Análise: Tropico 6, El Presidente continua mostrando quem manda!

O ditador mais carismático dos games está de volta aos holofotes em Tropico 6, “El Presidente” terá que se desdobrar para acalmar os cidadãos dessa Ilha Caribenha ao mesmo tempo em que através de sua influência, seja ela o seu carisma ou dinheiro de suborno e com a ajuda de seu fiel escudeiro “Penultimo”, para fazer com que seu amado país prospere e seja bem sucedido ao longo das eras. Tropico 6 mantém as características mais bem-sucedidas da franquia e adiciona mais opções ao seu gameplay, além de uma considerável melhora nos seus gráficos e no manuseio dos ângulos do jogo.

O jogo utiliza muito bem o fator história, tirando o fato de que uma pessoa não fica viva por mais de 100 anos e continua sendo o presidente (essa licença poética está permitida no jogo porque El Presidente pode tudo), a evolução histórica de Tropico sendo uma colônia, passando pela sua independência, guerra fria e tempos modernos ao passo que novos objetivos, negócios e construções surgem junto com essa ordem cronológica.

A gameplay é bem instintiva, o jogo vai te ensinando como gerir a sua cidade, mas vai colocando as principais decisões do jogo na sua conta e elas influenciam demais no desenvolvimento do seu país. Esse “tutorial, é feito através de quests ou missões que vão aparecendo ao longo do jogo e, embora pareçam fáceis, algumas delas não são nem um pouco claras e fazem com que você tenha que usar as estatísticas que o jogo te providencia para alcançar os objetivos.

Fatores como fé, alegria, liberdade, comunismo, poluição e outros, tudo isso influência na felicidade do seu povo e consequentemente nas eleições dessa Ilha Caribenha, atenda as demandas do povo ou ele colocará fogo em tudo e iniciará uma rebelião, mas é claro que você tem a opção de ser um opressor e prender todos os rebeldes ou até mandar matá-los, afinal El Presidente é um homem que cuida do povo mas não deixa de ser um ditador.

Utilize muito as informações que o jogo te dá e também as opções de manobra, por exemplo, se o povo perde a fé você pode alterar a sua constituição para incentivar isso ou até publicar decretos que incentivem o povo a ser mais religioso. Esses decretos influenciam muito no que você quer fazer no momento, incentive a industrialização e suas indústrias terão custo reduzido e maior eficiência, sacrificando o comunismo na região e aumento a poluição, todas as suas ações sempre terão reações em outras áreas, e é aí que o jogo se mostra um “troll”. Muitas das missões que lhe são dadas ao decorrer da história serão contrárias ao que seu país precisa naquele momento e fará com que para cumpri-las você se coloque em maus lençóis, por exemplo tendo que construir mais indústrias quando você tem uma missão de diminuir a poluição do território.

Um dos recursos que mais vai te ajudar a saber o que sua terra precisa é o que mostra uma espécie de mapa de calor. Ele te ajudará a saber as maiores demandas de cada área como novas moradias, áreas de poluição e muito mais.Através desse recurso você também consegue identificar áreas para extração de minérios, onde suas plantações ou criações de animais terão maior eficiência.

Use muito bem o apoio dos outros personagens, tente sempre manter boas relações com seus aliados e sempre que possível aumente a sua reputação com a embaixada local, seja enviando delegações ou ressaltando a importância dela, mantenha rotas comerciais com os países para que, quando necessário, eles se voluntariem a lhe ajudar financeira e politicamente. A figura do “broker” é bem útil nesse momento, ele sempre irá a você com ofertas de novas construções, ajudas com outras países ou até compra de conhecimento para as suas pesquisas, é claro, tudo em troca de um pequeno incentivo monetário.

Tantas opções fazem com o que o jogo além de divertido seja extremamente estratégico e te prenda por horas, fazer sua nação prosperar se torna um objetivo complexo e que precisa ser muito bem administrado para que você consiga manter sua hegemonia no poder e seja sempre reeleito, porém algumas vezes as pessoas não precisam votar para que isso não aconteça, só não abuse desse recurso ou eles irão colocar fogo na cidade e irão atrás da sua cabeça exigindo por novas eleições.

Tudo na vida, e na política, tem seu lado negativo, e em Tropico 6 não é diferente. Algumas coisas incomodam no jogo, como o fato de em alguns momentos você ter que utilizar o teclado para se locomover no mapa, o famoso “clica e arrasta” não está disponível no jogo, os movimentos são feitos através do teclado com as opções de movimentação normais de um jogo (W,A,S,D) de PC e algumas teclas a mais (Q, E, CTRL..). O modo construção também poderia ser um pouco mais fácil de utilizar já que o caminho para construção de estradas no jogo as vezes não faz nenhum sentido e o zoom na área do mapa não funciona do mesmo jeito, o fato de você estar construindo algo ou apenas andando pelo mapa diverge as teclas utilizadas.

O jogo ainda possui diferentes modos, você pode fazer as missões que contam a história do crescimento de Tropico e como a Ilha prosperou, pode optar pelo modo “sand box” onde você escolhe o seu mapa e começa o seu Império do zero, ou até um modo multiplayer para jogar com seus amigos ou com outros jogadores na internet. Embora sejam modos diferentes, todos eles mantém a essência do jogo e a gameplay não é afetada, apenas o modo que ela é apresentada é que muda. Outra novidade no jogo é o modo de customização, embora você não possa criar arquipélagos (o que é uma pena), você pode mudar a aparência do seu Presidente e também os arredores e detalhes de seu palácio.

A música caribenha e também uma dublagem muito bem executada (mesmo que apenas em inglês) ditam o ritmo irreverente e algumas vezes bizarro das aventuras em seu país, seja nos diferentes personagens que aparecem ao longo da história ou nos grandes discursos do carismático ditador dessa Ilha.

Tropico 6 está disponível para o PC via Steam, e será lançado ainda neste ano para PS4 e Xbox One.

notas

Publicado
Um grande pinador dos FPS que acompanha eSports e finge saber das coisas. Saudosista dos consoles da Sega, formado em Adminsitração e com curso Pokémon de inglês.

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