item, eu não achei justo o sistema de dinheiro do jogo. Depois de jogar, muitas horas, eu tinha dinheiro para comprar um a dois itens no máximo. A recompensa é pequena para poder efetivamente comprar algo.

Conclusão

No meio de um período de tantos lançamentos cheio de hype e um tanto frustantes como Anthem, Jump Force e Crackdown 3, Trials Rising consegue se destacar e brilhar muito mais forte que os grandes jogos. Não somente apresenta uma imensa diversão e qualidade, mas seu preço digital de R$79,99 é absurdamente convidativo.

Em minha humilde opinião, Trials Rising é uma compra obrigatória que irá divertir e desafiar todos os jogadores além de apresentar uma enorme qualidade e muito conteúdo! Adicionalmente, ele apresenta uma excelente trilha sonora – um ponto que a Ubisoft vem investindo e acertando em seus jogos!

notas

Publicado
Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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