Análise: Robbie Swifthand and the Orb of Mysteries e o prazer de morrer infinitamente

Ao longo do tempo muitos gêneros de jogos são cunhados e de tempos em tempos temos uma certa evolução ou um novo estilo é apresentado. Por exemplo, temos a série Souls que influencia até hoje dezenas de jogos e é memorável por ser difícil e ter um gameplay preciso.

E um outro gênero que tá ai desde a época do primeiro Super Mario é a plataforma. Desafio de pulos, armadilhas, inimigos e por ai vai. De um tempo para cá eu pude perceber que muitos desenvolvedores pegaram esse estilo e de certa forma misturaram com a punibilidade que encontramos na série Souls. Como os exemplos mais conhecidos temos Super Meat Boy e Cuphead. Esses jogos são dois monstros que são muito bem conhecidos e que tira o sono de cada jogador com as centenas de mortes até o fim do jogo.

E agora temos um terceiro jogo que entra para essa aclamada lista, Robbie Swifthand and the Orb of Mysteries. Respire fundo, morra milhares de vezes (sem exagero) e vamos a análise!

História padrãozinho e linda ambientação

Jogos de plataforma normalmente não são memoráveis por sua história e em Robbie Swifthand and the Orb of Mysteries, não vemos nada demais. Você será o ladrão Robbie que é invocado misteriosamente por uma espirito que fala que deverá conseguir três relíquias para parar um grande mal e salvar o mundo. Como é um ladrão, você será convencido a cooperar graças aos tesouros que poderá achar.

Ao longo das fases, a história irá se desenrolar um pouco e até será possível ver novos personagens. Mas para não entrar no cenário dos spoilers, falarei somente das pequenas interações. Esses momentos acontecem de uma forma um tanto aleatória que é quando o espírito invoca um computador e se conecta a internet. A partir dai espere uma série de excelentes piadas e paródias com o mundo real.

Mas se a história não impressiona muito, a ambientação é de chorar de bela, juntamente com uma trilha sonora que encaixa como uma luva. No geral são três mundos onde cada uma tem sua ambientação e é simplesmente deslumbrante.

Mas o que mais surpreende no visual é como o Robbie reage ao mundo. Claro, quando ele recebe uma pedrada na cabeça ou uma machadada ele reage morrendo e esparramando sangue para todo lado. Mas além disso, eles tiveram o cuidado de fazer animações no Robbie em tudo que está acontecendo. É possível ver ele se encolhendo de medo, ver seus olhos acompanhando um machado gigante que está no meio da tela e até seu rosto de alívio quando passa de um desafio.


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Morra de novo e mais uma vez

O gameplay do jogo é seu core e é onde brilha de forma incrível até ser morto e ficar tudo escuro. Os comando são muito simples: andar, pular, pular alto, agachar e se segurar nas bordas. Com o passar do jogo você ganha algumas melhorias como o clássico pulo duplo dentre outros.

E sim, mesmo com um gameplay tão simples, o jogo é incrível graças ao seu Game Design. Em um vídeo (confira aqui) a desenvolvedora veio a público comentar como é que eles fizeram todas as armadilhas e como iriam enganar o jogador. É sublime o trabalho que foi feito e a dificuldade cada vez aumenta mais e mais, só que nunca de forma injusta.

Robbie Swifthand and the Orb of Mysteries cumpre seu objetivo de te estressar ao ponto de xingar a vida, desligar o console e jogar o controle longe, porém, depois de passado o estresse, você retorna ao jogo e consegue pensar com mais clareza e evolui.

As armadilhas presentes em cada fase são inúmeras e é sempre uma surpresa desagradável. Em um momento do jogo eu estava com cerca de 250 mortes e me achando horrível, até que vi o vídeo que mencionei acima que já anotava mais de 2 mil mortes. E claro, após passar de fases tão desafiadoras como essas, o sentimento de felicidade e dever cumprido é imediato, porém, o jogo te da um motivo para possivelmente retornar a todas as fases.

Praticamente todas fases existe um colecionável que está escondido. É sim possível pegá-lo na primeira run, porém, muitas vezes ele não é tão obvio de ser achado. Isso fará com que retorne a cada fase para pegar esse segredo.

Conclusão

Robbie Swifthand and the Orb of Mysteries foi um jogo que certamente me surpreendeu. É um guilty pleasure você morrer centenas de vezes e conseguir passar de uma fase. É tudo muito bem pensado e bem feito, sem contar o game design no jogo que é impecável.

O jogo é sim praticamente perfeito, porém, sobre com algumas quedas de FPS no Switch e incomoda na fluidez do jogo. Felizmente essas quedas são pontuais e não atrapalham a experiência.

notas

Publicado
Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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