Análise/Review: Super Meat Boy Forever é melhor que o primeiro jogo? PT-BR

Quando me foi passada a tarefa de fazer a análise/review de Super Meat Boy Forever, eu não poderia ter ficado mais animado. Como muitos de vocês sabem, eu sou um fãzaço do primeiro jogo, que foi lançado em 2010 e, desde então, zerei o jogo por diversas vezes. Já fiz muito conteúdo sobre ele e sempre aproveito para dizer que o jogo é um dos que mais me deixaram viciados na vida.

O primeiro jogo da série não foi considerado um dos mais importantes da história dos videogames de bobeira, né. O jogo era bastante simples, mas extremamente divertido e viciante. Junto com algumas pérolas independentes da época, o título ajudou a criar o boom de jogos indies da última década.

Desde então, diversos jogos independentes se inspiraram no sucesso de Super Meat Boy para criar suas próprias fórmulas, trazendo inovação e criatividade para o mercado de jogos, que dependia dos malotes de dinheiro das grandes desenvolvedoras e publishers. Após mais de uma década, para a minha alegria e dos diversos fãs, o jogo criado por Edmund McMillen e Tommy Refenes e desenvolvido pela Team Meat, ganhou uma sequência. Sem mais delongas, confira a nossa análise/review de Super Meat Boy Forever.

As primeiras impressões de Super Meat Boy Forever

A primeira impressão de quem abre Super Meat Boy Forever para jogar pela primeira vez é a de que estamos em território conhecido. O jogo começa com suas clássicas animações cartunescas recheadas de humor ácido e um rock bolado. Não temos mais a trilha sonora primorosa de Danny Baranowsky, mas as novas músicas criadas pelo compositor Ridiculon são bem boas. Aliás, o artista já é conhecido pelos fãs dos jogos do Edmund McMillen, tendo trabalhado em The Binding of Isaac: Rebirth e The End is Nigh.

Pois bem, Super Meat Boy Forever dá sequência à história do primeiro jogo. Os personagens clássicos Meat Boy e Bandage Girl têm seu filho Nugget raptado pelo Dr. Fetus, o vilão do primeiro jogo em forma de bebê maléfico. Basicamente, a motivação para Meat Boy se aventurar em meio a mundos hostis cheios de obstáculos é a mesma: salvar um ente querido das mãos do Dr. Fetus. No primeiro jogo foi a própria Bandage Girl, em Super Meat Boy Forever, é seu filho Nugget.

Um gameplay completamente diferente – Análise/Review – Super Meat Boy Forever

Assim que colocamos as mãos no controle e iniciamos o gameplay de Super Meat Boy Forever, percebemos que a galera da Team Meat quis proporcionar o mesmo nível de desafio do primeiro jogo, mas com uma proposta nova. Diferente do primeiro Super Meat Boy, que é basicamente um jogo de plataforma altamente frenético e punitivo, Super Meat Boy Forever é um auto-runner. O gênero ficou bastante popular em jogos de celular por conta da simplicidade do gameplay. Geralmente, deve-se apertar um ou dois botões no máximo para pular ou executar ações básicas.

Em Super Meat Boy Forever não é muito diferente. O personagem corre automaticamente sempre para a direita, e devemos apertar o botão de pular na hora certa para evitar inimigos e obstáculos, e o botão de ação para dar socos e usar especiais que vão sendo desbloqueados ao longo da história. Para quem jogou o primeiro jogo da série, essa mudança é um choque absurdo, já que o jogo muda completamente o seu foco, que envolvia certa exploração, liberdade e planejamento para conseguir os melhores tempos nas fases, para um jogo em que devemos simplesmente apertar botões na hora certa.

Fases procedurais

Confesso que a minha primeira impressão do jogo foi um tanto quanto estranha, já que eu não esperava uma mudança tão brusca no esquema de controles. Depois de um tempo, acabamos nos acostumando com as novas mecânicas. Entretanto, não espere nem de perto um jogo com a mesma proposta do Super Meat Boy original. Enquanto o primeiro jogo exigia habilidade extrema dos jogadores, que podiam criar de certa forma os seus próprios caminhos baseados nas suas habilidades, Super Meat Boy Forever nos coloca em um trajeto pré-definido, exigindo reflexos para pular ou executar ações no momento certo.

Aliás, vale pontuar que Super Meat Boy Forever tem todos os seus mapas gerados de forma procedural. Ou seja, não adianta mais procurar por macetes, dicas ou tutoriais de como passar por certos mundos no jogo, já que cada jogador terá uma experiência diferente. Claro, isso dá certo dinamismo ao jogo no sentido de que seu gameplay será sempre único, mas há também um grande problema nisso.

Os problemas da geração automática de fases

Um dos principais fatores de rejogabilidade do jogo original era que os jogadores simplesmente voltavam para as mesmas fases para melhorar seus tempos, tirando preciosos décimos de segundos dos desafios. Isso foi talvez o que mais me viciou no jogo, voltar para os mesmos mapas e tentar melhorar meu tempo. Agora, com a geração procedural dos níveis, talvez eu não volte tanto, já que não há mais aquela sensação comunal de jogar um mapa e tentar descobrir os melhores caminhos junto com outros jogadores no mundo.

