Análise: Burning Daylight trouxe uma macabra surpresa e ainda é grátis

Eu estava entediado em casa quando decidir pesquisar sobre alguns jogos independentes. Lembrei do nosso querido Brazil’s Independent Games Festival (BIG) e resolvi dar uma olhada nos concorrentes e vencedores das categorias deste ano. Pois bem que achei um jogo chamado Burning Daylight de graça na Steam e resolvi baixar para dar uma olhada. Iniciei o game sem ter a mínima ideia do que esperar e acabei ele tão rápido e surpresa quanto havia iniciado. Percebi que se tratava daqueles jogos de pouca interação e mais sensorial, muitos dos quais as pessoas dizem que nem sequer são games. Burning Daylight é ainda mais ousado em quebrar expectativas, seja pro lado positivo ou negativo.

O início do jogo é bem macabro. Você, um ser humano pelado (18+), acorda no meio de algo que se parece com um açougue, ou matadouro, de humanos. Máquinas descartam gente como se fossem lixo comum e logo nos damos conta de que se trata de uma ambientaçao apocalíptica ou distópica. Ou as duas. O personagem começa a andar, meio corcunda, e anda bastante. Ao longo da jornada, sua postura vai se ajeitando enquanto ele perpassa diversos cenários, alguns tão macabros quanto, outros mais bonitos e alguns bem misteriosos.

Ao longo da curta jornada, é evidente a sugestão do jogo que, infelizmente, não posso tratar aqui nos detalhes para não dar spoilers. De qualquer maneira, a subida até o topo desse mundo é um resumo da humanidade na Terra, seus vícios e virtudos e tirar o que há de melhor deste game requer uma dose de sensibilidade para sacar as referências.

Para ajudar nessa corrida sensorial, o jogo conta ainda com uma excelente direção de arte e trilha sonora. Os cenários são ricos e extremamente bem feitos servindo muito bem ao propósito de cada sessão do game e a música guia bem cada parte com a sensbilidade necessária para ajudar no mistério, na ambição e na revelação ao final.

O lado ruim é que o jogo é extremamente curto e com quase nenhuma interatividade The Animation Workshop na Dinamarca. É praticamente um protótipo, mesmo que seja bem acabado e impactante. Este pequeno game foi desenvolvido por um grupo de entusiastas do curso . Alguns probleminhas técnicos, como o personagem se perder no meio das coisas na tela e a performance também deixa um pouco a desejar em algumas partes, haja vista a limitação geral do game.

Sendo grátis e rápido, Burning Daylight pode ser muito interessante, como foi para mim. Capturar a essência do game é interessante e estimula alguns pensamentos curiosos. Se você é um jogador que busca um jogo independente pelos seus quebra-cabeças ou desafios de gameplay, este não é um título para você. De resto, só posso torcer para que o povo da equipe deste game consiga se engajar em algum projeto mais ambicioso, pois eles claramente tem o que precisa, basta um empurrãozinho.


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Ricardo Carvalho

Ricardo Carvalho é escritor, desenhista, filósofo de sofá, cineasta frustrado e ativista pela aceitação mundial de que videogame é arte. Redes: twitter.com/perfilricardoc, instagram.com/perfilricardoc.
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