Análise: Stranger Things 3: The Game sem spoilers!

O Playstation 1 (clássico) viveu uma era de ouro com seus jogos baseados em filmes e séries. A grande maioria agradava mesmo tendo uma formula simplista e parecida. Os personagens e cenários era o que realmente chamava a atenção – somado a diversão barata digna de um domingo a tarde preguiçoso. De alguns vários anos para cá esse nicho parou de ser carro chefe de muitas produtoras e virou cada vez mais um motivo para ganhar mais dinheiro para as franquias de sucesso – poucos realmente divertem e se impõe frente ao mercado de games.

Um jogo baseado em Stranger Things tem tudo para ser um sucesso, personagens cativantes, diferentes e cheio de personalidades, inimigos abundantes com uma bela e curiosa história por trás e uma personagem overpowered (super forte) para dar aquele momento de superioridade para o jogador sobre seus desafios. Além de aumentar a liberdade criativa e as possibilidades.

Será que Stranger Things 3: The Game é um jogo para todos ou somente mais uma forma de arrecadação para, a ótima, série da Netflix?

Hawkins em 16-bits

Stranger Things 3: The Game te coloca em uma Hawkins em 16-bits e te deixando livre (na maior parte do tempo) para explorar e visitar cenários mostrando durante a série e principalmente as que aparecem na terceira temporada. Apesar de, depois de um certo momento, você poder fazer as missões na ordem que quiser, o jogo segue basicamente a passada da temporada, lembrando acontecimentos e diálogos marcantes dos episódios. O problema aqui é que tudo parece sem espírito, sem emoção, sem um “punch” que a série vira-e-volta proporciona. Na minha opinião isso faz com que jogá-lo sem ver a temporada primeiro, seja extremamente frustrante. Já que a história acaba ficando picada, sem expressões e com meias-palavras.

Logo no início do jogo eu me senti tacado de qualquer jeito na narrativa já que eu precisava visitar Eleven em sua casa e acabei saindo no braço com russos na floresta antes mesmo de saber que algo estava acontecendo com a cidade novamente… Eu como um grande fã da série fiquei incomodado com isso.

A dinâmica de missões consiste em ficar coletando coisas pelo mapa, abrindo portas que antes você não conseguia através de novas habilidades e de alguns puzzles bem simples. A cada novo personagens que você adiciona ao seu time vem uma nova habilidade que te permite chegar a lugares que antes não conseguia. Isso traz uma espécie de metroidvania para o jogo, só que como os lugares são os mesmos tudo fica muito repetitivo e igual.

Porradaria e habilidades

Cada personagem tem uma arma e um alcance diferente. Mike por exemplo usa o bastão de basebol enquanto Lucas tem seu estilingue para ataques de longo alcance. Você poderá jogar com quase todos os personagens principais da série e cada um será diferente em suas animações mas infelizmente o resultado é o mesmo.

Não há muitos tipos de inimigos, e você não tem muitas opções ou maneiras diferentes de lidar com eles, é atacar e pronto. Há um defesa, que acrescenta um elemento estratégico já que você um boost no ataque se bloquear no momento correto. Para a primeira metade da campanha isso parece suficiente, mas à medida que as missões aumentam e lançam mais inimigos em você a cada frame, o combate pode se tornar bem tedioso.

Após 5/6 horas, ao final do jogo, o pessoal da BonusXP tentou misturar essa jogabilidade com alguns quebra-cabeças, em geral sem inspiração – como mover blocos, acionar interruptores na ordem correta e etc – mas nada que aliviasse de fato o gameplay.

Alguns momentos do jogo são bem divertidos e confirmam que com mais dedicação e talvez foco, Stranger Things 3: The Game conseguiria ser uma referência e talvez um novo patamar para jogos baseados em séries pop. Os chefes do jogo tem seu valor e algumas mecânicas diferentes (como uma parte em que acontece uma perseguição) salvam e chegam a empolgar para o que vem a seguir. Só que nada vem.

Bagulhos Estranhos 3: O Jogo

Stranger Things 3: The Game acaba sendo mais uma promessa que não consegue entregar o que os fãs esperam de verdade. Com uma história que se atropela (e coloca personagens em lugares errados), quase sem emoção e com uma mecânica pobre de ação e RPG, o jogo não empolga e isso é bem triste de se concluir. A franquia é de uma qualidade absurda e seu mercado fora da atuação deveria seguir o mesmo caminho. A escolhas de resposta não mudam nada, o gameplay repetido (sair batendo em pessoas no mato sem saber nem quem são), o exagero de personagens que você pode escolher e que não acrescentam em nada na maioria do tempo, e um sistema de crafting que simplesmente não vale a pena, acabam resultado em um jogo bem mediano que poderia ter sido bem mais simples e extremamente mais divertido se fosse tratado como um jogo, e não como um produto da série.

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notas

 

Publicado
Gamer há tanto tempo que usa consoles como referência cronológica para lembranças de sua vida. Amante de Mega Man, Resident Evil e Warcraft. Se gaba por ter zerado Battletoads aos 9 anos mas abandonou Bloodborne com 26.

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