Análise: Days Gone é apenas mais um bom jogo de zumbi

Mais uma epopéia na guerra com zumbis

Vamos partir de um fato: histórias de zumbi estão batidas; e por isso se aventurar em um game do gênero será sempre um desafio para qualquer desenvolvedora. Como agradar um público que já está mais do que acostumado com esse mundo apocalíptico? A Bend Studio (da Sony) preferiu não arriscar e focou em trazer de forma bem feita aspectos já consagrados do mundo dos zumbis. Jogadores mais exigentes podem se chatear pela falta de uma grande inovação, mas por outro lado quase tudo em Days Gone, seja aspectos clássicos quanto outros mais recentes, é feito com primor. Veja nossa análise de Days Gone:

THE LAST OF US?

A introdução do jogo deixa claro a influência da abertura do clássico The Last of Us (PS3 e PS4). Em Days Gone temos a apresentação do mundo do jogo diretamente a partir de uma cena de ação com o caos tomando conta da cidade seguida de uma ruptura dramática. Essa quebra acontece quando o personagem principal Deacon se despede de sua esposa Sarah, que embarca em um helicóptero para longe de toda a confusão. Ao contrário de The Last of Us, porém, Days Gone não consegue o envolvimento necessário para que a conclusão dessa cena inicial cause o impacto a que se propõe.

Logo em seguida, temos um avanço temporal de 2 anos e acordamos entre as estradas de Oregon em uma época claramente pós-apocalíptica. Deacon e seu amigo Boozer são motoqueiros sobrevivendo por este mundo tomado por zumbis, onde poucos humanos restaram e os que ainda respiram não necessariamente são boas pessoas. As similaridades com a série de TV The Walking Dead são evidentes desde o início da aventura. A primeira hora de jogo é muito boa. A ação e a relação de amizade entre os dois personagens são muito bem estabelecidas e desenhadas e os tutoriais são tão claros quanto a fluida jogabilidade do game.

Porém, após essa parte introdutória recheada de qualidade, quando somos lançados ao mundo aberto de Days Gone, a história perde o ritmo de forma significativa. Durante algumas horas somos impelidos a realizar missões secundárias e de pouquíssimo desenvolvimento da trama que dará o tom da história de Deacon. Cheguei a me perguntar, em determinado momento, o que eu estava fazendo no jogo. Qual era o meu propósito? Resumindo, o jogo demora a te dar as dicas necessárias para que o jogador possa ir, aos poucos, juntando as peças de um enredo geral e mais complexo.

Mas nem tudo está perdido. Após essas horas iniciais, o jogo engata bem. É como aprender a andar de moto e depois pisar fundo, sem olhar para trás. As redes de relacionamento começam a se desenvolver e evoluir, as dinâmicas sociais do jogo começam a tomar forma e nosso personagem aos poucos vai se desenhando de um jeito a criar laços com o jogador e com o mundo que o cerca. Junte a isso as pistas sobre o que de fato aconteceu/está acontecendo no mundo de Days Gone e, enfim, temos uma bela experiência digna da Sony. Muitos momentos são de emocionar!

Portanto, se o início parecer um pouco fraco, dá uma chance, o jogo melhora muito.

TIRO, PORRADA E BOMBA! LITERALMENTE

A jogabilidade de Days Gone é sólida, estável e muito bem executada. O movimento do personagem é bom e dinâmico, se ajusta tanto às abordagens mais furtivas quanto às mais explosivas, se assim posso dizer. Aliás, a variedade de abordagens é de extrema importância para o game já que enfrentamos zumbis ágeis, humanos com armas e animais silvestres. A preferência pessoal do jogador provavelmente será deixada de lado em alguma eventualidade ao longo da aventura, como fugir de uma horda gigante de zumbis ou invadir um acampamento durante a noite.

Para dar suporte a esse leque de maneiras de se jogar, contamos com muitos e muitos itens. Desde a clássica faquinha inquebrável, passando por tacos de baseball com pregos, fuzis, snipers e coquetéis molotov. Cada item serve para alguma coisa e combiná-los, assim como combinar as abordagens, é essencial para o seu sucesso. Mas tome cuidado, pois como um fiel retrato de um fim de mundo, em Days Gone não é fácil achar munição e itens que necessitamos.

Os inimigos tem uma inteligência artificial um tanto confusa é preciso reconhecer. Às vezes são extremamente inteligentes, deduzindo onde você está escondido de forma até perspicaz demais, porém de vez em quando são completamente displicentes e se entregam à morte de forma muito burra. Faltou polidez. Muitas vezes parece que os zumbis são mais espertos que os humanos… Se bem que isso realmente não está muito longe da verdade (sic).

Para complementar, o game conta com um sistema de criação de itens inteligente, que estimula a realização de missões secundárias, além de uma árvore de skills balanceada que também recompensa quem procura pelos pontos de interesse do mapa. Somamos a isso uma interface inteligente e não temos nenhum problema quanto aos quesitos visuais e de progressão do personagem e mapa.

