Fichário: Análise | The Eternal Castle Remastered – A história do jogo que nunca existiu

Fizemos uma análise/review de The Eternal Castle Remastered, o clássico que nunca existiu

Assim que me foi passada a tarefa de fazer uma análise de The Eternal Castle Remastered, eu fiquei muito animado. Primeiro porque eu sou muito fã de obras com temas cyberpunk. Segundo porque o visual do jogo me atraiu assim que vi as primeiras imagens. Agora, o que tinha me deixado mais intrigado era a história por trás do jogo. The Eternal Castle Remastered seria a releitura de um jogo de 1987 nunca lançado. Supostamente. o título seria uma pérola da década de 80. Nós vamos falar mais sobre o contexto do jogo em breve, mas vamos para do que se fato de trata o título.

Introdução ao enredo

Assim que a gente inicia The Eternal Castle Remastered, somos transportados para a década de 80. O visual pixelado e feito por meio da técnica de rotoscopia. Essa foi a mesma usada em jogos como Prince of Persia, que traziam animações incríveis para a época. Aqui, nós temos a possibilidade de escolher entre Adão ou Eva para iniciarmos o jogo e nos aventurarmos no mundo intrigante de The Eternal Castle Remastered.

O enredo do jogo é explicado assim que iniciamos e é claramente inspirado em Blade Runner, um dos clássicos cyberpunk da década de 80 dirigido por Ridley Scott e estrelado por Harrison Ford. Em um futuro distante, a humanidade consegue colonizar outros planetas pelo universo, criando um ecossistema sustentável que mantém em harmonia todas as suas necessidades. Bom, pelo menos no começo. Seres chamados “Unidades de Colonização” foram enviados para outras galáxias para realizar o trabalho de colonizar outros planetas e expandir a rede autossuficiente dos seres humanos.

Uma Terra destruída

Quando todos os recursos desses planetas são extintos, as unidades são mandadas de volta para a Terra para buscar materiais e itens que possibilitariam a continuação da exploração espacial. Entretanto, uma dessas unidades, ao invés de retornar ao seu trabalho pelo universo após esse breve retorno ao planeta, perde contato ao chegar à Terra. Como de praxe em obras cyberpunk, governo e corporações são praticamente a mesma coisa. Os recursos naturais foram explorados, guerras e revoltas acontecem por todos os lugares utilizando armamentos de última geração, e o sistema de monitoramento dos cidadãos vasculha cada canto do mundo. Resumindo, a Terra é assolada por conflitos, morte, terrorismo e desigualdade.

O protagonista, então, resolve se aventurar pelo caos no qual a Terra se encontra para buscar por essa unidade, que há muito tempo não entra em contato. Na pele desse protagonista, devemos passar por hordas de soldados, pântanos ácidos e covas a céu aberto. Além disso, temos cidades destruídas e todo o pacote clássico de filmes e jogos cyberpunk. O cenário aqui é mais apocalíptico do que o normal. Há uma sociedade estabelecida de fato pelo mundo, e as poucas pessoas que encontramos pelo jogo parecem apenas buscar a sobrevivência fugindo dos soldados e formar coalizões de rebeldes que tentam enfrentar o governo.

Conta-gotas de história

A história do jogo se torna bastante misteriosa e, às vezes, até confusa. Isso se dá pelo fato de que o contexto por trás do jogo nos é dado por frases que vamos encontrando ao longo do cenário. Não há personagens que digam mais do que uma simples sentença, restando apenas a diários espalhados pelo mapa a tarefa de explicar o que está acontecendo de forma um pouco mais profunda.

Não foram raras as situações em que simplesmente parei para pensar no que estava acontecendo e tentar entender em que parte certa cena ou área do mapa se encaixava no enredo do jogo. À medida que vamos avançando nas curtas 2:45h de gameplay, vamos compreendendo um pouco mais da trama existencial e filosófica de The Eternal Castle Remastered. Entretanto, não vou me aprofundar porque não quero estragar para vocês. Só digo que quando terminamos o jogo, queremos reiniciar para compreender melhor certas cenas.

