Análise: Xenon Racer tenta trazer o bom e velho estilo arcade de volta, mas peca em pontos cruciais

Eu sou um grande fã de jogos de corrida e, como quase qualquer gamer da década de 90, comecei minha jornada automobilística em vários jogos de arcade como Rush, Cruis’n USA, Need for Speed e por ai vai. E quando vi Xenon Racer eu achei que ele tinha um grande potencial de reviver esse estilo, até porque essa é a sua proposta.

Vejam em nossa análise abaixo onde Xenon Racer acerta e erra.

Correndo no ano de 2030

Algo que me surpreendeu muito inicialmente é a apresentação do jogo. Ao invés de simplesmente fazer um jogo de corrida futurista, eles resolveram fazer um vídeo mostrando como é esse mundo futurista e que em 2031 iniciará uma nova categoria de corrida com carros flutuantes. Para testar as tecnologias para essa grande mudança, as grandes empresas de carros resolveram fazer corridas não oficiais para se preparar para o ano seguinte. Ou seja, em 2030 veremos muitas corridas de rua futurista.

Passando desse início, podemos ver um carro muito bonito com cores vivas em uma espécie de sala e podemos seguir para o campeonato. Esse inicio é bem impactante e mais uma vez me remete ao ditado “não jogue um livro pela capa”.

No geral achei as pistas bem interessantes e bonitas. Elas se inspiram em países por todo mundo como Japão, estados Unidos e outros. Cada uma com as características que são conhecidas em cada país. Por exemplo, na pista do Japão é possível ver luzes de neon e até os famosos castelos japoneses.

Feito os elogios, vamos a primeira crítica ao jogo: A imagem é embaçada! Inicialmente eu me impressionei com os visuais, mas por volta da terceira/quarta pista eu falei “tem algo estranho aqui, isso ta meio embaçado?”. O que pude perceber é que em pistas mais escuras (com muita sombra ou a noite) a imagem do jogo fica sim embaçada! Não somente isso, mas se para para perceber o que está fora da pista principal, você percebe que os itens são muito simples. Me lembro que correndo em uma pista no Canadá, as árvores eram todas borradas e a torcida eram pontos coloridos e não pessoas.

Tudo embaçado

Decisões questionáveis e muito drift

Agora entrarei em um mar de problemas que o jogo tem. A sua ideia como um jogo arcade é que você deve abusar do drift, algo super comum nos jogos de hoje em dia, porém, uma decisão de design muito errada foi tomada. Ao invés de entregar uma boa dirigibilidade para o jogador poder optar em dar o drift para melhorar as curvas, ele na verdade te OBRIGA a dar o drift porque é IMPOSSÍVEL FAZER CURVAS. Vocês podem estar pensando que estou exagerando, mas não estou. É realmente impossível fazer uma curva mais acentuada da forma normal. Eu cheguei a ficar super lento para fazer curvas e eu sempre batia na parede.

Ou seja, ao invés de te entregarem uma boa dirigibilidade tendo o drift como um algo além, eles tentaram mascarar a jogabilidade com o drift. Com isso as corridas param de ser divertidas e desafiadoras e simplesmente se transformam em uma aula de decoreba. Você deverá memorizar cada circuito e curva e aonde é o melhor ponto para fazer o drift para ai sim poder manter sua velocidade e não bater a cada curva. Isso traz um sentimento de frustração muito grande, pois tira grande parte do fator diversão.

Adicionalmente, outra coisa que não entendi é que: ao fazer o drift, você carrega suas células de ERS que te habilitará diversos turbos ao longo da corrida, porém, ao ir mais rápido, você bate com mais força nas curvas. Ou seja, terá que esperar o momento perfeito para poder utilizar o turbo ou simplesmente baterá mais do que gostaria. E vale pontuar que o game design das pistas são questionáveis, pois muitas das curvas são extremamente fechadas e “lamber” o muro é quase certo.

