Análise: The Last of Us 2 é visceral e emocionante

Jogo chega tratando de inúmeros temas atuais e certamente irá causar grande impacto

The Last of Us 2 foi uma aventura completamente inesperada para mim. Forte. Impactante. Sensível. Visceral. Esses são alguns dos muitos sentimentos que tive jogando o que chamo de obra prima e possivelmente o melhor exclusivo de PS4 da geração.

É importante dizer que antes de iniciar esta análise, que não conterá spoilers, é que este jogo não somente deve ser jogado por maiores de 18 anos, como você precisa ter um estômago forte assim como uma força mental. Em The Last of Us 2, você irá experienciar um turbilhão de sentimentos e é necessário estar pronto para ele.

Um apocalipse e um violão

As consequências de suas ações

Falar de The Last of Us 2 é algo complicado, pois ele é um prato cheio de spoilers. Se eu tentar falar sobre qualquer personagem ou acontecimento, posso estragar uma das muitas surpresas que a Naughty Dog preparou. Portanto irei falar o mínimo do mínimo.

O jogo é uma sequencia direta do primeiro The Last of Us onde após um breve diálogo entre Joel e seu irmão Tommy, eles retornam a cidade de Jackson. Depois de Joel falar com Ellie, o jogo avança 4 anos e a garota de 15 anos agora é uma mulher experiente de 19 anos onde é claro que sua relação com Joel se desgastou de alguma forma.

Ao longo de sua aventura você irá conhecer diversos novos excelentes personagens onde cada um tem sua história nesse mundo e suas motivações. E todos, sem exceção, em algum momento para sobreviver tomaram algum tipo de decisão e ação. Isso levanta dois pontos muito interessantes. O primeiro é que não existe alguém certo ou errado nesse mundo, apenas sobreviventes. O segundo é que toda ação levará a uma consequência imediata ou futura.

E é exatamente ai onde brilha o jogo. Como é que sua motivação e suas ações irão afetar aos que estão ao seu lado. Vale seguir o amor ou ódio? O perdão ou vingança? The Last of Us 2 está recheado de inúmeros momentos onde se mostra a dualidade de forma magistral.

Amizade colorida

Relacionamentos e a necessidade de exploração

Se eu fosse avaliar individualmente a história de cada personagem ela seria apenas muito boa. Mas não teria me feito chorar no fim das 25/26 horas de minha jogatina. Algo que brilha com muita força em The Last of Us 2 são os muitos pequenos momentos em que você encontra os personagens em pontos específicos.

Discutir algo sobre o passado como o que lia quando criança? Talvez falar de como os filmes eram feitos? Que tal achar muito dinheiro e pensar no que compraria com ele? Esses pequenos momentos fazem com que a exploração não seja somente opcional como necessária. Conhecer melhor esses personagens é algo fantástico e super bem feito.

E diversos desses momentos são memoráveis como a melhor versão que já ouvi de Take on Me da banda A-HA tocada por Ellie. O que é muito bem feito nesse mundo é que graças a esse continuo desenvolvimento de personagens, os holofotes saem de Ellie e Joel e você se interessa por muito mais pessoas.

Além das cenas entre personagens, eu também apreciei muito encontrar diversas cartas espalhadas de pessoas que estão vivendo nesse pós apocalipse. As diversas histórias contadas são excepcionais e é interessante saber porque alguém tentou abandonar seu posto, mudou de lado, tentou fugir com a família e muito mais.

Caso seja de interesse da Naughty Dog, eles poderão fazer inúmeros jogos contando a vida de tantas pessoas neste mundo caótico.

Vem na faca que agora sei esquivar

The Last of Us 2 e os novos inimigos

Durante a aventura em The Last of Us 2, temos três grandes grupos que serão seus inimigos. O primeiro será o grupo paramilitar WLF (Washington Liberation Front). Com um treinamento de exército eles são armados até os dentes e trazem os temidos cães farejadores.

O segundo grupo é a seita religiosa chamada Serafita (chamados de cicatrizes pelos membros da WLF). Diferente da WLF, eles são muito mais sorrateiros e se escondem utilizando a natureza, sendo atacar os inimigos de surpresa a sua principal arma. Algo muito legal é que eles se comunicam com assovios e cada variação significa um comando específico.

Por fim temos os infectados já presentes no jogo. Eles variam entre velocidade e força. Uma novidade é que em alguns momentos iremos ver o embate entre dois grupos e será possível colocar eles para lutarem entre si. O mais novo infectado apresenta um grande desafio, pois ele ao se aproximar solta um gás intoxicante e venenoso o que aumenta a necessidade de urgência em lidar com o problema.

Quanto maior o infectado, maior o perigo

Um grande destaque vai para a Inteligência Artificial (IA). Diversas vezes os inimigos irão te cercar e flanquear. Ou seja, não existe uma situação em que fique tranquilo, sempre que encontrar um novo inimigo, ficará muito tenso. Ao atingir um inimigo, contanto que não seja de forma furtiva, eles tentarão chamar um aliado, afinal eles são companheiros de guerra. Muitos te xingarão por ter matado um amigo e irão a sua caça. E claro, se tiver cachorros disponíveis, eles irão te farejar até te achar.

Para conseguir desviar de tantos inimigos e situações, é possível se esconder na densa mata. Afinal, já tendo passado quatro anos entre os jogos, a vegetação tomou ainda mais conta do mundo. Também será possível se esconder em diversos pontos dos ambientes brincando com a verticalidade. Além disso, na “fase da água” é possível submergir e aparecer em outro lugar despistando todos. Uma outra novidade é a possibilidade de deitar no chão além de se abaixar. Isso faz com que seja mais dificilmente encontrado pelos inimigos além de poder passar debaixo de carros e diversas estruturas.

