Análise: Monkey King: Hero is Back

O jogo mostra o que acontece quando se tem boas ideias, mas falta um pouco mais de amor na produção

Monkey King: Hero is Back é um dos jogos que foram apresentados para o PS4 no último evento da Sony na China. Além do game ser baseado no conto “Jornada para o Oeste” tendo como principal protagonista o Rei Macado, Sun Wukong, também é uma adaptação da animação que saiu para netflix em 2015 que compartilha do mesmo nome do jogo e temos Jackie Chan como dublador de Wukong na língua original (mandarim).

A produção desse jogo acaba trazendo uma nostalgia dos antigos jogos de PS1 que eram produzidos em base nos filmes da Pixar, como Monster S.A ou Toy Story 2. Será que de nostalgia um game vive? Vejamos mais sobre essa produção chinesa.

A Jornada para o Oeste

Logo de inicio temos um prólogo mostrando um resumo da vida de Sun Wukong até o momento de sua luta contra Buda no qual foi facilmente derrotado e selado por 500 anos. A história de fato começa quando um garotinho que é um monge em treinamento está carregando uma menininha num cesto em suas costas, ambos buscam uma forma de fugir dos monstros que estão raptando crianças e devido a isso adentram uma caverna gélida.

Por um mero descuido, o jovem monge acaba liberando o selo do grande sábio Sun Wukong, o que acaba os salvando. Contudo, o macaco está com seus poderes selados e deverá fazer boas ações para que o selo seja quebrado. Essa última parte acaba sendo usada como pretexto para liberar aos poucos a magia do protagonista.

A história se desenrola de maneira extremamente superficial. Várias vezes vemos situações que sentimos a presença de uma lacuna. Por exemplo, quando um porco falante se une a equipe, ele simplesmente só vai. Não há dialogo de convite, não há desenvolvimento. Ele simplesmente só passa a acompanhar.

Sabemos que filmes de games falham em suas adaptações porque não seguem o roteiro existente no jogo e tentam enfeitar pra caramba o seu conteúdo. Porém, desta vez vemos o contrário: O game não seguir a história do filme e se perder em meio do roteiro.

Antes de escrever essa análise tomei a iniciativa de assistir o filme e devo afirmar que enquanto a história do filme é interessante em seus 85 minutos de duração, o que temos no jogo chega a ser entristecedor por não ser capaz de manter o mesmo ritmo e qualidade.

Jogabilidade era para ser promissora.

Monkey King: Hero is back usa o esquema de golpe fraco, golpe forte e esquiva. Você pode jogá-lo imaginando que é um Dark Souls nutella da vida ou algo do tipo. Porém, você sente que o sistema de combate poderia ter sido melhor aproveitado. Além disso, também temos as habilidades de Sun Wukong que são bem subaproveitadas, como uma que permite ver a vida dos inimigos, aumentar a velocidade dele e fazer um banco surgir (o banco é uma das principais armas do jogo).

Essas mudanças não influenciam de fato o gameplay, não traz algum adicional ao sistema de combate, infelizmente. É como se fosse apenas uma pequena extensão do que já temos em nossas mãos.

Inclusive, passamos o jogo todo caminhando junto do menino monge e do Porco, porém, nenhum dos dois tem função real no jogo. Apenas acompanham e gritam “MONSTER!!” toda vez que avistam algum, fazendo com que se torne enjoativo e chato ficar os ouvindo. Eles poderiam auxiliar de alguma forma, deixar o jogo mais dinâmico ou ter alguma função real.

Inclusive, a forma de explorar e avançar no jogo lembra a temática apresentada em Zelda antes do Breath of Wild. Você caminha, acha um ou dois caminhos e escolhe qual seguir, as vezes tem uma rota fechada que lhe força retornar para a outra e conseguir algo que permita seguir adianta na rota anterior.

Gráficos e Áudio

Graças a utilização da Unreal Engine 4 temos gráficos bem familiares ao que somos apresentados no filme Monkey King: Hero is Back. Em especial os cenários que são bem coloridos e bonitos. Porém, no geral, faltou um capricho a mais, pois existe um notável serrilhado que impossível passar batido. Por outro lado, a trilha sonora é bastante relaxante e combina com a ambientação da China. Infelizmente, os dubladores não são dos melhores, em especial o do monge que tem uma voz deveras irritante e com atuação bastante amadora.

Monkey King: Hero is Back

 

Monkey King: Hero is Back poderia ter sido melhor trabalhado para virar um bom game, mas faltou amor em sua produção.

Visual, ambientação e gráficos - 6.5
Jogabilidade - 5
Diversão - 5
Áudio e trilha-sonora - 7
Enredo - 6

5.9

Na moral, aguarde um desconto se quiser comprar.

Monkey King: Hero is Back teve uma boa ideia de trabalhar a lenda de Sun Wukong e ter pego base num filme foi ainda melhor, pois já tinham uma narrativa e personagens prontos, era só desenvolver o gameplay de uma forma satisfatória e encaixar a história nisso. Porém, a equipe de produção esqueceu de polir o jogo, se dedicar um pouco mais na produção deste. O resultado é algo que podemos ver com potencial desperdiçado.

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Anderson Mussulino

Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.
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