Análise: Fairy Tail – Viver um RPG de turnos na época da pancadaria

Essa análise está em chamas!!!

Fairy Tail é um mangá e anime que tem como criador Hiiro Mashima (um viciado em Monster Hunter). Há alguns anos atrás, era um material de grande sucesso entre os fãs de animações japonesas por conta de suas batalhas dinâmicas e personagens detentores de grande carisma. Esse não é o primeiro jogo de Fairy Tail, já que o PSP recebeu três deles, onde o último foi lançado em 2012. Após longos 8 anos, temos agora esse novo título feito pela Gust e publicado pela Koei Tecmo, em promessa de ser um grande RPG de turnos.

Grandes sagas de Fairy Tail sendo adaptadas

A história de Fairy Tail inicia com Lucy Heartfilia em busca de entrada para a famosa guild Fairy Tail. Em meio desta jornada, ela conhece Natsu Dragneel que é um Dragon Slayer e membro da guild. Após uma aventura, ele leva Lucy consigo para que ela possa realizar seu sonho.

PORÉM, a história do jogo se passa muito depois disso. O seu tutorial/introdução é com o final da saga da Ilha de Tenrou, onde enfrentamos o mestre Hades e temos que lidar com o ataque surpresa do dragão Acnologia. Após isso, os personagens ficam presos nesta ilha por 7 anos num tipo de hibernação e quando retornam se deparam com uma Fairy Tail falida e em última colocação no ranking de guilds.

Em busca de retornar os dias de glória de seu lar, os membros da Fairy Tail começam a realizar missões e posteriormente entrar no evento Grandes Jogos Mágicos em busca de elevar a moral.

Fairy Tail

A narrativa do game é bem tranquila e quase completamente fiel ao anime, porém, há mudanças uma vez que alguns cortes de personagens aconteceram. Valendo citar que o trio que acompanha Laxus não está presente e alguns membros de outras guilds também ficaram de fora.

Quem não acompanhou o mangá/anime, não notará a ausência. Porém, fãs realmente sentirão que tem uma lacuna aqui ou ali. Inclusive, falando em lacuna, o jogo é quase totalmente dublado (vozes japonesas), apenas alguns personagens secundários não tem voz e isso causa um estranhamento, pois de um lado alguém fala e sai voz e do outro… apenas texto.

Em compensação, a história aborda duas grandes sagas: Jogos Mágicos e Tártaros. E com isso, um enorme ponto positivo é que a evolução dos personagens sendo liberadas de acordo com a narrativa, lembrando bastante os jogos de RPG’s baseados em anime que saiam pra DS, PSP e afins.

Jogo de turnos e bastante dinâmico

Nos dias de hoje é costumeiro jogos de anime ter uma jogabilidade mais parecida com os Naruto Storm ou algo mais voltado para Musou. A Koei Tecmo ter deixado Fairy Tail nas mãos da Gust foi um diferencial significativo, pois o estúdio já tem uma experiência abundante com JRPGs de turno e adaptar um anime com poderes tão elevados e explosivos não deve ter sido uma tarefa fácil. Todavia, podemos ver que ela foi capaz disso.

Nas batalhas temos as seguintes opções:

  • Ataque – um golpe que não utiliza MP e é bastante fraco.
  • Defesa – Ameniza consideravelmente o dano.
  • Item – O nome já diz tudo.
  • Magia – O pronto principal, aqui podemos utilizar magias ofensivas ou de suporte. Cada personagem tem uma gama enorme de magias.

Fairy Tail

O ponto principal de Fairy Tail é a utilização de magia dos personagens, pois cada uma possuí poder elemental que ganha ou perde pra outro, bonificação, possibilidade de counter, debuff no inimigo e etc.

Fora isso, ainda temos as Awakenings que são uma elevação no dano e defesa dos personagens por alguns turnos juntamente de uma recuperação de HP/MP. Na maioria dos magos, o awakening é bastante genérico onde faz apenas uma aura branca ficar em volta deles. A maior diferenciação se encontra nos Dragon Slayers, pois eles ficam no modo dragon force (Natsu possuindo alternativa para o modo Dragão de fogo elétrico e Gajeel pro modo dragão de ferro das sombras) e alguns outros (poucos) personagens.

Para quem conhece a história sabe que os awakenings poderiam ter recebido um melhor trabalho visual.