E por falar em bater, os desenvolvedores colocaram algo que não entendi. Você tem uma durabilidade em seu carro. Se bater demais, depois de um tempo seu carro explode e você perde um tempo até voltar a corrida, assim perdendo posições. O problema é, depois de mais de 20 corridas eu não vi ninguém explodindo, somente eu. Além de ser um jogo frustrante por decisões questionáveis, você é o único punido na corrida! Claro, não posso dar 100% de certeza que os adversários não possam explodir, mas em minha experiência não vi nada parecido.

Por fim sou obrigado a falar da IA, algo crucial em um jogo de corrida. Pois bem, é como se ela não existisse. E a que existe é completamente desbalanceada. Na largada você irá passar que nem um foguete por todos os adversários sem nenhum esboço de resistência por parte deles. Porém, não muito além eles te passarão com uma grande facilidade. Além disso não existe um embate entre carros, não existe o sentimento de segurar uma posição ou fazer uma ultrapassagem. É quase a mesma coisa fazer uma corrida com e sem adversários, chega a ser triste.

Os problemas que mencionei acima são tão sérios que a própria IA também bate em diversos muros. Claro, eles conseguem passar pelas curvas muito melhor do que eu, mas mesmo assim, é possível ver como o esquema de jogo afeta o próprio robô adversário.

A frustração foi tão grande que Xenon Racer foi o primeiro jogo que me fez mudar pra baixo o nível de dificuldade. Nunca antes na história da humanidade tive esse tipo de problema com um jogo de corrida, mas agora esse momento chegou. Basicamente o que muda é que fica mais fácil chegar no primeiro colocado e conseguir melhores posições, mas nenhum dos problemas citados serão remediado.

Outros modos e elogios

Realmente, Xenon Racer erra em alguns pontos muito sensíveis, em especial para um jogo de corrida, mas não é somente críticas que tenho ao jogo. Além do modo campeonato, é possível jogar o modo time-attack para conseguir o melhor tempo e conhecer melhor as pistas. Também é possível jogar tanto online como o bom e velho split screen, que é algo sempre muito bem vindo aos jogos.

Adicionalmente existe uma parte de customização muito forte. É possível mudar o esquema de cores de todos os carros assim como o de rodas. É possível trocar o aro, aerofólio, saia do carro e muito mais. Além de mudar esteticamente o carro, ele muda os atributos também, o que faz ele reagir melhor ao seu tipo de direção preferida. Pode mudar a velocidade final, aceleração, tipo de turbo desejado, drift e outros status.

E um outro destaque que posso fazer é que a equipe desenvolvimento acertou em cheio no mundo futurista, incluindo os detalhes do carro. Por exemplo, cada carro se comporta de forma diferente ao passar de uma certa velocidade, ao alterar sua estrutura física. Isso já acontece com alguns carros hoje que tem partes móveis para melhorar a estabilidade em altas velocidades. Um outro detalhe que achei muito interessante é o retrovisor que simula uma pista virtual mostrando os adversários atrás de você.

Conclusão

Embora Xenon Racer comece muito bem em sua apresentação e mundo futurista, ele erra em pontos fundamentais de um jogo de corrida como a dirigibilidade e na IA. Isso eleva o sentimento de frustração e impõe uma barreira de entrada absurdamente gigante aos jogadores lembrando, dada as proporções, os jogos da From Software que pode frustrar muito os jogadores.

É sempre possível baixar a dificuldade e remediar um pouco esses problemas para que avance na jogatina, mas infelizmente esse não é o rumo correto. Por um outro lado, o jogo acerta muito em seu mundo futurista com detalhes ricos e uma boa trilha sonora. Claro, vale pontuar que em pistas mais escuras ou noturnas, faz parecer que o jogo está embaçado.

E embora eu tenha sim criticado (justamente) o jogo, quero deixar claro que Xenon Racer tem muito potencial num possível segundo jogo. Porém, eles precisam rever os pontos básicos que muitos outros fazem bem, mas que não tem esse ambiente que Xenon Racer conseguiu criar.

notas

Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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