Análise: Dead or Alive 6, obra de arte e o melhor jogo da série!

Tradicionalmente começo a análise contando um pouco da história do jogo e o que ele se tornou ao longo dos anos. Consequentemente procuro jogos que fizeram parte da minha infância e adolescência, pois naturalmente são jogos que desprendi várias horas jogando, e hoje falaremos de um ícone dos jogos de luta da “era 3D”, e principalmente, fez sua estréia em consoles no meu declaradamente console favorito: o Sega Saturn. Para falar da série Dead or Alive é preciso entender qual era a proposta do jogo em seu lançamento, e o que os resultados provocaram reviravoltas ao longo dos anos.

Pra isso, um breve resumo: o jogo fez sua estréia no Japão em 1996 para arcade publicado pela Tecmo, dois anos mais tarde ganhou sua versão para consoles, primeiramente no Sega Saturn. Era um jogo bem dinâmico com um sistema de combate triangular onde se usam três botões de ações, e ao que tudo indica seu foco era no combate rápido e técnico ao mesmo tempo. Porém o jogo fez muito sucesso no oriente apenas, no ocidente esse estilo já era tomado pelo Tekken no Playstation 1. Mas aí que entra a reviravolta, que agradou alguns e desagradou outros (eu). O jogo trazia algumas personagens mais sensualizadas, e que as roupas se rasgavam durante a luta. Com a chegada das novas gerações de consoles 128 bits os gráficos deram um salto gigantesco e aí que parece que a Tecmo sentiu a sacada: vamos investir no “guilty pleasure”que basicamente é mais garotas se exibindo sensualmente que um gameplay de luta interessante. E foi esse o rumo da série desde o Dead or Alive 2 até o 5, o que não deixava de ser bom de se jogar, mas era muito claro a preferência da produtora e distribuidora do jogo em ganhar fãs pela “beleza” do que pela luta, o que na minha opinião era uma pena, pois realmente a mecânica do primeiro jogo era espetacular. É uma estratégia e temos que respeitar, pois é uma série lucrativa que deu certo.

Mas parece que estamos passando para a terceira reviravolta do jogo, e por quê? Porque a luta e a mecânica se sobressaem ao guilty pleasure e o jogo está simplesmente maravilhoso! Mas não se preocupe, ainda manteve suas raízes de personagens lindos e sensuais que agrada a todos, isso mesmo, sem distinção de sexo, machismo, ou algo de cunho preconceituoso. É o que veremos em nossa análise agora.

Falando além do jogo

Isso é polêmico, porém, ao meu ver de simples entendimento. Quando o jogo foi lançado em 1996, no auge dos seios quase a mostra da Mai Shiranui (SNK), um jogo em 3D poligonal onde as mulheres perdiam a roupa e ficavam quase nuas com calcinhas a mostra era inovador, diferente, ousado e popular. Hoje não é mais. O mundo evoluiu e nós precisamos evoluir e entender as diferenças, e principalmente respeitá-las. Mulher nunca foi e nunca deveria ter sido objeto de exposição. Ponto. Repudiamos isso, essa sensualização abusiva do corpo feminino como objeto de venda. Sim, se quiser mostrar, se vestir, do jeito que quiser é liberdade, e deve sim se mostrar, desde que seja por vontade própria e não como objeto de venda. A Team Ninja entendeu isso, e nivelou a sensualidade do jogo. Claramente entendeu a diferença entre cultura japonesa e respeito. A Kazumi por exemplo está vestida até o pescoço, porém, ainda podemos adquirir vestes com o corpo mais a mostra, mas tudo dentro de um contexto cultural, nada de abuso. O guilty pleasure morre nesse jogo, mas sem perder a característica cultural Japonesa, que para uns pode ser ofensiva e para outros não. Se pregamos o respeito que seja assim, respeite quem goste, se você não curte não agrida, apenas respeite que curta. Vi o jogo receber notas baixas por esse motivo, não acontecerá aqui, porque prezamos pela liberdade. Goste do que você gostar, avaliarei o jogo de luta, não o jogo que mostra homens e mulheres que as roupas rasgam quando tomam um golpe mais forte.

Agora o game

Vamos começar assim: o jogo entrega mais que um simples jogo de luta, e surpreende em vários aspectos. Vamos analisar o que tem a oferecer e o que ele trouxe de mais empolgante e inovador.

Modos presentes:

  • Story –  modo clássico com uma história digamos normal dentro dos padrões dos jogos de luta atuais, rápida porém é interessante e coesa.
  • DOA Quest – é novo, uma espécie de RPG dentro da luta? Talvez esteja exagerando, mas é disparado o melhor modo do jogo, você tem que completar desafios dentro de lutas específicas para receber recompensas para seu jogo e galeria, e digo, valem muito a pena.
  • Fight – Modo normal, luta pura, básica.
  • Training – o já conhecido modo de treinamento, completíssimo, que você pode aprender tudo o que o personagem pode oferecer, nesse caso não surpreende porque já vem desde os primeiros jogos da série.
  • Online – basicamente o que toda luta online oferece, desafio, melhorias nas suas habilidades, facilidade de encontrar oponentes.

O que realmente surpreende as expectativas: no modo história são 24 (?) personagens e a história é ligada por uma linha do tempo absurda onde tudo se conecta, não importa com quem você comece o jogo, parece um filme de vários núcleos, e sim, existem momentos que nem luta tem, só cutscene, horas garantidas de gameplay, mesmo já sabendo o final. E não passem as letrinhas do final, no melhor estilo Marvel, temos cena pós crédito.