Enfim, fora isso, há alguns quick time events no meio das batalhas:

  • Counter – Quando você está com status de counter, ao apertar um botão antes da animação do inimigo acabar, o dano que levará ser reduzido e aplicará um golpe em resposta.
  • Awakening – Você pode despertar em meio de uma ação do oponente, fazendo com que roube o turno dele e não leve dano.
  • Ataque em dupla – Após utilizar uma magia, algum dos seus aliados pode dar sequência e atacar os mesmos inimigos. Se apertar a tempo um dos botões mostrados na tela, terá essa oportunidade.
  • Ataque em sequência – Quando carrega o símbolo da Fairy Tail, você pode executar uma sequência de ataques para obliterar o teu inimigo. Dependendo da sequência consegue utilizar unison raid (magia em dupla) ou Extreme Magic (o gigantismo do Mavarok ou o Fairy Law da Cana).

Um sistema bastante peculiar é onde as batalhas influenciam no cenário, uma vez que você enfrenta um inimigo e causa um tanto exato ou superior de dano, causará a liberação de um caminho que outrora estava bloqueado. Isso amplia o mapa, consequentemente revelando um baú secreto ou algo do gênero.

Outro ponto bacana a ser citado é que os inimigos ocupam áreas como se fosse um tabuleiro e as magias atingem um número de áreas, então é possível usar uma magia que atinja só um inimigo, mas também outra que alveje 4 ou mais de uma única vez. A disposição de alvos é bastante variada e por isso há magias que atingem diferentes áreas, possibilitando que você sempre consiga causar dano num número amplo de inimigos.

Fairy Tail é simples, porém, um bom RPG

Fairy Tail não foi um projeto ganancioso. Seus gráficos e animações são bem simples, algumas vezes o rosto do Makarov parece um balde pintado. Contudo, os cenários apesar de serem simples foram bem feitos, o jogo em si está realmente bem feito. Não houve bugs e afins durante 30 horas de gameplay (base média de jogo se você focar mais na história do que nas quests).

E o que teve de simples nos gráficos, ganhou em sua excelente OST, pois as músicas são uma versão remix das mais clássicas do anime conseguindo incorporar bem o clima que a série possui. Inclusive, tem adição de outras que fazem a diferença, principalmente nas batalhas finais de cada arco.

Se a Gust queria desenvolver um jogo que não fosse ambicioso, mas satisfatório… Ela realmente conseguiu. Porém, devo citar que há ressalvas.

Primeiramente, alguns personagens presentes na história não estão jogáveis por mais que seus modelos estejam ali. O primeiro caso é de Elfman que nem na história ele possuiu jogabilidade, uma vez que sabemos bem a importância dele nos jogos mágicos.

Outro caso, é o Lyon que pudermos jogar com ele em determinados momentos da história, porém, não é um personagem recrutável.

Ambos já foram anunciados como personagens DLC, uma vez que eles deveriam estar no jogo base. Levy e Lisanna também foram anunciadas, mas sejamos sinceros… Quem gosta da Lisanna?

E, por último, e não menos importante, as missões são bastante repetitivas por conta dos inimigos que quase sempre são os mesmos. Numa missão mandam derrotar X monstros de um tipo e na seguinte já é derrotar Y monstros daquele mesmo tipo. Infelizmente o jogo não permite pegar duas missões ao mesmo, fazendo com que você faça uma e depois outra.

Tem bastante horas de pós-game

Com várias missões, você poderá buscar colocar a guild na primeira colocação, fazer “missões” para evoluir os estabelecimentos dentro dela, recrutar personagens para serem jogáveis, enfrentar outros e, claro, ver interações inéditas. Além disso, após as duas sagas há um epilogo referente ao último arco de Fairy Tail que deixa um gostinho de quero mais.

Fairy Tail

Essa análise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Fairy Tail é o RPG perfeito para um final de semana

Visual, ambientação e gráficos - 7
Jogabilidade - 10
Diversão - 8
Áudio e trilha-sonora - 7
Narrativa - 7

7.8

Bom

Com um tempo de duração razoável e satisfatório, Fairy Tail é o jogo exato para agradar fãs de RPG. Aqui você encontrará diversão e desafio, sem ter que preocupar com sistemas complexos ou coisas do tipo. Há suas falhas, porém, está no caminho certo.

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Anderson Mussulino

Publicitário louco por toda a cultura geek. Redator do Última Ficha e apaixonado por jogos que vem da terra do sol nascente.
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