Análise: Atelier Lulua ~the Scion of Arland~, Koei Tecmo, um misto de ideias e preguiça!

Atelier, é uma franquia de games um tanto quanto consolidada pela Koei Tecmo, a série principal conta com mais de 10 games, e temos mais de 15 spin-offs e ainda assim não é um nome tão grande quanto Final Fantasy, Dragon Quest ou Persona. Contudo não posso deixar de considerar sua importância, eu mesmo, tive pouco contato com a franquia, jogando alguns Atelier Rorona/Iris e Mana Khemia, ou mesmo spin offs como Nelke & the Legendary Alchemists.

Partindo dessa premissa eu peguei o Atelier Lulua como um jogo novo, estava fresco para ele e seja lá a história que ele desejasse me contar. E me perdoem fãs da obra, mas eu esperava mais, muito mais, e antes minha decepção fosse somente com a história, temos mais sobre o que conversar, vem comigo!

Ambientação

A jovem Elmerulia Frixell, ou melhor Lulua, filha de, nada mais, nada menos que Rorona Frixell, sim o jogo faz diversas referencias aos outros games da série, rolando até alguma interação. O destino de Lulua é pré estabelecido desde cedo, ela tem de “herdar” o legado Alquimístico de sua mãe Rorona e para isso, irá partir em uma aventura muito maior do que a garota espera em busca para descobrir os segredos do misterioso Alchemy Riddle.

Um livro simples, que contem um segredo fantástico por trás, pois somente Lulua consegue ler, para todas as outras pessoas ele parece apenas um livro em branco, o Alchemy Riddle literalmente cai na cabeça de Lulua enquanto ela explorava uma dungeon com sua amiga Eva. Tal livro contem segredos de criação de alquimia de alto nível que serão muito bem vindos para a Lulua em formação.

Ao descobrir que o Atelier de sua mãe será fechado caso não tenha o alvará renovado, Lulua decide então, entrar de cabeça nessa história de alquimia, mesmo sendo totalmente estabanada e desastrada, assim, parte com destino a Arland junto de Eva, Piana (sua mentora em alquimia) e Aurel seu amigo espadachim. É com essa premissa simples que o jogo se desenvolve, Lulua precisa então melhorar suas habilidades de alquimista e de quebra descobrir os segredos do Alchemy Riddle.

Mecânicas

Atelier Lulua, usa o mesmo principio de quase todos os JRPGs, batalhas de turnos, e olha, faz muito bem, a batalha ocorre com uma party de até 5 personagens, onde apenas 3 estarão no campo de batalha, e outros dois serão suportes que devem ser configurados para auxiliar o time quando necessário. Estes suportes podem ser usados para curar o time, buffar ou mesmo atacar. Isso me remeteu diretamente a Breath of Fire IV e me deu uma boas sensação nostálgica.

Existe ainda ataques de interrupção, estes são ativados a qualquer ao custo de itens que são equipados nos personagens, itens esses que são produzidos pela própria Lulua, seu conhecimento em Alquimia e auxilio do Alchemy Riddle. Falando em itens, a criação deles mantém o padrão dos jogos anteriores, você visita as áreas, farma itens de inimigos ou no ambiente. Com items em mãos você vai para o atelier e “voilà”, items.

Ainda durante as batalhas você terá o tradicional Extra Skill, que são os ataques devastadores que cada personagem possui, com animações longas, minha unica observação quanto os Extra Skills é o tempo, como dito as animações são longas e não temos como cortá-las, então depois de alguns usos eu evitava repetir, usando apenas contra bosses por conta do alto poder de dano.

Os itens que você cria, não se limitam a consumíveis, podem ser também ferramentas que auxiliam no fluxo da campanha, tem alguns caminhos que somente são desbloqueados quando criamos um item em especifico, como uma marreta que quebra pedras ou itens para capturar monstros específicos. Essa mecânica também é um fator decisivo para fazer com que o jogador retorne a ambientes que ele já explorou, contudo, com mais possibilidades, e me desculpem isso foi cansativo.

O esquema de criação de itens é bastante complexo e requer certa paciência para aprender lendo os tutoriais, e ainda mais paciência para coletar os itens necessários, o que, pode requerer horas e horas exaustivas de farm, que acaba sendo impactado também pela repetitividade do game, indo desde as áreas que são muito parecidas, aos inimigos e as musicas que tem pouca variação tornando essa atividade como descrito acima, cansativa.

Conclusão

Bom, eu realmente não consegui compreender algumas decisões de design que a Koei Tecmo usa para esse game, não sei se é para preservar a “essência” ou se é por preguiça, me explico, há algumas pequenas coisas que para mim são meio inadmissíveis para um game lançado em 2019 no fim de uma geração de consoles.

O game todo tem uma ambientação bem “anime”, o que não é problema de maneira alguma, Dragon Quest XI tá aí para provar ou mesmo Persona 5 com sua nova versão que está para chegar, e a série Atelier sempre se apoiou nisso, em Lulua a personagem principal é toda estabanada e alegre, e isso com o tempo começa a incomodar pesadamente, os personagens sempre estão falando, sempre há algum diálogo.

Mas o meu real problema com essa escolha de design, é que o restante do mundo tem uma “textura” diferente, é algo mais trabalhado, se é que me entendem, então em alguns momentos eu acabava sentindo uma “desconexão” entre os personagens tão vibrantes e coloridos com o restante do ambiente. E isso é acentuado DEMAIS com a animação de movimentação e de interação de Lulua com as coisas no mundo, nossa, é bem triste, um exemplo é, assistir ela “flutuar” quando se pressiona o botão de pulo, fica claro que não há gravidade no game e parece que nunca houve tal preocupação.

E por esses e outros pequenos detalhes como o cabelo esvoaçante sem o menor sinal de vento, ou como a personagem agita o seu cajado contra objetos afim de quebrá-los e não há um feedback visual, as caixas ainda quebram mas as pedras simplesmente somem e dropam os itens, ao bater em alguma arvore, o cajado “passa” por dentro da arvore, com exceção de ser alguma arvore que contenha itens, nesse caso o cajado faz um breve estampido xoxo e as frutas caem, sim eu sei que os mais fãs não se preocupam nesse nível e eu realmente posso estar sendo bem chato, mas são coisas que já estou acostumado com o cuidado dos desenvolvedores quando eu olho outros jogos, como os acima citados, a exemplo em Persona 5 quando o/a Morgana vira a caminhonete, você “sente” o peso delx enquanto ele se desloca, aqui em Lulua, eu me senti no reino do isopor e isso não favoreceu minha experiencia.

Portanto eu aconselho que só pegue o jogo se você for realmente fã, senão vale a pena esperar uma promoção para não se frustrar. Cambio, desligo!

notas

Publicado
Gamer, Gaymer e muito orgulhoso! Descobri os videojogos com 7 anos de idade, de lá para cá foi uma ladeira sem fim, horas gastas em frente a televisão e muita, mas muita mesmo, história para contar, vivi tantas vidas quanto consigo me lembrar, e quer saber? É muito bom não ser a si mesmo!

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