Análise: Devil May Cry 5 é o “jackpot” da série

Devil May Cry é uma grande franquia de sucesso que foi consolidada com a sua trilogia lançada no saudoso Playstation 2 e, que posteriormente, recebeu uma sequência para Playstation 3, Xbox 360 e PC: Devil May Cry 4.

No decorrer desses quatro títulos vimos o desenrolar da história de Dante e o começo da trajetória de Nero. Todos os fãs estavam eufóricos por uma nova continuação, mas um balde de água fria atingiu a todos com o fatídico anúncio de um reboot em 2010. DmC: Devil May Cry foi polêmico e divisor de águas, mas todos concordavam que queriam realmente uma continuação da série original. (Nota do redator: sou um fã que não odeia o DmC: Devil May Cry, mas compreendo perfeitamente o ódio)

Quase dez anos após essa surpresa que parou a internet, o tão esperado anúncio de Devil May Cry 5 finalmente ocorreu e novamente fez com que os fãs fossem positivamente a loucura. Junto do anúncio do novo episódio sobre os descendentes de Sparda, várias questões ficaram no ar. Quem é V? Por que Nero cortou o cabelo? Dante está velho? No céu tem pão?

Se liguem agora nesse review sem spoilers sobre os demônios que choram.

OS CAÇADORES DE DEMÔNIOS VOLTARAM

Para quem não quer saber sobre a história, aconselho passar pro próximo tópico. Não estarei dando spoiler, mas terei que comentar sobre a introdução do game. Não considero um spoiler, porém, tem quem considera e respeito isso.

Logo nos primeiros segundos de cena somos colocados na pele de Nero em busca de vingança contra um demônio extremamente poderoso e responsável por arrancar o seu braço demoníaco. Somos acompanhados pelo misterioso V e assistimos Dante sendo obliterado por esse novo inimigo. Nero entra em ação, mas não é capaz de confrontá-lo. Forçando Dante a combatê-lo novamente, mas conseguindo apenas o tempo suficiente para que V e Nero consigam escapar.

Um mês depois, o caçador de demônios está de volta com a sua versão móvel do Devil May Cry e tendo uma personagem extremamente excepcional ao seu lado: Nico. Com a missão de reencontrar V, resgatar Dante e chutar a bunda de seu algoz, Nero retornou com os poderosos Devil Breaker, próteses mecânicas que utilizam poder demoníaco.

Devil May Cry 5 segue uma nova linha narrativa em comparação com os seus antecessores. Aqui temos datas e horários de quando algo está acontecendo e isso faz com que tenhamos uma grande linha do tempo para que o jogador não se perca. Muitos momentos do jogos ocorrem ao mesmo tempo, já que temos três protagonistas. Em vários pontos estamos vivendo algo que é pausado por um ocorrido não explicado, então a narrativa retorna pro passado mostrando o que estava rolando com os outros protagonistas e a origem para tal acontecimento.

Além do lendário Dante, também temos a presença de Trish e Lady (embora elas não sejam jogáveis) e dois personagens novos de grande relevância:

  • V – É um homem misterioso que controla três sombras em formas de animais. Ele carrega consigo um livro do qual sempre está a ler versos poéticos.
  • Nico – Neta da mulher que fez a Ebony & Ivory de Dante, ela tem uma forte personalidade e serve como um alivio cômico sensacional por conta de suas tiradas e respostas.

E como não mencionar sobre o Nero? Vemos em Devil May Cry 4 a introdução deste personagem que era um tanto esquentado e retraído, mas agora temos um caçador de demônios carismático que consegue ser uma versão menos malandra de Dante. A evolução de Nero é, sem dúvidas, o maior destaque do salto temporal que ocorreu entre os títulos.

Em todas as missões somos presentados com cutscenes que seguem com a história, entregando numa dosagem certa narração e jogabilidade. Está longe de ser um jogo com muito gameplay e pouca história, mas também não chega perto de ser um Asura Wrath da vida. Realmente mesclaram esses dois fatores com perfeição.

Para enriquecer ainda mais a mitologia de Devil May Cry, temos as cartas de Morrison, o informante de Dante, que contém informações relevantes sobre o passado do lendário caçador infernal. Outro ponto chave é que esse jogo consegue conectar vários pontos e unificar a transmídia da série com fatores que só são apresentados no mangá e no anime. O estúdio responsável realmente fez a lição de casa quando foi trabalhar com esse enredo, conseguindo rechear de plot-twist e utilizar de forma satisfatória e não maçante vários clichês que estamos acostumados.

Para concluir esta parte, vale ressaltar que no jogo está presente um vídeo (o mesmo do trailer Story So Far) que apresenta a cronologia oficial da série onde temos a seguinte ordem: Devil May Cry 3, 1, 2 e 4. Com o 5 sendo a conclusão da saga.

