Análise: Terraria e Nintendo Switch foram feitos um para o outro

Nunca foi tão cômodo e divertido jogar Terraria

Quando Terraria foi lançado há 8 anos, se tornou uma febre. O jogo foi o primeiro forte concorrente de Minecraft na época, em um gênero que se consagraria como extremamente popular nos anos que se sucederam. Seu grande forte foi não ser uma cópia conceitual do seu concorrente, tendo não somente mecânicas e design bastante distintos de Minecraft, mas toda uma ambientação própria e uma jogabilidade que funcionava maravilhosamente.

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Terraria foi um sucesso logo no seu lançamento e, à medida que mais pessoas compraram o jogo no PC durante sua vida, novos updates foram aumentando a escala do jogo e seu escopo, deixando-o incrivelmente mais completo e rico de conteúdo. Após 8 anos de constantes atualizações e ports para todas as plataformas possíveis, Terraria foi finalmente lançado para Nintendo Switch, junto com sua ambiciosa atualização final, que acrescenta uma tonelada de conteúdo.

Uma história de amor

Como um fã ávido que passou centenas de horas explorando o jogo e descobrindo todas as suas possibilidades nas suas primeiras versões, eu não poderia ter ficado mais feliz de receber a notícia no ano passado de que o jogo seria lançado para Nintendo Switch. Esgotei todas as possibilidades do jogo nas suas primeiras versões, que ofereciam uma fração do conteúdo de hoje em dia. Pensei: “Bom, agora é a hora de ver tudo que foi adicionado ao jogo, vamos lá”. E rapaz, que satisfação.

Confesso que fiquei sem tocar no jogo durante um bom tempo após o terminar 8 anos atrás, muito por conta do fato de que migrei do PC para os consoles na época e não sentia que as versões lançadas chegavam aos pés de como o jogo fora concebido no mouse e teclado. Claro, em termos de comodidade, era sensacional jogar Terraria no sofá, mas a mecânica refinada que me prendia no PC faltava nos limitados controles. Me aventurei nas versões mobile do jogo para celular também, mas essas me pareciam ainda piores, já que eu mal conseguia ver o que estava fazendo nas telas touch dos celulares. Quando toquei pela primeira vez em Terraria para Nintendo Switch, acreditei que teria a mesma sensação das versões de console, mas rapaz, eu estava redondamente errado. Esta é a versão definitiva do jogo.

Um mundo imenso a ser explorado

Para os que não conhecem, Terraria consiste de um RPG de ação e aventura em 2D, em que um mundo é aleatoriamente criado e tudo pode ser quebrado e transformado à la Minecraft. Assim que iniciamos o jogo, somos apresentados ao colorido mundo de Terraria com nada mais que uma picareta, um martelo, um machado e uma adaga. Aí começa a magia do título. Marinheiros de primeira viagem no gênero podem ser perguntar: “Tá, o que eu faço agora?” A resposta para essa pergunta é uma infinidade de possibilidades, e é extremamente recompensador lembrar deste momento inicial do jogo após conquistar e craftar armas, armaduras, e estruturas incrivelmente complexas após horas de gameplay.

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Diferentes biomas, chefões, criaturas, armas, magias, NPC’s e materiais são parte de uma complexa cadeia de possibilidades de um jogo que não possui história. O objetivo consiste basicamente em melhorar seu personagem com equipamentos cada vez melhores, para que novas áreas possam ser descobertas e exploradas mais facilmente. Digo isso porque em tese todas as áreas do mapa podem ser alcançadas assim que se inicia um novo mundo, a diferença é que você vai penar muito mais para alcançar o inferno com uma picareta de cobre do que com uma britadeira de mithril. O conceito é bem simples, junte materiais, crafte novos equipamentos que vão te deixar mais forte, e consiga materiais melhores num ciclo eterno.

Qual o caminho a seguir?

Assim como o caminho a ser seguido, a forma como você construirá o seu personagem depende exclusivamente de você. Quer um arqueiro? Ache ferro e madeira para craftar um arco e suas primeiras flechas Quer um warrior porradeiro? Construa uma bigorna e corra atrás de bastante metal para criar suas primeiras espadas. Vida e mana são dois elementos essenciais, que podem ser incrementados achando Cristais de Vida pelo mapa ou Estrelas que caem do seu à noite. Cabe a você correr atrás dos materiais e equipamentos necessários para construir o personagem da sua forma.

