Gamescom: Conferimos o misterioso e inovador The Signifier

Jogo captou nosso interesse

Durante a Gamescom 2020, tivemos a oportunidade de conversar com David Fenner, o diretor criativo de The Signifier, além de checar a demo do jogo.

Além de responder nossas perguntas, nós pudemos entender um pouco melhor do que se trata o jogo e sua proposta que está sendo produzido no Chile pela desenvolvedora Playmestudio e distribuído pela Raw Fury. O jogo será lançado no dia 15 de Outubro para PC e será lançado posteriormente para consoles (plataformas ainda não reveladas). David também nos confirmou que o jogo contará com legendas em espanhol e português.

Antes de mais nada, confira a breve descrição do jogo

A vice-presidente da maior companhia de tecnologia do planeta aparece morta sem pista alguma do que possa ter acontecido, criando um mistérios impossível de se compreender. Explore o surreal, desvende quebra-cabeças escondidos pelo universo e descubra a verdade por si só em um thriller psicológico como nenhum outro em THE SIGNIFIER. Encare uma investigação diferente de todas as outras. Utilizando a tecnologia experimental do Dreamwalker, mergulhe pelo universo do inconsciente em uma realidade de memórias objetivas e subjetivas. Explore as difíceis questões filosóficas que surgem quando a tecnologia e a humanidade interagem no nível mais profundo.

Nossas impressões de The Signifier

Ao iniciar a demo de The Signifier, fiquei impressionado com os gráficos. Tudo rico em detalhes com uma bela iluminação. No jogo você será o investigador e neurocientista Frederick Russell que tentará desvendar a morte de Johanna Kasr, a vice presidente da empresa GO-AT. Embora tenha sido dado como morta por suicídio devido a overdose de drogas, você é convocado para investigar a situação.

O jogo é focado em narrativa e investigação, logo não teremos presente nenhum tipo de combate, itens e nem o botão de pulo. Tudo deverá ser analisado calmamente e os puzzles serão resolvidos ou com novas informações ou com uma nova perspectiva.

No total você terá três estágios para jogar. O primeiro é o mundo real. Nele, será possível ver os dados do caso, conversar e interrogar as pessoas. Também será possível abrir o mapa e ir para novas localidades. Todas são bem feitas e bem detalhadas.

Mas por ser um jogo no estilo tech-noir, o mundo real é o menos interessante e através da tecnologia Dreamwalker, será possível entrar nas memórias e até sonhos da Johanna Kasr. E é ai onde o jogo fica interessante. Ao entrar em suas memórias, nós estamos no mundo objetivo, onde ele é reconstruído pela Inteligência Artificial chamada Evee e podemos ver a cena através do ponto de vista da Johanna. Além disso, é possível mergulhar ainda mais fundo para o mundo subjetivo onde os filtros são menos rigorosos, mas o mundo é menos estável. Em cada um desses três mundos é possível achar informações e pistas e teremos que juntar tudo para solucionar o mistério.

Juntando os três mundos de The Signifier

Vou dar um exemplo prático para ilustrar como funciona The Signifier. Antes de entrar no mundo objetivo, você pode visitar o apartamento de Johanna onde ela morreu. Lá você olhará o apartamento e duas coisas que verá será um relógio na parede da sala e o vidro quebrado no banheiro.

Ao entrar no mundo objetivo, nós vemos o relógio na sala, mas ele tem uma espécie de bug. Além disso, muitas informações que vimos no mundo real não estavam presentes. E o que temos que fazer? Entrar no mundo subjetivo.

Já nesse mundo mais distorcido, você não vê mais o relógio na sala. Entretanto, você encontrará um glitch que terá que analisar. Ao analisá-lo visualmente e através do som que faz (mexendo o tempo para frente e para trás), você ouvirá um tic-tac. Ou seja, esse glitch é referente ao relógio. Ao deduzirmos isso, podemos pedir para Evee reconstruir a cena. Também é possível pedir ajuda a Evee para dar uma forte dica de qual é a solução do puzzle.

A mesma coisa acontece ao encontrar um glitch no banheiro que serve para o espelho quebrado. Isso faz com que novos caminhos sejam liberados e que possa investigar mais a cena e descobrir mais pistas. Como, por exemplo, a presença de uma segunda pessoa na casa dela que até então não existia.

Essa é mecânica principal do jogo. Cada vez mais entrar no mundo subjetivo, procurando novas pistas e se aprofundando nas memórias de Johanna para solucionar o crime. O interessante é que em uma fase mais avançada, você poderá inclusive entrar em sonhos e verá um mundo altamente distorcido. A solução sempre será encontrada através da perspectiva e do avanço ou retorno do tempo. Isso sempre será usado de maneira única.

Conversamos com David Fenner sobre o jogo

Além da demo de The Signifier, nós falamos com David sobre suas inspirações e que coisas ele poderia dividir.

Ele começou dizendo que o projeto na realidade está há mais de 7 anos em desenvolvimento. No início o projeto era experimental e eles estavam testando o que poderia ser feito e como aplicar suas ideias. Mas o jogo está sendo feito “de verdade”, faz apenas alguns anos após terem conseguido o suporte da Raw Fury.

David também nos falou da proposta de imersões de mundo e na importância da perspectiva para a solução dos puzzles. Como inspiração para o jogo ele comentou que Silent Hill 2 foi uma grande inspiração ao ter dois mundos no mesmo lugar e como as experiências do personagem afetam seu mundo subjetivo. Além disso, ele citou que Braid foi outra inspiração, em especial a parte final e como o jogo utiliza a mecânica de voltar no tempo.

Além dos jogos, David nos contou que se inspirou em livros de Dostoievski, Andrei Tarkovsky e diversos livros de psicanálise. Todo esse material foi utilizado para criar o mundo de The Signifier e suas muitas camadas.

Para finalizar, nós perguntamos se existe algum tipo de combate ou utilização de itens. Ele contou que essa não é a proposta do jogo. Sua ideia é entregar um nível de tensão, em especial quando se afunda cada vez mais na memória subjetiva. Por estarmos falando de memórias, você não pode perder nem morrer, mas é possível ser expulso da simulação e ter que recomeçar essa parte.

Mais especificamente ele mencionou que quanto mais subjetivo o mundo, maior o perigo e tensão da escuridão das memórias. Toda essa subjetividade e escolhas, irá brindar o jogador com múltiplos finais.

Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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