Análise: Generation Zero mistura lindos cenários com um vazio angustiante

Todo mundo conhece a Avalanche Studios pela famosa franquia Just Cause, assim como o jogo do Mad Max e o mais recente lançamento em parceria com a Bethesda, Rage 2. E em Generation Zero, a desenvolvedora fez algo totalmente sozinha, atuando também na distribuição do jogo, ou seja, ela seria mestre de si mesma.

Esse cenário particularmente me agradou e fiquei ansioso para jogar Generation Zero, pois gosto do trabalho da Avalanche. E sim, Generation Zero tem coisas boas, que infelizmente são ofuscados pelos problemas. Confiram nossa opinião na análise abaixo.

Lindos gráficos e tudo que um jogo de sobrevivência precisa

Generation Zero te coloca de cara na ação em uma Suécia da década de 80 que foi misteriosamente tomada por robôs e os humanos remanescentes lutam pela sobrevivência. De cara já posso falar que o jogo permite jogar em multiplayer e ele se torna menos desinteressante mais interessante ao jogar com outros e até seus amigos.

E a primeira impressão é a melhor possível. Excelentes gráficos para todos os lados com casas vazias cheio de loot a ser coletado. O jogo começa de noite com uma névoa e você tem que coletar med kits, armas e munição para se defender  do inesperado. Carros estão abandonados com farol ligado e cenas de lutas com máquinas destruídas são visíveis.

Com o passar do tempo vemos o amanhecer com sua tradicional névoa e assim como é possível ver a mudança de dia para noite e mudança temporal como chuva. Além disso, basicamente em cada esquina será possível pegar algum tipo de loot seja para mudar sua aparência, melhorar suas armas ou então para distrair as máquinas inimigas como um rádio ligado, um sinalizador, um tanque de gás que será possível atirar nele e explodi-lo e por ai vai. São inúmeras as possibilidades.

Uma coisa legal são os stats que cada peça de roupa pode te trazer. Uma pode te deixar mais resistente ao fogo, outra pode fazer com que seus passos e movimentos fiquem mais silenciosos e etc. Ao que parece a idéia era mudar de roupa conforme a adversidade encontrada.

E por falar nos inimigos, eles tem um ponto fraco que vale a pena ser explorado. Por exemplo, ao atirar no “cachorro” robô você pode gastar de um a dois pentes de munição para matá-lo. Porém, se atirar em sua célula de combustível, dois a três tiros é o suficiente para destruí-lo.

Para finalizar os elogios, vale dizer que a engenharia de som é muito boa. Temos desde o silêncio que nos deixa aflitos (a princípio) e também podemos ouvir barulho de inimigos com uma certa distância. Assim como eles podem nos ouvir muito bem.

E agora os muitos problemas

Como falei acima, o início de Generation Zero é sim animador, mas o encanto acaba em questão de minutos. Agora vou fazer o papel de advogado do diabo e contradizer tudo o que falei acima.

  • Belos gráficos – Uma grande verdade, mas do que adianta lindos gráficos com um mundo desinteressante? Depois de ter entrado em algumas casas, você começará a ver que os ambientes usados são os mesmos, inclusive eu diversas vezes ficava perdido se eu já tinha ou não entrado em um ambiente específico – o jogo tem aquela cara de “alpha” nesse ponto.
  • Inimigos com fraquezas – É verdade que os inimigos possuem pontos fracos no melhor estilo Horizon Zero Dawn, porém, lhe falta inteligência. A inteligência artificial é fraca e ponto final! Além de ter uma IA ruim, muitos do inimigos se movimentam de forma muito esbarrando em paredes e texturas como se elas não estivessem ali.
  • Muito Loot! – Bem, inicialmente eu não teria porque reclamar de ter loot, mas nesse caso é surreal de desequilibrado. Como falei, Generation Zero é um jogo de sobrevivência que se passa em um mundo aberto. E por isso eu entendo que deveria ter um pouco de cuidado ao gastar minhas balas, porém, após matar somente o segundo inimigo no início do jogo eu já tinhas quase 200 balas para minha pistola. Não somente a oferta é exageradamente grande, mas existem itens em excesso como rádios, que podem ser encontrados em todo lugar. E algumas coisas não parecem bater, conseguimos de 3 a 5 miras de Sniper cada sem nem mesmo termos a arma. Tudo parece aleatório demais para um jogo que deveria ser um pouco mais tático que isso.
  • Missões sonolentas – Se existe algo que motiva os jogadores, é a existência de personagens interessantes e/ou boas missões. Infelizmente em Generation Zero é tudo um grande vazio – com a mesma missão de ir do lado A para o lado B. E ao chegar lá, irá pegar loot e depois ir para outro lugar. É completamente desinteressante seguir com o jogo. Não existe uma motivação real para continuá-lo.

E esses são alguns dos problemas principais. Ainda vimos bugs ao longo do jogo e o jogo se apresentou muito pesado, mesmo usando texturas e itens iguais seguidamente. Seria aceitável se estivesse em Early Access.

Conclusão

De longe Generation Zero parece ser uma excelente pedida, mas na real ele apresenta diversos problemas e parece que ainda não foi concluído. Embora tenha excelentes gráficos e uma premissa interessante, simplesmente falta todo o resto que faz um jogo ser bom e ser lembrado. Não existe história, personagens e missões interessantes. Os ambientes são muito repetitivos e a IA deixa bastante a desejar.

A verdade é que hoje não vale a pena comprar Generation Zero (custa cerca de R$99). A Avalanche fez sim um excelente esqueleto com gráficos e boas mecânicas, mas ele está vazio. Se em algum momento eles fizerem um grande upgrade, nós certamente iremos revisitá-lo. Continuamos confiando no trabalho da Avalanche Studios e esperamos que as críticas, dos jogadores e mídia especializada, ao jogo sirvam de combustível para a criatividade e profissionalismo de sua competente equipe.

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Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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