Análise: ToeJam & Earl: Back in the Groove, um clássico de sucesso…na época dele

ToeJam & Earl é uma série que se iniciou lá no comecinho dos anos 90. Mais precisamente em 1991 para o saudoso Sega Genesis, vendido no Brasil pela Tec Toy como Mega Drive. E é muito importante destacarmos esse lançamento em 91 e sua importância para entendermos o que pelo menos foi a tentativa da HumaNature Studios ao lançar esse novo jogo/remake (ainda estou tentando entender) para os consoles da atual geração.

Lá há 28 anos atrás, quando a própria HumaNature lançou o ToeJam & Earl, ele atingiu níveis altíssimos da crítica especializada. E isso se deu por vários fatores. O jogo foi meio que precursor e um dos primeiros a criar modos que deram origem a jogos que vemos até hoje. Uma espécie de revolução. A começar pelo mapa exploratório, o jogo em si é pura exploração, e o mapa vai abrindo a medida que você anda sobre ele. Isso foi uma jogada genial. Outros pontos fortíssimos do jogo original foram do humor sarcástico e pastelão, que lembra muito os desenhos mais “ousados” podemos assim dizer do Cartoon Network, e também a trilha sonora, que é mais puro Funk norte-americano (ainda bem que não é o carioca).

A história (ainda falando do jogo de 91) é basicamente de dois alienígenas do planeta Funktron que em suas aventuras pelo espaço caem na Terra, e sua missão passa a ser percorrer pelos 25 níveis (mapas) do jogo para encontrar as peças de sua nave destruída e fugir logo desse planeta “maluco”. Tudo isso com vilões extremamente criativos e engraçados, onde basicamente você não os enfrenta, utiliza-se de presentes que recolhe durante o jogo para poder evitá-los enquanto explora o mapa.

Pronto é isso, só falei do jogo de 1991 e poderia acabar a análise aqui acrescentando que o jogo foi melhorado para o modelos dos consoles da geração atual, então isso se torna um ponto fraco porquê o que era engraçado e inovador em 1991 pode não surtir o mesmo efeito agora em 2019. Vamos para a análise!

Novidades

As novidades que ToeJam & Earl: Back in the Groove trazem condizem muito com os jogos atuais e o que não se tinha capacidade de fazer na época do seu predecessor. Jogar online, permitir que alguém entre no seu jogo online (muito legal), salvar mais de uma campanha, níveis de dificuldade, galeria de coleções, etc.. Vale destacar que as fases, ou níveis se você preferir, também sofreram muitas mudanças, encorporando uma riqueza muito grande de interatividade com o mapa e deixando o jogo bem menos monótono e mais desafiador que o original de Mega Drive.

Temos também a introdução das “gatas” dos nossos heróis, podendo também serem selecionadas para sua campanha. Falando em campanha, tudo ganhou uma cara de RPG, onde você escolhe cada personagem e o “promove” durante a partida baseado em suas habilidades de acordo com o que adapta melhor ao seu jogo, porém quando é promovido (a títulos como Cabeça de Repolho, Caxias, etc.), suas habilidades são sorteadas, o que frustra um pouco. Dentro do game existem também personagens que te levam a mini-games bem divertidos, como um teste de dança meio Guitar Hero ou disputa de dados com uns hippies.

Foi tudo cuidadosamente melhorado da versão original, cada inimigo, cada amigo que já existia no jogo antigo e a adição de novos personagens também bem engraçadinhos. Os gráficos ficaram bons e compatíveis com a proposta do jogo, agora se tem algo que já era bom e se tornou espetacular é o som. Independente do estilo que música que você curti, você irá agradar com o belo trabalho sonoro desse game. Uma das melhores trilhas que ouvi, praticamente uma homenagem ao funk clássico norte-americano, agora com a pureza do som digital ao invés do MIDI 16 bits da época.

Mecânica

A mecânica do jogo é bem simples, porém como disse na introdução, foi revolucionária, mas para sua época onde a campanha era menor e não dava tempo de enjoar do jogo. Não que agora seja um jogo enjoativo, mas fica a sensação de sempre mais do mesmo a cada nível, diferenciando apenas os personagens e a dificuldade. Você pode controlar o personagem livremente pelo mapa em qualquer direção em modo exploratório, com poucos botões de ação. Basicamente um para o menu de presentes (ferramentas essenciais para a campanha) e outro para executar a ação (sacudir uma árvore, interagir com os personagens, etc.). Há também um botão de uma habilidade especial que cada personagem tem. Assim como no jogo original, os presentes são a chave do jogo, são ferramentas que você usa ao longo da aventura que servem desde tacar tomates nos inimigos a asas de anjo para sobrevoar entre ilhas no mapa. Alguns precisam ser identificados, mas a emoção aumenta muito quando usamos um sem saber qual será a reação. Uma mecânica legal que precisa ressaltar são os mapas procedurais, ou seja, nunca são iguais, a exemplo de suas habilidades que também são sorteadas a cada promoção. Fica desse jeito: corra dos inimigos, use os presentes, se proteja, explore o mapa e reúna as peças de sua nave para “meter o pé” logo desse planeta maluco chamado Terra.

Conclusão

No final das contas, o que achamos do jogo beira a obviedade: se você jogou o clássico do Mega Drive e gostou, é claro que se torna uma compra obrigatória, pois o jogo está cheio de novidades e melhorias. Segundo ponto: se curte um game engraçado e despretensioso, um verdadeiro passa tempo com uma boa música de fundo, também é indicado. Mas quando analisamos o jogo em uma visão macro, ele é simplório e repetitivo, no máximo maluquinho como um “Ricky e Morty” da vida ou outro Cartoon do gênero. Jogamos no Nintendo Switch o que acaba se tornando um ponto positivo por ser um típico jogo passa tempo que você joga no caminho para o trabalho e não mais que isso.

notas

Publicado
Saudosista apaixonado por quase tudo que é antigo: games, música, costumes, ele mesmo e o único titulo brasileiro do time de coração Atlético-MG. Fã de RPG e jogos de luta, jura que fazia fila no fliperama na década de 90.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *