Análise: Jump King, a um pulo de arrancar os cabelos

Vamos tentar ao máximo não fazer trocadilhos com pulos

Jump King é um game muito simples. Seu objetivo é… pular. Não há armas, não há inimigos no caminho, não há tela de game over, não há qualquer outra mecânica que não seja pular. O único desafio é calcular a distância e altura do pulo para alcançar plataformas até chegar ao topo e encontrar “sua gata”. Sexismo à parte, é realmente simples, não? Mas, repare, em nenhum momento eu disse que será fácil. E é exatamente aí que reside o grande potencial do game.

Mas antes disso, vale comentar que Jump King é a primeira aventura da Nexile, uma pequena desenvolvedora independente da Suécia, com apenas quatro integrantes. Ele foi lançado há mais de um ano, sem qualquer alarde, para PC, mais precisamente em maio de 2019. No entanto, de lá pra cá, Jump King fez justificável sucesso entre streamers, o que o credenciou a dar um passo além, ganhando seu merecido lançamento para Playstation 4, Xbox One e Switch em 9 de junho de 2020, publicado pela Ukiyo Publishing Limited. É sempre bom vermos desenvolvedores pequenos conseguindo seu espaço com criatividade.

Mas enfim, qual o motivo desse sucesso entre streamers? Sem dúvidas, o desafio. Ou melhor, o modo como Jump King o trata.

Pular, pular… cair, cair

Lidar com riscos, recompensas e frustrações é o cerne de Jump King. Sua mecânica simples só permite que você ande para os lados e pule, nada mais. Quanto mais você pressiona o botão de pulo, mas alto ele será, e colocando para os lados você direciona esse pulo. Depois que você solta o botão, a única coisa que pode fazer é esperar para ver se vai cair na plataforma certa.

Essa mecânica simples vai ganhando contornos dramáticos conforme você vai subindo, porque os cenários vão exigindo pulos cada vez mais precisos. As vezes você tem que acertar o pulo em um mastro de bandeira, outras vezes precisa ricochetear na parede para alcançar lugares mais altos. Você vai passar bastante tempo calculando antes de efetivamente apertar o botão, porque, principalmente nos estágios avançados, cada pulo é uma aposta arriscada. É tudo ou nada.

Não há dano por queda, mas a punição por cada erro é até pior que uma tela de game over. Ao errar, você cai. Mas não é simplesmente cair uma ou duas plataformas. Você pode cair de um lugar avançado, que demorou muito para chegar, até praticamente o início! E terá que subir tudo de novo. É esse momento que explica muito do seu sucesso entre streamers. Afinal, conseguir superar um desafio complicadíssimo é recompensador, mas ver o desespero nos olhos de alguém por cometer um erro bobo logo em seguida e assistir o personagem caindo por vários cenários até bater de cara no chão é impagável. O triste é quando acontece contigo. E pode ter certeza que vai acontecer.

Para garantir a tensão, Jump King tem autosave a cada pulo. Ou seja, cada erro é gravado instantaneamente, sem dar chance de carregar aquele save para repetir. Isso é outro aspecto fundamental da jogabilidade, que é analisar friamente os riscos de cada pulo antes de fazê-los. Entretanto, errar faz parte do charme de Jump King, que, inclusive, reserva algumas de suas conquistas para o acúmulo desses erros.

Jump King e uma confortável viagem de volta aos 16 bits

Jump King lembra bastante os games da geração 16 bits. Seja pelo seu conceito básico, mecânicas simples e desafio extremamente punitivo, mas também pelo seu visual e efeitos sonoros. A trilha sonora é minimalista. Além da música de abertura, que emula os chiptunes da época, outras composições só tocarão em determinados cenários, sempre de maneira discreta, porém funcional. Fica ao seu cargo colocar para tocar alguns dos “clássicos brasileiros” sobre pulos, como “Vamo pulá”, de Sandy & Junior, ou “Pula”, do Tihuana (perdão, não resisti).

Na maior parte do tempo, só o que você vai ouvir é o som dos seus pulos, contrastando com um barulho bem característico dos jogos 16 bits ao colidir com paredes e objetos. Além de, é claro, ser quase pavlovianamente induzido ao ouvir o som das inúmeras quedas.

Visualmente, Jump King possui uma ambientação bem própria. Seu cenários em pixel art feita a mão receberam efeitos visuais retrô e animações bem vibrantes. Quem foi adolescente na década de 90 certamente vai se sentir confortavelmente em casa com essa ambientação, ainda que tenha toques modernos.

Jump King está disponível a partir de 9 de junho para Playstation 4, Xbox One, Switch e PC.

Essa análise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

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Jump King

Visual, ambientação e gráficos - 8
Jogabilidade - 8.5
Diversão - 8.5
Áudio e trilha-sonora - 7.5

8.1

Otimo

Jump King consegue desenvolver um desafio complexo com mecânicas extremamente simples. Completar seus desafios dá aquela sensação de gratificação que poucos games desafiadores conseguem. Ao mesmo tempo que é necessário ter um pouco de paciência para não se sentir frustrado com as quedas. Com essa virtude de entender que as falhas são oportunidades de aprendizado, Jump King pode ser uma ótima diversão.

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Paulo Macedo

Hoje um velho vascaíno ranzinza, ficou maravilhado pelo mundo dos videogames ainda criança, quando viu River Raid no Atari pela primeira vez em algum sábado de sol de 1990. Mais de 30 anos depois, continua com o mesmo brilho nos olhos quando segura um controle nas mãos. Segue lá no Twitter: @pmacedojunior
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