Dentre todos os sistemas dos jogo, temos o de dia e noite. Talvez a primeira tarefa de qualquer iniciado em Terraria é construir uma casa simples para se proteger da noite, que é quando inimigos mais fortes aparecem. Enquanto o dia se limita a ter fracas slimes, que tiram pouca vida, a noite traz zumbis e criaturas mais chatas, que vão te dar um trabalho caso você queira construir e sair explorando por aí. Felizmente, à medida que vamos incrementando o personagem, esses inimigos vão se tornando insignificantes, o que permite uma exploração mais à vontade.

Porque jogar Terraria novamente?

Agora, vamos à principal pergunta que te trouxe até aqui: O que tem de diferente na versão de Nintendo Switch de Terraria? Bom, vamos por partes. Primeiramente, a jogabilidade é diferente de todas as versões já feitas. O pessoal da Re-Logic e da Pipeworks Studio fez um excelente trabalho em utilizar algumas das mecânicas que não deram certo nas versões de console e incrementá-las com o uso da tela touch. Em muitos momentos era simplesmente um porre quando era necessário um pouco de precisão no controle e tínhamos que levar o cursor até o canto da tela que queríamos. Agora tudo pode ser resolvido com um toque na tela. 

Inclusive, talvez o ponto positivo mais óbvio de se jogar Terraria no Nintendo Switch seja simplesmente a comodidade de se jogar em qualquer lugar pela primeira vez em uma versão que não seja extremamente inconveniente. Como já dito neste review, para mim é impossível de se jogar Terraria nas versões portáteis de Android e iOS, visto que não dá para se ter precisão sobre a maioria das mecânicas. Os botões físicos do Nintendo Switch o deixaram mais próximo das versões de console, o que já é um ganho e tanto. Com a possibilidade de se utilizar o touch quando conveniente, ganhamos nos dois lados, já que se pode alternar entre os dois de acordo com a necessidade.

Preço salgado

Nem só de amores vive a versão do Nintendo Switch, entretanto. Dois importantes problemas devem ser salientados, e com veemência. O primeiro e mais óbvio é muito simples, o preço do jogo. Terraria foi lançado para o console da Nintendo por salgadíssimos 30 dólares. Para quem não sabe, o jogo está sempre em promoção na Steam por míseros 10 reais. Entendemos os custos de se fazer um port por uma empresa terceirizada e de se lançar um jogo para um console da Nintendo, mas aumentar o preço do jogo em 12x é simplesmente um esculacho. Outro ponto que atrapalha muitas vezes é a travada que o jogo dá durante alguns autosaves. Em muitos momentos cruciais o jogo simplesmente congela por 5 segundos, até retornar depois de salvar. Não foram raras as vezes em que eu estava lutando contra um chefão ou algum inimigo poderoso e a tela travou, me deixando em 5 segundos tensíssimos de vida ou morte. Aguardo ansiosamente a correção desse ponto.

Conclusão

Em suma, Terraria para Nintendo Switch é a versão que todos nós esperávamos. Desconsiderando o preço salgado e o problema dos autosaves, que será corrigido num update futuro, o jogo parece ter sido concebido desde tempos atrás a ser jogado neste modo portátil. É simplesmente perfeito ter um jogo leve e desafiador ao mesmo tempo para ser jogado em qualquer lugar. Não à toa, matei todos os chefões antes do hardmode em cerca de 15 horas, o que é algo inédito na vida praticamente sem tempo que possuo agora. Achar uma brecha no transporte e jogar Terraria é algo que eu sonhava desde 2011, e agora, finalmente, posso viver esse sonho.

A melhor versão de Terraria

Jogabilidade - 9.5
Diversão - 9
Portabilidade - 9
Dificuldade - 9
Preço - 6

8.5

Um jogo concebido para a comodidade do Nintendo Switch

Terraria para Nintendo Switch é a versão que todos nós esperávamos. Desconsiderando o preço salgado e o problema dos autosaves, o jogo parece ter sido concebido desde tempos atrás a ser jogado em modo portátil. É simplesmente perfeito ter um jogo leve e desafiador ao mesmo tempo para ser jogado em qualquer lugar. Achar uma brecha no transporte e jogar Terraria é algo que eu sonhava desde 2011, e agora, finalmente, posso viver esse sonho.

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Bernardo Cortez

Formado em Relações Internacionais, Bernardo aproveitou o dom de escrever para algo útil. Músico, viajante, cronista e amante de qualquer coisa que seja relacionada a jogos, seu sonho é ser jornalista na área. Tem um carinho especial por jogos que tragam o melhor de todas as formas de arte que os englobam.
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