The Eternal Castle Remastered possui quatro mundos diferentes que precisam ser completados para finalizarmos o jogo. Em cada um deles, enfrentaremos chefões e diferentes tipos de inimigos, que vão de mutantes criados pelas águas tóxicas do planeta à soldados e robôs comandados pelo governo. À medida que vamos avançando, novas armas e itens vão sendo desbloqueados, às vezes em lugares muito escondidos, e vamos melhorando nosso personagem. Essa tarefa de buscar por itens e melhorias é essencial para avançar no jogo de forma mais rápida, visto que certos chefões se tornam bem difíceis sem algumas habilidades.

E o gameplay?

Agora, o gameplay em si foi deixado um tanto de lado para que um foco maior fosse dado à cinemática do jogo. As animações extremamente fluidas e bonitas foram claramente a maior preocupação da equipe de desenvolvimento do jogo. Isso pode ser sentido e percebido ao longo do gameplay. A sensação que temos ao longo de todas as fases é que estamos controlando um personagem numa pista de patinação no gelo, tendo que calcular o input lag dos pulos e movimentos. Além disso, o combate não é muito complexo, se resumindo a apertar botões e esperar pelo melhor no meio da pancadaria. Para um jogo com sequências absurdas de porradaria e tiroteio intensos, eu realmente achei que a precisão dos comandos seria melhor.

Se esta fosse uma análise normal, eu partiria para a crítica do visual do jogo, mas como não é, antes disso, vamos ao ponto mais interessante de The Eternal Castle Remastered. Eu geralmente não pesquiso muito sobre um jogo antes de fazer uma análise porque eu gosto de ser surpreendido pela trama. A surpresa pode ser tanto positiva quanto negativa, no caso. Em The Eternal Castle Remastered, eu resolvi dar uma olhada na sinopse do jogo, pelo fato de que ele é um tanto quanto diferente da média, e vi que ele supostamente seria um Remaster de um jogo de 1987. Isso segundo as palavras dos desenvolvedores.

A verdade por trás de The Eternal Castle Remastered

OK, fui jogando e em diversos momentos encontrei referências que me deixaram extremamente encucado. Fazendo uma análise de The Eternal Castle Remastered, o jogo é um mundo de referências à diversos jogos e obras. Limbo, Blade Runner, Oldboy, Castlevania, Prince of Persia, e Super Meat Boy são só alguns exemplos. Eu ia passando pelos cenários e ia pensando: “Meu Deus, como que eu não sabia da existência desse jogo? São tantas as obras que beberam dessa fonte aqui. Tá tudo tão claro!” Na minha cabeça, eu estava descobrindo o melhor jogo da década de 80, com mecânicas, puzzles e elementos de gameplay que seriam utilizados em diversos jogos nas décadas seguintes. Esse de fato me parecia o jogo perfeito de 1987. E é aí que o enredo de The Eternal Castle Remastered se mistura com a história por trás da criação do jogo.

No jogo, somos informados por diversas vezes que possivelmente estaríamos em um sonho, e que tudo aquilo que você está jogando pode não existir de fato. Esse é um questionamento parecido com o que jogos como Limbo e Inside fazem. O próprio jogador se torna um personagem dentro da obra e o próprio jogo quebra a quarta parede denunciando que o protagonista é controlado por uma pessoa no mundo real. Em The Eternal Castle Remastered, na verdade, percebemos que tudo se trata de uma grande farsa quando pesquisamos pela real história por trás do jogo.