No modo online você mesmo se dá o título antes de enfrentar o oponente, uma espécie de auto apresentação, como “sou da paz”, “quero fazer amigos”, etc. E são muitos os títulos. Eles são desbloqueados de acordo com a pontuação que você faz na batalha. E o melhor, não precisa vencer todas pra pontuar bem, o jogo valoriza seu empenho em cada luta.

Apesar da surpresa mencionada acima no modo online, ele é muito simples e ficou claramente em segundo plano no jogo, isso pode afetar toda uma gama de jogadores que gostam desse modo. O foco ficou mesmo para o fator replay dentro da história e nos outros modos como o Doa Quest.

Fora dos modos de jogo mais uma chuva de elogios pelo que o jogo oferece e que justifica a frase “entrega mais que um jogo de luta”. No DOA Central, por exemplo, você encontra várias opções divertidas, inclusive por mais simples que pareça ser, o que mais me chamou atenção foi um modo de luta que você só é o espectador e pode ver seus personagens favoritos lutando sozinhos e você é o paparazzi com a câmera, fica lá se deliciando com capturas legais enquanto descansa os dedos, e afirmo, eu precisei várias vezes descansar os dedos. Além disso, temos a galeria de roupas (bem menos provocantes e machistas), acessórios, conquistas. Podemos escutar também todas as músicas do jogo, sim!!! Parece besteira, mas adorava as versões de Street Fighter, por exemplo, que poderíamos por o tema do Guille repetidamente até enjoar sem precisar estar lutando.

Mais detalhes que surpreenderam: ao final de cada round, você pode brincar de fotógrafo também, a câmera é livre, e é bem legal observar o cenários e personagens. Outro ponto forte que será abordado mais a frente é que se, por algum motivo, você sentir que o jogo é apelativo nas questões sensuais tradicionais do DOA, ou violento demais, você pode desabilitar no menu de opções. Em resumo, pensaram em tudo.

Os gráficos tem dois pontos de vista: se você entende que o jogo é japonês vai entender que está perfeito. Porque os rostos são lisos, as expressões são simples, as roupas bem estilosas. Ou seja, é cultural, é Japão é assim. Agora se você lembra das expressões faciais de um Kratos de God of War 4 por exemplo, e do cenário, achará um pouco pobre, muito certinho, meio “boneco”. As quebras de paredes, quedas nos cenários continuam presentes, muita interação., uma marca registrada do jogo. Apresenta pequenos bugs mas que claramente serão corrigidos com o tempo, nada que desanime. Se você optar por qualquer língua das falas que não seja a japonesa, você se sentirá em uma tarde no SBT dentro de um capítulo de “A Ursupadora”. A dublagem claramente foi feita só pro japão, isso é algo negativo, mas que na minha opinião não tira pontos do game. Algumas pessoas podem ficar irritadas também com a demora e quantidade de telas de carregamento, principalmente no modo história.

Um ponto negativo do game é o preço, para o jogo em si vale, o problema é que junto com o lançamento já vem uma DLC mais cara que o jogo. E pra quem é colecionador de personagens e acessórios isso conta muito, pois alguns estão disponíveis apenas adquirindo o “season pass 1” já disponível para compra.

A Luta

A luta está maravilhosa, é porradaria raiz. Projéteis? Arpões? Poderes que atravessam a tela? Espadas? Você não encontra aqui. Aqui e mão na cara e cara na mão. Alguns golpes mágicos e elétricos sim, mas a essência é puramente soco na boca do estômago. Porradaria. Combos fáceis (depois que você pega o tempo), e golpes variados com especiais muito legais, que acabam sendo uma inovação. Duas barras de energia que você enche de acordo com o tanto que bate e apanha e pode combinar essa energia extra em um super counter ataque ou mesmo no combo especial máximo: uma sequencia de 4 golpes que finalizam com cutscene linda, escura e empolgante.

A mecânica do combate em si continua tradicional, um botão pra chute, murro, block e agarrões. Tudo muito rápido e dinâmico, onde você sente um prazer muito grande quando vê que se estilo está sendo aprimorado e consegue sair dos combos básicos e enxerga uma técnica absurda para enfrentar os oponentes. Como disse não tem nada a não ser do combate corpo a corpo, então a medida que você se aprimora você se sente em um filme clássico de kung fu, é extremamente técnico e quando você evolui se torna quase invencível.

Conclusão

Dead or Alive 6 é mais que um jogo de luta. Ele entrega a luta frenética, técnica, empolgante e raiz. Mas também entrega modos diferentes, uma história amarrada, horas de gameplay, personagens conhecidos e muito carismáticos, e um infinito leque de opções de divertimento além da luta. Eu diria que até pra quem não gosta do estilo de jogo deveria jogar, e dar uma chance para se encantar com cada ponto trazido pela Team Ninja e Tecmo. Foram muito cuidadosos, sem falar no fato que também trás a polêmica da exposição e o cuidado que tiveram pra se adequarem ao momento que estamos vivendo. E digo mais, é um verdadeiro Girl Power! Extremamente feliz pelo lançamento, é o melhor DOA lançado, mas repete “erros” do passado como um preço totalmente fora dos padrões dos outros jogos, e o que hoje é muito questionado pela comunidade dos gamers. Apesar disso acredito ser um postulante a jogo de luta do ano.

notas

Publicado
Saudosista apaixonado por quase tudo que é antigo: games, música, costumes, ele mesmo e o único titulo brasileiro do time de coração Atlético-MG. Fã de RPG e jogos de luta, jura que fazia fila no fliperama na década de 90.

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