Opinião: Mortal Kombat parece, mas não é um jogo de luta

Exibição de violência e sangue que foi ganhando espaço e fama, entenda.

Mortal Kombat parece, mas não é um jogo de luta. Sim, frase pesada e que acarretará polêmica e discordância, porém, para alguns saudosistas poderá ser um sopro de “finalmente alguém falou isso”.

De antemão é preciso deixar claro que sim, ele é classificado como um jogo de luta, e não será isso que será discutido nesse artigo, porém os fundamentos de um que um bom jogo de luta deve ter, principalmente no início das mais aclamadas franquias de jogos nesse estilo nos anos 90.

A princípio explorarei argumentos que ao longo dos 32 anos que jogo vídeo-game (desde os 6) que me fazem crer na afirmação acima. E lembro ao leitor, ninguém é obrigado a concordar, é um ponto de vista, onde alguns podem se identificar e outros ficarem bem revoltados. Inclusive muitos dos outros editores já me xingaram antes mesmo de lançar essa opinião. Vamos a eles:

Anos 90

Década de outro dos jogos de luta. Filas nos famosos fliperamas. Capcom e SNK dominavam amplamente o ambiente de luta nos jogos eletrônicos. Street Fighter roubava totalmente a cena, com uma mecânica excelente (esqueça o primeiro jogo da franquia), 6 botões, 3 murros e 3 chutes, variando em forte, médio e fraco. Do mesmo modo, a SNK com seus vários games de sucesso, entre eles, Fatal Fury, Art of Fighting adotavam uma mecânica parecida, porém com 4 botões e algumas diferenças nas combinações entre eles.

Descreverei várias diferenças inclusive algumas drásticas. Porém o grande ponto é a base da mecânica. Explico. Para defender, era pressionar para trás, para executar um balão, pra frente + murro forte. O que quero dizer? Bem como se, no citado acima Fatal Fury, você podia mudar o plano de combate, dando um passo acima ou abaixo no cenário, você seria um bom jogador da família Capcom e um bom jogador na família SNK do mesmo jeito. A mecânica básica é a mesma.

A evolução

Com o passar dos anos, a SNK teve a ideia abençoada por Deus (me perdoem os ateus) de reunir seus melhores lutadores em um torneio para saber quem era o King of Fighters (o rei das lutas), e do mesmo modo a Capcom fechou acordo com a Marvel e vimos talvez o melhor jogo de luta da história, Marvel Vs Capcom 2. Agora podíamos escolher não apenas um personagem, mas dois ou três e pasmem, sob a mesma mecânica. Dessa forma, mesmo que você tenha passado 5, 10 anos jogando Street Fighter II, ou Alpha, etc., você podia ser bom e um grande jogador em Marvel Vs Capcom ou em The King of Fgthers.

Os jogos inovavam, traziam personagens conhecidos, mecânicas novas, porém sem DESTRUIR sua essência. Por isso que estou aqui escrevendo, devido ao fato que foi exatamente o que Mortal Kombat fez. Destruiu a mecânica elaborada e estratégica dos jogos de luta e não pode ser considerado um jogo nesse estilo. Lembrando, tivemos até um SNK vs Capcom.

O que então MK fez?

Segue a lista: botão de defesa, voadora que derruba (MK 1), rasteira pressionando pra trás e chute, zero “emendadas” (combos), um ganho que joga pra longe, 7 personagens, sendo que dois iguais, etc. Até um botão que se você segurasse, seu personagem saía correndo igual o Sonic na tela. Era até interessante você ter personagens com alcance maior no chute ou voadora, até porquê em algum momento você venceria com ela, afinal, era indefensável contra a fraca IA do jogo. Todavia, o legal do jogo era a violência e ver cabeças serem arrancadas, além do sistema de gráficos, utilizando atores reais e uma espécie de imagem filmada. Resultado: filas lotadas para jogar o game, isso era novidade. Mas sou capaz de apostar que ninguém na fila estava ali pelo jogo de luta, e sim pelo sangue.

