Análise: Yakuza 4 Remastered mostra que a máfia japonesa não se baseia apenas no Kiryu

Yakuza 4 Remastered nos traz uma narrativa em que temos quatro protagonistas, mostrando que esse universo não é centrado apenas no Dragão de Dojima.

Seguindo os reviews do Yakuza Remastered Collection, agora chegou a vez do quarto jogo. Yakuza 4 Remastered traz pela primeira vez na série a utilização de mais de um protagonista, seguindo uma narrativa linear entre eles e permitindo que o jogador aproveite singularidades de cada seja nas lutas ou mini-games.

Leia a nossa análise de Yakuza 3 Remastered.

Não há paz duradoura em Kamurucho, Yakuza 4 Remastered está aqui para provar

Yakuza 4 Remastered traz algo inédito na série que é a utilização de múltiplos protagonistas. Ao invés de viver apenas na pele de Kiryu Kazuma, também teremos o agiota Akiyama, o fugitivo Saejima e o detetive Tanimura.

O game já começa com a introdução de Akiyama num dia como qualquer outro em que deverá realizar a cobrança para os membros da família Shibata, uma subsidiária do Clã Tojo. Esse é o nosso primeiro contato com personagens inéditos e a introdução de uma trama ainda maior que está por vir. Principalmente por ser o agiota aquele que presenciou em primeira mão o assassinato no território do clã Tojo que vai desencadear inúmeros eventos que envolvem um caso de 25 anos atrás.

Saejima, por sua vez, é o hitman lendário que matou 18 homens do clã Ueno e foi condenado há 25 anos de prisão juntamente da sentença de morte. Ao ser transferido para o presidiário de Okinawa, Saejima Taiga descobre a atual situação em que a sua família se encontra. Em busca de vingança, ele consegue fugir da prisão e retornar para Kamurocho, o berço da Yakuza.

Tanimura é o total oposto, uma vez que ele é um detetive da policia. Em busca de desvendar o motivo do assassinato de seu pai, ele acaba se envolvendo nessa briga da máfia japonesa na esperança de obter respostas.

Por fim, Kiryu Kazuma que está aproveitando a sua aposentadoria em Okinawa acaba sendo puxado para esse novo conflito do clã Tojo, obrigando que ele retorne para Kamurocho.

O ponto alto de Yakuza 4 é que a história dos quatro protagonistas se interligam com perfeição de forma que construam uma narrativa completa mesmo com objetivos singulares, pois eles acabam se conectando com o desenrolar da trama. Também é valioso ver que as intrigas envolvendo o clã Tojo não se resumem apenas em Kiryu, comprovando que a tudo aquilo funciona com ou sem o Dragão de Dojima como foco.

Além disso, temos o desenvolvimento do background de outros personagens como o Mashima. E algo extremamente valiosa é que a história pode ser jogada continuamente, sem aqueles momentos desnecessários igual acontece no Yakuza 3, onde temos que cuidar das crianças do orfanato.

Em Yakuza 4 Remastered a troca de personagem não é uma simples skin

Algo que Yakuza 4 Remastered fez com excelência foi a divisão dos capítulos entre os quatro protagonistas. Cada um deles possui o seu estilo próprio de luta:

  • Akiyama é bastante ágil e luta utilizando chutes;
  • Saejima é força bruta, podendo carregar seus golpes e agarrões poderosos;
  • Tanimura consegue dar parry e realizar mais finalizações;
  • Kiryu é a definição de “o monstro saiu da jaula”.

Além do estilo de luta distinto, é como se esse único jogo fosse uma quadrilogia. A soundtrack com cada um deles tem as suas singularidades, o jogo evolui apresentando mini-games próprios como o Akiyama cuidar das garotas de seu bar de acompanhantes ou o Saejima treinar um dojo.

O contexto geral também muda, fazendo com que a gente se familiarize mais ao cotidiano de cada personagem, como é o caso de Tanimura que tem um rádio da polícia que fica constantemente informando crimes ou desordens que ocorrem na cidade e que você pode ir atrás de resolver.

Kamurocho mais vivo do que nunca

Aproveitando a engine e gráficos utilizados em Yakuza 3, no Yakuza  4 Remastered a ação ocorre toda em Kamurocho, fazendo com que Okinawa seja responsável apenas por alguns eventos. Diferente do antecessor, na cidade principal podemos andar no subsolo e sobre os terraços dos prédios, ampliando a exploração nesse mapa já estabelecido.

Não é notável uma evolução gráfica, contudo, o gameplay foi capaz de evoluir muito bem ao não apresentar problemas nas lutas igual o 3 apresentava (agarrões e finalizações que tinham um timing horrível). Consequentemente a soundtrack está mais marcante, conseguindo criar uma imersão maior do que no 3. Ela é fundamental para nos ambientarmos no desenvolvimento de cada personagem.

Yakuza 4 Remastered
Para ilustrar, uma foto desse manequim nenhum pouco suspeito.

Feel The Heat

Algo que eu realmente havia achado sem graça em Yakuza 3 Remastered eram os momentos que o “Feel the heat!” aconteciam. O que era para ser uma finalização épica em um boss acaba se tornando algo bastante aleatório e longe de ser uma finalização.

Em Yakuza 4 Remastered vemos o famigerado “Feel the heat!” realmente para finalizar os inimigos, em cenas épicas de combate que fazia valer apena cada apertar de botão, diferente do antecessor que você podia optar por um de três golpes e não ser algo “exclusivo” daquele combate.

Yakuza 4 Remastered

 

Yakuza 4 Remastered mudou o rumo de Yakuza

Visual, ambientação e gráficos - 7
Jogabilidade - 8
Diversão - 10
Áudio e trilha-sonora - 10
Narrativa - 10

9

Um capítulo obrigatório para os fãs

Yakuza 4 Remastered pega tudo que o 3 tinha de bom e amplia, corrigindo os principais erros e trazendo acertos inéditos nessa história cheia de plot twist.

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Anderson Mussulino

Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.
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