Análise: Shadow the Ronin -The Revenge to the Samurai

Um esforço que parte de uma iniciativa da Sony, mas não entrega um jogo

Para começarmos a falar de Shadow the Ronin, é preciso enfatizar sua origem. Por dois motivos básicos: sabermos sob qual contexto deveremos pontuar nossas críticas e reconhecer o esforço vindo de uma “campanha” da Sony Playstation. Há alguns anos, com foco principal na Europa, a Sony promove o PS Talents, que simplificando, é um programa de incentivo a pequenas produtoras a desenvolver jogos, que por ventura são publicados e vendidos a baixo custo. Portanto, é muito importante destacar isso. Shadow the Ronin faz parte desse programa, vem de uma desenvolvedora pequena. Porém, não exime nossa crítica, pesada ou não, mas em compensação o contexto e o embasamento das críticas são todos sob um forte reconhecimento no esforço e trabalho dos produtores de entregar um jogo completo para Playstation 4.

O resumo

Não consegui identificar a história do jogo, o prelúdio é o próprio trailer. Para a leitura não ficar cansativa e repetitiva, vou evitar dizer a todo momento que compreendemos os motivos por faltarem tantos elementos no jogo. Então a princípio e pelo título acredito que a história seja sobre um Samurai que queria vingança sobre ninjas, já que é sabido que os ninjas no Japão feudal foram sim responsáveis por massacres a vilas de samurais a manda do próprio imperador japonês. Mas tem dragões também no jogo, o que também não é possível identificar o motivo.

O jogo começa com você cavalgando em um cenário que seria bonito se não houvessem tantos problemas de renderização e frames, por que ele “pica” e trava a medida que você caminha. Sob essa circunstância você chega a uma cidade com duas garotas que te fazem lembrar gueixas, na neve e só de camisas, sem a parte de baixo da roupa, detalhes de dificultam o entendimento do sentido disso tudo. Sem nenhuma informação ou diálogo o jogo trava e você já vai direto pra uma espécie de campo de batalha.

Existem sim boas idéias

Aí começa a primeira boa ideia. Achei “charmoso” e nostálgico o estilo desse campo de batalha. Me lembrou bons jogos dos anos 90, principalmente de aviões, onde o “mapa” era marcado por pontinhos que eram a localização de seus inimigos. No caso de Shadow the Ronin os inimigos são os ninjas. É interessante você lutar em campo aberto, assim como achei extremamente interessante apenas UMA espadada ser mortal. Tanto a sua (que sai fogo não faço ideia do porque) ou a do inimigo. Convenhamos, não é o mais usual, mas é o mais real, se você toma uma “katanada” direto no peito você irá morrer. Apesar dessa ideia ter sido legal, o que é péssimo é não existir um botão de defesa. Complica bastante ficar vivo.

Mas ainda tem um ponto que torna a jornada ainda mais cansativa. Como é mapa aberto e grande, demora um pouco a encontrar o inimigo, que por sua vez te mata com uma espadada. Você morre e volta numa espécie de limbo separado por uma lagoa que você tem que nadar e andar tudo de novo pra levar outra espadada e morrer. Não dá assim. Pegando o gancho na boa ideia, seria legal que o jogo talvez fosse um modo “arcade”, onde realmente “tudo bem” morrer rápido, mas que eu volte para a ação com a mesma velocidade. Você fica mais tempo retornando da morte do que jogando, o que deixa a diversão inviável.

Além da morte real, e do campo de batalhas, eu poderia nomear mais uma boa ideia. Sempre bom termos samurais, ninjas e dragões juntos. Quem não gosta? Uma pena não ter sido explorado ao menos o motivo de tudo isso existir.

Tecnicamente…

Quanto as questões técnicas, dispensa comentários pelos motivos já descritos acima. Entendemos as dificuldades. Mas a impressão que foi passada é que foi feito muito esforço para um visual que não funcionou e todo o restante foi deixado de lado. Não há jogabilidade, apesar do botão quando é pressionado responder bem. Existe uma esquiva, mas como alguém de espada não pode usar a defesa? A câmera não acompanha a movimentação e existiu uma tentativa de marcação do inimigo moda “souls”, mas não funciona porque desmarca sem razões aparentes.

A música é a mesma, não muda. Os efeitos sonoros não estão sincronizados com os movimentos, apesar de que existe um elogio a se fazer quanto a isso. Interessante que quando você mergulha o som fica opaco, como se o cameraman mergulhasse com a câmera. Poxa, se atentaram pra isso e coisas mais importantes ficaram de lado, uma pena.

Como disse, o jogo faz parte da iniciativa Playstation Talents e é barato, R$41,50 para não assinantes da Plus e R$16,60 para quem assina o serviço. Você pode diquirir o jogo clicando aqui.

Bons ingredientes mas não entrega um jogo

Visual, ambientação e gráficos - 5
Jogabilidade - 1
Diversão - 1
Áudio e trilha-sonora - 5
Fator Replay - 1

2.6

O preço é baixo e precisamos valorizar talentos, jogue se estiver curioso.

Como disse, estamos aqui para dar valor mas ao mesmo tempo sermos sinceros. Shadow the Ronin -The Revenge to the Samurai não entrega um jogo completo, porém entrega um certo potencial, que ao meu ponto de vista pode ser explorado. Tem bons temperos, ninjas, espadas, fogo na espada, gueixas, mas não tem organização e não diz o que isso tudo quis ser. Sou apaixonado pelo tema, então vale a experiência e também poder imaginar o que esse jogo poderia ter sido. E ressalto toda a dedicação dos desenvolvedores, pois apesar de tudo, acredito que tenha exigido muitas horas de trabalho e muito suor derramado.

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Roberto Filho

Saudosista apaixonado por quase tudo que é antigo: games, música, costumes, ele mesmo e o único titulo brasileiro do time de coração Atlético-MG. Fã de RPG e jogos de luta, jura que fazia fila no fliperama na década de 90.
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