Sobre a evolução de Mortal Kombat

O que imagino que os produtores da até então Acclaim pensaram: “bom não temos elementos de um jogo de luta, vamos tentar colocar.” Nada praticamente mudou em MK II, só novos personagens e um jogo impossível de jogar e ainda faltavam os combos. Aí veio o MK III, que admito é um sucesso. Digo é, porque até hoje existem torneios do jogo. E o jogo é isso, combos, combos, infinitos (literalmente), 256 personagens pra escolher e todos fazem a mesma coisa: combos. Quem fizer mais combo ganha, o que difere são as cores e os personagens. Ok Roberto você está falando dos anos 90 e 2000, mas e hoje? Mais combos com costelas quebradas,sangue e mais violência. Não é um jogo de luta.

Vamos comparar tecnicamente

Você é um jogador avançado de Street Fighter, escolhe o Zangief, personagem lento, de golpes precisos, além disso é necessário estar próximo ao adversário o que se torna um grande desafio contra oponentes de projéteis. Opa, quero algo assim em MK … não dá. Você é iniciante, escolhe Akuma (Capcom), ou Robert Garcia (SNK) , tem os combos, projéteis, alcances balanceados, uma infinidade de possibilidades. Por outro lado, em Mortal Kombat, basta escolher qualquer um, o que diferencia é a execução dos golpes através dos botões, não era como se você acertasse um “cascudo” com o Kio (The King of Fighters) emendado com gancho (o que em MK já acabaria aí) seguido de um “kuriesh“(Chama Kusanagem) poder você tontearia o adversário. E o maior detalhe, isso não vinha escrito! Você  tinha que descobrir! Igualmente, nesse parágrafo estou comparando os primeiros jogos das franquias.

Tá bom, mas e hoje?

Hoje Street Fighter não pára de decepcionar (os saudosos). A começar pelo tempo exato do combo (proposital, uma mortalcombatilizada no sistema), botão de agarrão (achando que é Tekken) e menos botões de ação. Marvel vs Capcom então, depois dessa briga de direitos e sucesso dos personagens da Marvel, nem se comenta, acabou. Por outro lado vem a SNK e me dá de presente de natal muito antecipado Samurai Shodow. Sim, depois de mais de uma década um jogo de luta, de verdade, raiz, estratégico, simples, objetivo. Que quem jogou nos anos 90/2000 irá jogar e bem, inovou sem tirar a essência. Enquanto que MK 11 mais costelas e pescoços quebrados, mais combos e mais personagens mais do mesmo e outros que não fazem sentido. Uma exibição.

Enfim, o que quero dizer é: além da opinião técnica sobre o que deveria ser um jogo de luta profissional, é que MK é um jogo lindo, de exibição e que adoro jogar, não competir, adoro ver. Porém temos um sopro de esperança de que os bons e velhos tempos das filas no fliperama voltem, agora em forma de fila de espera online, mas para um jogo onde a mecânica é a mesma e preserva a essência.

Exemplos práticos

Abaixo deixarei alguns vídeos de nossa equipe mesmo do Última Ficha e também de alguns jogos clássicos para ilustrar meus pontos de vista, comentem e divirtam-se! Antes disso, confira nossa análise de Mortal Kombat 11 clicando aqui e de Samurai Shodown clicando aqui. 

Não preciso nem dizer qual é meu favorito.

Vejam também os absurdos que era possível fazer com o melhor personagem de Street Fighter na era de ouro, no seu melhor jogo no console 3DO, é de cair o queixo, além de bons momentos em The King of Fighters, outros tempos, outras mecânicas, outras estratégias.

PS: no vídeo de The King of Fighters é level 4, era possível finalizar no level 7 sem dano, e não encontrei o combo máximo do jogador que era composto por: esquiva > cotovelada > chuto duplo pra frente > voadora tripla. Esse era o que consumia maior dano do inimigo no jogo. Malditos tempos sem internet, talvez eu e meus coleguinhas de bairro fôssemos realmente bons.


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Roberto Filho

Saudosista apaixonado por quase tudo que é antigo: games, música, costumes, ele mesmo e o único titulo brasileiro do time de coração Atlético-MG. Fã de RPG e jogos de luta, jura que fazia fila no fliperama na década de 90.
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