E por fim, e extremamente necessário, corra! Muitas vezes você verá inúmeros inimigos e simplesmente não será factível matar todos. Então é uma opção correr pelo cenário, tanto para se esconder como para fugir da briga. Durante essa correria é possível quebrar janelas e criar novos caminhos como passar por frestas e ganhar tempo.

Lindo demais

Gráficos melhores que a realidade e uma excelente dublagem

Quando se fala em um jogo exclusivo, algo que muitos já esperam é um gráfico fenomenal. No caso do PS4 e especificamente em um jogo da Naughty Dog, como é o caso de The Last of Us 2, isso é uma certeza. E logicamente eles não decepcionaram.

É simplesmente incrível como as desenvolvedoras conseguem puxar qualidade no final de geração e entregar verdadeiras obras de arte. Todos os cenários são muito bem feitos, a iluminação é sublime e o jogo é muito estável em seus frames. A parte visual também se destaca nas finalizações onde produz cenas viscerais e mortes magistrais.

A Seattle apresentada é tomada pela vegetação e somos apresentados a inúmeros ambientes como florestas, parques, cidades, prédios devastados pelo tempo e guerra e muito mais. Tudo é feito com o devido capricho e uma iluminação de cair o queixo. Inclusive esse jogo, assim como Control que tem uma iluminação fantástica, me faz questionar como será um mundo com RTX. Até onde ela pode ser melhorada!

Um outro elogio para a parte técnica fica com a trilha sonora. Ela leva muito bem o jogo e seus diversos momentos deixando sempre um clima extremamente tenso. Poucas vezes relaxei durante o jogo.

Por fim, aplaudo a excelente dublagem em inglês do jogo. A dublagem em português também é muito bem feita.

Mergulhar agora é uma novidade

Novas mecânicas e um jogo mais difícil

The Last of Us 2 pega todas as mecânicas apresentadas no primeiro jogo e retornam com elas agora devidamente melhoradas. Como uma explicação básica, ele se comporta como um jogo em terceira pessoa onde é possível atirar, correr, pegar o inimigo furtivamente, jogar molotov e plantar armadilhas. Mas vamos as novidades.

Agora é possível, além de matar furtivamente, pegar um inimigo como refém. Isso fará com que possa utilizá-lo de escudo temporário enquanto mata outros inimigos que não querem ver seu inimigo morto. Outra novidade é a inclusão de cachorros que irão mudar completamente seu senso de urgência e você terá que ficar atento caso eles te farejem.

Acima nessa análise eu falei da importância da exploração, pois ela irá te liberar diversos momentos únicos e desenvolverá os personagens. Porém, essa exploração irá te beneficiar diretamente com mais recursos para melhorar suas armas ou para melhorar suas habilidades.

Em The Last of Us 2 será possível evoluir cada arma de três a quatro vezes melhorando a estabilidade, aumentando poder de fogo, incluindo uma mira melhor e mais. Através dessa exploração será possível achar manuais que irão liberar novas habilidades. Através de pílulas de suplemento, será possível liberar inúmeras melhorias como kits médicos mais resistentes, fabricar bombas de fumaça, fabricar armadilhas, melhorar sua percepção dos inimigos e mais.

Ou seja, a exploração também se faz necessária para desenvolver seu personagem. Porém, com tantas melhorias e novas opções, o inimigo se tornou mais feroz. Assim como mencionei que a IA melhorou substancialmente, os personagens também estão mais agressivos e trabalhando melhor em conjunto. Isso irá promover inúmeras mortes magistrais. O interessante é que uma única decisão diferente no inicio de uma abordagem pode fazer uma grande diferença no final.

muito a se pensar

The Last of Us 2 e tópicos inclusivos

Além de trazer essa experiência completa com diálogos profundos e muitas consequências pesadas para os personagens, a Naughty Dog incluiu muitas discussões que estão em alta já faz um tempo no mundo.

Quem se esquece da última E3 em que a Sony participou e que apresentou a épica cena onde Ellie beijou Dina mostrando que ela não seria hétero, além de ser a protagonista desse jogo de peso? Isso causou muita polêmica no mundo real e é retratado no jogo.

Não somente a orientação sexual é abordada no jogo (incluindo o preconceito de outras pessoas) como diversos outros tópicos como traição, uso de drogas, identidade de gênero, família e religião. Sim, esses são temas delicados para serem discutidos e que a Naughty Dog incluiu com sucesso em The Last of Us 2.

vamos explorar o mundo

Conclusão

The Last of Us 2 é uma experiência épica e poética. Aqui temos uma jornada fenomenal que irá muitas vezes lhe dar “um soco no estômago” com inúmeros acontecimentos. A Naughty Dog conseguiu se superar com essa nova aventura e além de evoluir tudo o que vimos no primeiro jogo nos traz inúmeras discussões e mostra como todas nossas ações traz um tipo de consequência.

Esse é o tipo de jogo que chega forte para ser o melhor de toda uma geração e que lhe fará chorar quando os créditos estiverem subindo devido a um turbilhão de sentimentos.

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Essa análise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

The Last of Us Part II é uma obra de arte

Visual, ambientação e gráficos - 10
Jogabilidade - 10
Diversão - 10
Áudio e trilha-sonora - 10
História, personagens e atuação - 10

10

Perfeito!

The Last of Us Part II é muito mais do que eu poderia imaginar. Tendo uma pegada diferente de seu antecessor, ele foca no relacionamentos de inúmeros personagens e sua vontade de viver neste mundo. Para toda ação existe uma consequência onde os resultados podem ser catastróficos. Aliado a uma história fantástica com atuações impecáveis, temos um dos jogos mais bonitos já feitos até hoje juntamente com um gameplay rico que entrega diversas possibilidades.

User Rating: 5 ( 1 votes)

Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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