Outro problema dessa nova forma de gerar os mapas é que por muitos momentos, nos deparamos com seções absurdamente difíceis do nada e partes muito mais fáceis de forma abrupta. Todos os níveis são gerados agora em blocos, sendo que há um checkpoint diferente do jogo para cada um desses blocos. Pelo fato de que as fases não mais são criadas pelos desenvolvedores, acabamos nos deparando com fases que parecem feitas de qualquer jeito, trazendo frustração, seja pelo nível absurdo de dificuldade, ou pelo excesso de facilidade.

Vale frisar que um dos principais problemas que essa geração procedural de mapas criou junto com a mecânica auto-runner é que não é possível passar de certos desafios sem morrer. Em muitos momentos, é necessário morrer para saber o caminho e os inimigos à frente. Isso é algo que jamais aconteceu no jogo original, visto que era possível estudar o caminho em frente para saber o melhor trajeto. Como a câmera acompanha cada bloco no qual estamos inseridos, é impossível saber o que vem à frente, e isso é um dos principais problemas de Super Meat Boy Forever.

Uma louvável tentativa de reinventar – Análise/Review – Super Meat Boy Forever

Agora, é louvável a tentativa da Team Meat de inovar com um jogo que foi transformativo na época do seu lançamento. O gameplay de Super Meat Boy em 2010 era único, mas fazer o mesmo sem trazer novidades 10 anos depois seria decepcionante. Pensando nisso, a equipe, além de focar nesse novo gameplay auto-runner, tirou da cartola diversos poderes que dão certo dinamismo ao jogo.

Alguns exemplos são um teletransporte fantasma, um poder de criar blocos, outro de diminuir a velocidade do tempo, e por aí vai. Todos esses geralmente seguem a temática de cada mundo. Em diversos momentos o jogo te coloca em certas situações que exigirão combos entre esses poderes. Resumindo, o jogo se tornará extremamente complexo.

Chefões e visuais de primeira

Não ache, todavia, que Super Meat Boy Forever não tem melhorias consideráveis com relação ao primeiro jogo. Certos elementos são uma evolução incrível do que foi feito no jogo original. Primeiramente, temos os chefões. Eu já gostava bastante de todos os chefões de cada mundo no jogo original, já que eles tinham o nível perfeito de desafio e diversão. Agora, os chefões criados para Super Meat Boy Forever estão ainda melhores. A Team Meat elevou o nível de criatividade, com chefes absolutamente inovadores e extremamente divertidos de serem enfrentados. Aqui eu vou fazer uma menção honrosa ao último chefe antes de zerarmos o jogo, que consiste de duas mãos gigantes que atacam o jogador no espaço sideral.

Outra grande melhoria são os visuais do jogo. Para quem se lembra, o título original tinha gráficos mais simples, principalmente pelo fato do jogo ser feito por poucas pessoas com um orçamento baixíssimo. Super Meat Boy Forever, contudo, mantém a pegada do jogo original, mas adicionando vida, cor, e animações no background que se encaixam bem em cada novo mundo que liberamos. Há uma excelente sinergia entre a história de cada capítulo e a ambientação de cada mundo. Ponto para a Team Meat.

Conclusão – Análise/Review – Super Meat Boy Forever

Para finalizar, Super Meat Boy Forever traz uma quantidade gigantesca de personagens desbloqueáveis de diversas formas. Simplesmente jogue o jogo, e tente coletar a maior quantidade de chupetas para liberar novos personagens. Além disso, as Warp Zones espalhadas aleatoriamente pelos mapas trazem mecânicas de gameplay que homenageiam jogos clássicos e permitem também o desbloqueio de novos personagens. A mensagem é simples: jogue, tente melhorar a sua performance e ganhe novos personagens como recompensa.

Resumindo, Super Meat Boy Forever traz melhorias em diversos pontos com relação ao jogo original, mas acaba pecando em certos elementos fundamentais que faziam o primeiro jogo ser tão primoroso. A incrementação dos gráficos e dos chefões é muito bem-vinda, mas a mudança do gameplay para um auto-runner certamente é um choque para veteranos de Super Meat Boy. Ainda assim, o jogo tem seu valor e diverte bastante, mesmo que não tanto quanto o primeiro. Caso você seja um marinheiro de primeira viagem, considere experimentar essa sequência de um dos maiores clássicos indies da história.

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Super Meat Boy Forever

Visual, ambientação e gráficos - 9
Jogabilidade - 7
Diversão - 7.5
Áudio e trilha-sonora - 7.5
Desempenho - 8

7.8

Bom

Super Meat Boy Forever tenta inovar, mas não consegue ser tão bom quanto seu predecessor.

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Bernardo Cortez

Formado em Relações Internacionais, Bernardo aproveitou o dom de escrever para algo útil. Músico, viajante, cronista e amante de qualquer coisa que seja relacionada a jogos, seu sonho é ser jornalista na área. Tem um carinho especial por jogos que tragam o melhor de todas as formas de arte que os englobam.
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