CHUTAR BUNDAS COM ESTILO

Estamos numa tendência dos games saírem de suas raízes e se tornarem algo novo e “superior” ao que eram. Podemos ver isso com God of War, Assassin’s Creed Origins e Odyssey, Zelda Breath of the Wild e até Resident Evil 7. E algo que chama atenção em Devil May Cry 5 é que ele não seguiu essa tendência, pois pegou a base que conhecemos de como DMC era e trabalhou em cima em busca de melhorar a experiência que os jogadores iriam ter a desfrutá-lo. É possível sentir uma forte nostalgia ao jogá-lo e se lembrar das horas gastas em frente da sua televisão e Playstation 2 com a trilogia do Dante, mas ao mesmo tempo também sentir a sensação de estar desfrutando de algo realmente novo. Devil May Cry 5 consegue renovar, mas sem sair das origens.

Dessa vez temos três protagonistas bem distintos:

Enquanto Nero tem oito devil breakers a seu dispor e que realizam ações variadas para ampliar os combos e até puxar os inimigos para perto de si, também temos Dante que fica alternando entre seus estilos e inúmeras armas e, por fim, V que é capaz de comandar três feras feitas de sombras e só se aproximar de inimigos para finalizá-los.

Os comandos básicos são quadrado para longo alcance, triângulo para golpe forte, R1 para “lockar” inimigos e X para pular ou esquivar. Fora isso, cada um do trio tem seus comandos distintos fazendo com que o jogo se torne variado e longe de ser considerado repetitivo. Outro fator que contribui de mais em relação a não deixá-lo repetitivo são os diversos cenários e novos inimigos até perto do final.

Único fator que não achei satisfatório está presente no gameplay de Nero, pois não tem como alternar entre os devil breaker, forçando que o jogador o exploda ou utilize o golpe “supremo” deste para que possa usar o próximo. Se você é que nem eu, odeia desperdiçar recursos, sentirá o mesmo que eu, mas se for um vida louca que quer botar para quebrar… Let’s Party!

EXPERIÊNCIA COMPLETA

Utilizando a mesma engine gráfica de Resident Evil 7 e 2, Devil May Cry 5 conseguiu gráficos bastante realistas deixando o jogo extremamente belo. É uma nova roupagem completa e extremamente bem vinda para a franquia. E, além disso, como sempre, consegue manter a qualidade em suas músicas que desta vez tem um fator bacana: o volume da OST acompanha o amplificador de combos. Quanto maior o seu rank, mais alto ela vai tocar. Por mais estranho que seja, isso auxilia na sua empolgação para continuar a combar.

Devil May Cry 5 não possui um multiplayer online mesmo tendo funções que necessitam de conexão. E com isso entra um fator extremamente interessante do game: Podemos nos encontrar com outros jogadores.

Como dito antes, há muitos acontecimentos que ocorrem ao mesmo tempo com os protagonistas e em alguns pontos no mesmo cenário. Se, por exemplo, você estiver jogando com o Nero e focar a câmera numa parede quebrada do cenário pode ser que veja um outro jogador que esteja utilizando o V naquele instante para completar uma missão que passa no mesmo cenário. Após ocorrer esses encontros, o jogo pergunta se fulano é estiloso. Se você marcar que sim, estará disponibilizando um orb dourado para ele.

Devil May Cry 5 é desafiador, mas algo que acaba minimizando a sua dificuldade é a quantidade absurda de orbs douradas que o jogador pode conseguir em meio da campanha e como recompensa por ser “estiloso”. Contudo, isso vai da escolha da pessoa, já que é opcional a utilização delas. Além disso, também pode reviver ao sacrificar uma quantidade X de orbs vermelhas e posteriormente o valor de reviver aumenta de acordo com quantas vezes utilizar essa função. A Capcom, muito esperta, colocou para vender pacotes de red orbs na store. Uma boa opção para quem estiver desesperado ou queira liberar os talentos sem ter que farmar demais.

O jogo também tem modo fotografia que comparado a vários é bem simplório, pois não traz opções de filtros, efeitos de câmera e nem uma forma de acessá-lo com agilidade, já que ele se encontra na opção de pause.

Vale citar que o game apresenta opção de New Game+ para quem desejar curtir novamente a aventura com o máximo de poder dos seus personagens e inúmeros níveis de dificuldade para deixá-lo ainda mais desafiador a ponto nem as múltiplas orbs douradas darem conta.

CONCLUSÃO

Devil May Cry 5 é o que todos os fãs queriam: Uma continuação digna de sua franquia favorita (ou uma das).

Renovado sem sair das origens, temos uma experiência completa do que é DMC com gráficos dignos da geração, música boa, capetas para chutar e uma narrativa excelente para acompanhar.

Ele não é perfeito, há coisas que poderia melhorar, contudo, esses fatores estão longes de ofuscar a joia que Devil May Cry 5 é.

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Anderson Mussulino

Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.
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