Fichário: Epic Games vs Apple – Como a treta/batalha pode mudar a indústria dos jogos

Epic Games vs Apple: Uma batalha de proporções nunca antes vista

Provavelmente vocês tão sabendo da batalha entre a Epic Games e a Apple, que ficou mais acirrada na semana passada. Pra quem não sabe, Fortnite foi retirado da App Store e não pode mais ser jogado em celulares da Apple. Isso iniciou uma batalha enorme entre fãs de Fortnite e fãs da Apple. Contudo, essa discussão vai muito além simplesmente de remover um jogo da sua loja de aplicativos. Muita gente tem falado que a Apple simplesmente começou uma guerra com a indústria dos jogos, e a gente vai explicar porquê.

A Apple sempre teve um relacionamento complicado com a indústria de videogames. Todo mundo que sabe que o sistema operacional da Maçã para computadores não é lá o mais indicado se você é um gamer aficionado. A lista de jogos compatíveis com Windows é infinitamente maior do que com Mac e a fatia de mercado abocanhada pela Apple no quesito computadores é pequena se compararmos com a Microsoft, então essa discussão é negligenciável.

A gigante dos celulares

Agora, quando falamos de celulares, é indiscutível a presença massiva que a Apple tem, atingindo somente 25% do mercado global contando todos os países em que a empresa tem presença, mas 50% nos Estados Unidos. É uma fatia extremamente grande e impressionante, considerando que a empresa vende celulares conhecidamente mais caros que a média. A sua política de controle sobre o seu sistema iOS e a App Store faz com que todas essas pessoas que possuem celulares da empresa tenham que se ater ao que é aprovado ou não pela Apple. Diferentemente dos sistemas Android, não há como você instalar algo que a Apple não queira no seu celular, pelo menos oficialmente.

E aí chegamos à briga que começou com a Microsoft e agora respingou também na Epic Games. A Apple simplesmente afirmou que não vai permitir que a Microsoft lance seu serviço de jogos em nuvem, o xCloud, na App Store. Ou seja, a Apple está proibindo que mais de 50% dos donos de celular dos Estados Unidos, 30% da Europa e 25% do mundo não possa usufruir desse serviço da sua rival histórica Microsoft. Isso levantou alertas, críticas e agora processos judiciais gigantes feitos por empresas de grande porte. Os motivos apontados pela Maçã para tomar essa decisão são totalmente questionáveis. Antes da gente explicar, vamos falar sobre a segunda etapa dessa batalha, que foi Epic Games vs Apple.

Explicando a batalha/treta entre a Epic Games e a Apple

Na semana passada, a Epic Games resolveu atualizar Fortnite na App Store, fazendo com que as pessoas pudessem comprar itens do jogo diretamente pelo aplicativo, burlando a intermediação da Apple pela App Store. Isso fez com que a empresa da Maçã removesse o jogo da sua loja online na velocidade da luz, já que claramente os termos da empresa para que o software pudesse ser distribuído na loja foram quebrados.

Pra deixar claro, a Epic Games fez a mesma coisa na Play Store da Google. Entretanto, a forma como a dona do Fortnite tratou essa treta deixa claro que seu movimento foi feito de propósito para atacar a Apple e deixá-la na posição de inimiga dos gamers. Afinal, atualmente é impossível de se jogar Fortnite no iOS, e o mesmo não acontece no Android. Pode-se, nesse caso, baixar o jogo diretamente da Epic oficialmente, mesmo que fora da Play Store.

Fica muito evidente que a Epic já vinha planejando esse movimento há um tempo. Assim que Fortnite foi removido da loja da Apple, uma campanha massiva/batalha foi lançada pela Epic Games alegando que a Apple é uma gigante monopolista que quer controlar os seus usuários da mesma forma como o Grande Irmão em 1984. A campanha publicitária mostra personagens de Fortnite correndo em um auditório cheio de zumbis corporativos celebrando enquanto a Apple explora a classe trabalhadora.

Epic Games vs Apple: Vai um processinho?

Essa campanha já veio acompanhada em um processinho antitruste de 62 páginas criado pela Epic. Isso configura uma das maiores batalhas judiciais entre empresas de jogos da história. Afinal, para quem não sabe, em 2020 a Apple atingiu valores de mercado astronômicos, sendo avaliada em quase 2 trilhões de dólares. Isso é muito próximo do PIB inteiro do Brasil em um ano. É um malote absurdo de dinheiro que a Apple vai investir para rebater esse processo da Epic Games, mas aparentemente a situação vai complicar mesmo pra empresa da maçã. A própria comissão antitruste da Europa resolveu abrir uma investigação contra a Apple em Junho após um processo movido pela Spotify. Grandes empresas estão se juntando para modificar o modelo de negócio promovido pela Apple na sua loja de aplicativos.