Explicando o contexto

Segundo Leonard Menchiari, diretor de The Eternal Castle Remastered, o jogo original se trataria de uma obra de 1987 que ele jogava quando era criança. Na época, o jogo parecia perfeito, trazendo elementos de gameplay e animação absurdos nunca antes vistos. Ainda, o enredo se encaixaria incrivelmente no seu gênero favorito, no caso, o Cyberpunk. Em um belo dia, o computador onde esse jogo se encontrava quebrou. Apesar de seus pais tentarem muito o consertar, o título não rodava mais na máquina.

Bom, isso aconteceu somente até que Leonard crescesse e aprendesse a fazê-lo funcionar novamente. Após toda essa trama, The Eternal Castle teria sido finalmente consertado e remasterizado para os tempos atuais, trazendo de volta do passado uma grande obra. Só que a verdade é que essa história foi completamente fabricada e The Eternal Castle nunca existiu. E é aí que a trama do jogo e a história por trás se entrelaçam.

Como afirmado acima, em The Eternal Castle Remastered, somos apontados sempre para o fato de que estamos jogando um sonho, ou pelo menos estamos em um sonho. Não se sabe de quem seria esse sonho, ou sobre o que ele se trataria. A grande verdade foi revelada quando fui pesquisar um pouco mais por trás do jogo. Segundo o diretor, o jogo foi criado para ser o mais próximo possível do jogo perfeito, ou sonho, que eles gostariam de ter jogado quando eram crianças. Ou seja, The Eternal Castle realmente nunca existiu, sendo de fato um sonho. O título é o sonho de criança dos criadores.

Tudo se encaixa

A partir disso, tudo passou a fazer sentido na minha cabeça. Tanto a trama, quanto as referências a outras obras são muito claras. Para exemplificar algumas: Um dos chefões do jogo nos ataca exatamente da mesma forma como um chefão de Super Meat Boy, batendo as mãos e a cabeça para te acertar. Há uma clara referência à cena do corredor de Oldboy, em que o protagonista enfrenta diversos adversários com um martelo. Há também muita inspiração em Limbo, com o personagem se confundindo com o cenário em diversos momentos. Fora que não somente as referências à Blade Runner acontecem a todo momento, mas também efeitos sonoros muito claros do filme são utilizados em várias sequências do jogo.

The Eternal Castle Remastered é um remaster de um jogo que jamais existiu. Toda a farsa por trás da sua história e criação fazem do título uma obra muito mais interessante. Seu gameplay pode ser um tanto quanto impreciso, mas as sequências cinemáticas, a direção de arte primorosa, a ambientação, e a trilha-sonora de primeira qualidade fazem do jogo uma obra à parte. Para finalizar a análise, como um jogo, The Eternal Castle Remastered deixa um pouco a desejar, com um gameplay truncado e irresponsivo. Agora, o jogo talvez seja um dos maiores espetáculos visuais dos últimos anos em termos de jogos indie. E claro, The Eternal Castle Remastered deve ser jogado por fãs de cyberpunk ou de jogos com tramas existenciais.

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Espero que vocês tenham gostado do episódio de hoje de Fichário, que trouxe essa análise e o contexto por trás desse jogo tão misterioso, que é The Eternal Castle Remastered. Aproveite para clicar no like na nossa vídeo análise, se inscrever no canal, ativar o sino, compartilhar o vídeo, e nos acompanhar no Discord pra saber tudo que tá rolando no mundo dos jogos. Um beijo e um abraço, galera!

The Eternal Castle Remastered

Visual, ambientação e gráficos - 10
Narrativa - 7.5
Jogabilidade - 6.5
Diversão - 8
Áudio e trilha-sonora - 10

8.4

Ótimo

The Eternal Castle Remastered traz um espetáculo visual para poucos no cenário indie, mas peca por um gameplay datado.

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Bernardo Cortez

Formado em Relações Internacionais, Bernardo aproveitou o dom de escrever para algo útil. Músico, viajante, cronista e amante de qualquer coisa que seja relacionada a jogos, seu sonho é ser jornalista na área. Tem um carinho especial por jogos que tragam o melhor de todas as formas de arte que os englobam.
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