CAVALO

Jogos de mundo aberto medievais contam, geralmente, com a presença de cavalos para facilitar a transição entre áreas distantes. Days Gone não é diferente. Temos um cavalo que precisamos alimentar e cuidar a todo instante, ele se chama Motocicleta. Se não darmos de comer (gasolina) e não cuidarmos com carinho (consertar o motor), nosso cavalo pode nos deixar na mão e dependendo de onde seja, é morte certa.

Brincadeiras à parte, a mecânica da motocicleta é muito boa. Sim, é preciso se atentar para a necessidade de gasolina e para a durabilidade do veículo, mas ela é ágil e de extrema importância, além de ser bem divertido de atropelar zumbis e outros inimigos pelo caminho.

Minha crítica à moto recai sobre dois pontos. 1) A necessidade de se parar em pontos de abastecimento a todo tempo, mesmo quando usamos a opção de viagem rápida, o que torna a experiência um pouco frustrante; 2) A falta de interação da moto com missões do jogo, se limitando quase exclusivamente a um meio de transporte e de socorro em situações difíceis.

CADÊ O PS5?

Days Gone tem um ponto muito negativo, sua performance é ruim. Jogar em um PS4 padrão é se preparar para enfrentar momentos de queda de FPS no abismo. Muitas vezes cheguei próximo aos 10, vendo a imagem travar e meus comandos do joystick se perderem. Ocorreu de me chocar contra obstáculos, cair da motocicleta e acabar morrendo em uma tentativa de fugir enquanto a performance estava baixa. O pacote de atualização do primeiro dia melhorou muito a experiência, mas ainda enfrento problemas pontuais. Em certas ocasiões, é comum a textura não carregar de imediato e você ficar vagando por um mundo que parece ser feito de massa de modelar.

E os Loadings? Loadings a todo tempo e demorados! Pau a Pau no quesito Loadings contra Anthem.

Na minha opinião, esse quesito técnico deixa claro que o jogo chegou em um momento um tanto indevido. Acredito que está muito mais para um jogo dos próximos consoles e de PC do que da atual geração PS4. Isso me leva a crer que, apesar da retrocompatibilidade do PS5, Days Gone possivelmente terá um lançamento dedicado ao novo videogame da Sony.

Mas também não se assuste, esses problemas não são frequentes ao ponto de tornar a experiência de Days Gone ruim, é apenas um ponto negativo.

A Bend Studio não fazia um jogo de console de mesa há muitos anos, o estúdio praticamente pulou toda a geração de PS3 e chegou no fim do quarto console da Playstation com Days Gone. Para quem não se lembra, eles foram os responsáveis pela série Syphon Filter, um clássico de gerações passadas, e o sucesso de Days Gone pode significar grandes frutos em um futuro próximo para todos nós.

E AÍ, DEACON?

Days Gone não é um jogo perfeito, mas é um ótimo game de zumbi. Seu mundo aberto é rico, seus personagens são bem desenvolvidos, a trilha sonora é tocante e a jogabilidade é divertida. Sua história, apesar de tropeçar em alguns pontos, é muito cativante e mostra mais uma obra de qualidade da Sony. Alguns problemas específicos de performance, principalmente em PS4 padrão, e o gostinho de quero mais em algumas capacidades do jogo demonstram que a Bend Studio não conseguiu tirar o que temos de melhor desta geração. Porém, no geral eles claramente conseguiram dar conta do recado.

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E para sacramentar Days Gone, o jogo oferece localização total em português brasileiro, contando com uma dublagem muito bem feita e divertida. A atuação dos dubladores dá o tom certo em cada fala do jogo, seja uma cena de tristeza, raiva, ironia ou diversão. Se você é um brasileiro fã de histórias envolventes, mundo aberto e/ou gosta de matar muitos zumbis pelo caminho, esse jogo certamente é para você.

E caso tenha curiosidade, é possível conferir aqui as 5 primeiras horas do jogo completamente em português capturado em um PS4 Pro.

Mais um bom jogo de zumbi!

Visual, ambientação e gráficos - 8.5
Jogabilidade - 8
Diversão - 9
Áudio e trilha-sonora - 9
Trama e roteiro - 8

8.5

Sem se arriscar e inovar, mas com competência e personalidade!

Bons personagens e roteiro de qualidade, apesar da trama clichê, aliados a uma boa jogabilidade são os pontos altos do game. Seu mundo aberto e trilha sonora finalizam o pacote com classe, mas problemas de performance e falta de inovação são problemas persistentes. e atrapalham a experiência.

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Ricardo Carvalho

Gosto muito de escrever, desenhar, de me frustrar com política, de filosofar no barzinho, assistir filmes e defender que games são arte! Me segue no twitter que eu sigo de volta, beleza? twitter.com/perfilricardoc Beijos e boas jogatinas!
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