A grande questão é a seguinte. Os celulares são a maior plataforma de jogos do mundo, queiram ou não. Todo mundo tem um celular e é possível de se jogar um infinidade de jogos neles. Todavia, não são muitas as empresas donas dos sistemas operacionais e das lojas onde se pode comprar ou baixar esse jogos. O boom da ascensão dos smartphones e seus jogos foi presidido pela Apple e pelo Google, sendo que o iOS foi o único sistema que realmente foi restrito à mão de ferro pela sua empresa mãe, fazendo com que somente os aplicativos aprovados pudessem ser baixados. Todo mundo sabe que dá pra baixar qualquer coisa fora da Play Store no Android, então vamos focar na Apple aqui.

É justo?

Aí a gente para pra pensar. Só dá para baixar aplicativos e jogos aprovados pela Apple, sendo que em todas as transações que passam pela App Store, todo mundo tem que pagar 30%. Parece um tanto quanto explorador. Daí vamos ao principal ponto da questão, voltando ao problema dos jogos via cloud proibidos pela empresa, como o xCloud e o Google Stadia.

A empresa alega sempre que faz uma curadoria de tudo que é utilizado nos seus celulares para manter o padrão de qualidade. Dessa forma, não poderia permitir os serviços em cloud de jogos, já que não tem como garantir a qualidade do que entraria por essas plataformas. A questão é que o mesmo acontece com serviços como Netflix ou Spotify e isso nunca foi um problema. Essa alegação faz ainda menos sentido se a gente parar pra pensar que o xCloud vai ter 100 jogos e o Netflix e a Spotify possuem conteúdo aos milhões. Desculpa esfarrapada.

Epic Games vs Apple: Então qual é o problema?

O principal problema, então, é que a Apple não quer abrir mão nem a pau dos 30% que ela ganha em cada transação que acontece na App Store. Jogos para celulares são extremamente lucrativos, sendo a principal fonte de renda de qualquer loja online de aplicativos. A Apple sabe disso e, não à toa, criou ou seu próprio serviço por assinatura Apple Arcade. O problema para a Apple é que serviços de jogos em nuvem não exigem que você compre ou instale um jogo em específico via App Store.

Dessa forma, a empresa perderia os 30% de comissão. Obviamente, eles não querem que isso aconteça, e estão fazendo de tudo para que esses serviços não entrem na sua plataforma. Afinal, quem compraria jogos via App Store, se você pode simplesmente pegar o celular, abrir um Stadia ou xCloud da vida e jogar o jogo na hora? A torneira de dinheiro se fecharia para a Apple e abriria para as donas desses serviços.

Batendo de frente: Epic Games vs Apple

A Epic, sabendo disso, resolveu tomar uma iniciativa que poucas empresas tomam e bater de frente com a Apple. A atualização para permitir compras dentro do jogo sem intermediação da Apple foi a cartada de marketing para fazer com que a empresa fosse a vilã. Tim Sweeney, o CEO da Epic, já afirmou por diversas vezes que discorda completamente do modelo de negócios que a Apple promove na App Store. Foi ele quem arquitetou toda essa empreitada para enfrentar a empresa. Fortnite tem uma força e influência enormes e pode ser que a gente esteja vendo um movimento que pode mudar o futuro dos jogos em plataformas mobile.

Os serviços de jogos em nuvem são uma ameaça latente à hegemonia da Apple nos celulares, e a Maçã está muito preocupada. Enquanto isso, as concorrentes da Apple vão se articulando para surgirem como as grandes plataformas do futuro dos jogos em cloud. Um exemplo dessa parceria é a Microsoft com a Samsung, que fecharam um acordo para trazer o xCloud para aparelhos da empresa coreana. Resta a gente esperar a decisão dos tribunais para saber o que vai ser do futuro.

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Bom, galera, por hoje foi só. Espero que vocês tenham gostado do episódio de hoje de Fichário explicando a batalha que está se desenhando entra a Apple, a Epic Games e a indústria dos jogos. Enquanto a gente não sabe o que vai vir, aproveitem para deixar aqui embaixo seus comentários sobre o que vocês acham sobre essa batalha. E aqui, aproveite para clicar no like, se inscrever no canal, ativar o sino, compartilhar o vídeo, e nos acompanhar no Discord pra saber tudo que tá rolando no mundo dos jogos.

Bernardo Cortez

Formado em Relações Internacionais, Bernardo aproveitou o dom de escrever para algo útil. Músico, viajante, cronista e amante de qualquer coisa que seja relacionada a jogos, seu sonho é ser jornalista na área. Tem um carinho especial por jogos que tragam o melhor de todas as formas de arte que os englobam.
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