Análise: The Medium entrega uma intrigante história

Jogo te deixará ansioso, mas não passa o sentimento de next gen

The Medium é o mais novo jogo de terror da Bloober Team que produziu clássicos como Layers of Fear e The Observer. Será que com a experiência já obtida, eles conseguirão entregar uma experiência de terror revolucionária em The Medium? Confira agora em nossa análise.

Esta análise foi feita com uma cópia cedida pela produtora. The Medium será lançado dia 28 de Janeiro para Xbox Series (incluindo Game Pass) e PC via Steam. O jogo conta com legendas em PT-BR.

Conheça Marianne, a famosa The Medium

Vem cá, eu te conheço?

Em The Medium nós iremos controlar a médium Marianne e conheceremos sua história assim como de seus poderes.

Após um início que serve como tutorial, nós saberemos que Marianne é uma órfã e acabou de perder seu padrasto Jack. Aqui iremos explorar o ambiente e conheceremos um pouco mais da protagonista e de sua vida.

Após preparar Jack para o funeral, Marianne tem sua primeira experiência com o mundo espiritual onde ajuda Jack a fazer a travessia. A partir daí, ela acaba indo para um resort abandonado e irá descobrir absolutamente tudo sobre seus poderes e os mistérios que esse lugar aguarda.

A Bloober Team acertou em cheio com a história e a decisão de colocar poucos, mas interessantes personagens em uma história repleta de conexões e plot twists.

Com uma ótima dublagem, uma forte narrativa e uma trilha sonora fenomenal feita por Akira Yamaoka (compositor da trilha sonora de Silent Hill), a história é cativante do início ao fim durante suas 7 a 8 horas de gameplay.

Adeus pai

Uma excelente ambientação

Antes de mais nada, não confunda ambientação com gráficos e performance. Falarei desses dois últimos tópicos mais a frente. Aqui vou focar na ambientação que merece um destaque massivo.

Por mais que The Medium não seja o jogo mais bonito já feito, ele tem uma ambientação singular. Tanto no mundo real como no mundo espiritual, nós temos um mundo rico em detalhes que te deixa tenso a cada novo passo dado.

No mundo real, temos ambientes com muitos detalhes que representam muito bem um antigo resort abandonado como salas cheias de pó, uma medonha floresta ou uma piscina que virou uma cena de crime. Já no mundo espiritual, temos os mesmos cenários, mas de forma completamente deturpada. Tudo é distorcido e lembra muito as obras da franquia de filmes Alien.

À medida que você vai explorando os ambientes, será possível encontrar bilhetes e cartas que contam um pouco mais da história e do que aconteceu neste ambiente, assim como a história de pessoas que perderam sua vida durante o massacre. E mais uma vez destaco a ótima trilha sonora que eleva o sentimento de abandono deste ambiente.

Essa ambientação em The Medium é fenomenal

Realidade dupla subutilizada e uma otimização fraca

Embora eu tenha gostado muito de The Medium, onde me encantei com os personagens e a história, o maior ponto de marketing do jogo deixa muito a desejar.

Durante o jogo é possível jogar tanto no mundo real, no mundo espiritual e com as duas dimensões simultaneamente. Existe a parte interessante que mostra Marianne interagindo com algum espírito enquanto no mundo real nada acontece. Porém, tirando esta parte, esse modo é completamente desnecessário.

A narrativa certamente se beneficia da realidade dupla ao mesmo tempo, mas acaba sendo algo muito superficial. Tanto o gameplay como os puzzles propostos neste modo, são fracos demais. Sua razão se perde, pois em diversos momentos será possível jogar e solucionar puzzles somente no mundo real ou no mundo espiritual. Inclusive, ao focar somente em um único mundo, o jogo fica muito mais bonito, detalhado e tem uma performance melhor.

Eu joguei em meu PC que conta com uma RTX 2060, um I7 9750H e 16 de RAM. Simplesmente todas as vezes que essa realidade dupla simultânea era acionada a queda de frame era brusca. No geral eu consegui rodar nos tão desejados 60 fps (com algumas quedas para 50) considerando uma configuração alta. Vale pontuar que quando eu tentei utilizar o Ray Tracing, existiam pontos em que a performance caia para 5 fps tornando The Medium injogável.

De forma resumida, The Medium apresenta excelentes ambientações quando são feitas de formas separadas, mas juntar as duas ao mesmo tempo acaba sendo confuso e com mecânicas muito simplistas.

Esse puzzle lembra até um pouco os do Resident Evil, mas no muito fácil

The Medium tem um gameplay que não empolga

Como já mencionei, o grande destaque de The Medium vai para sua ambientação maravilhosa, sua excelente trilha sonora e uma lore muito rica. Isso entrega motivos o suficiente para jogá-lo até o final, porém, o gameplay não é nada demais.

O jogo tem uma proposta de ser linear e na maioria do tempo você irá andar reto sem se preocupar. Os puzzles, por mais que existam, são um tanto simples e eles ganham alguma complexidade apenas na hora final.

Aqui temos a famosa câmera fixa adaptada com uma leve movimentação nos ambientes em conjunto com uma movimentação “tanque”, onde seu personagem andará de forma pesada. Infelizmente faltou um pouco mais de polimento para dar mais suavidade nas animações dos personagens. O jogo de câmeras certamente funciona, mas faltou uma fluidez.

Em questão de poderes, Marianne basicamente poderá emitir um escudo no mundo espiritual ou então soltar uma descarga de luz. Ele tem uma limitação de duas ativações e tem que procurar lugares para carregar a energia. Existe também a possibilidade enquanto está com a realidade dupla simultânea ativada de poder explorar somente o mundo espiritual por um curto período de tempo. Curiosamente a solução para resolver um quebra cabeça durante seu modo inovador, é focar somente em uma das realidades deixando de ser duas realidades simultâneas. De resto, é possível correr e andar devagar.

Se escondendo do capiroto

No geral, tanto os puzzles simplificados como o gameplay lento e pesado não se destacam. Os momentos mais interessantes é quando aparece o inimigo principal que lhe perseguirá por alguns cômodos lembrando os clássicos Mr. X e Nemesis de Resident Evil 2 e 3 respectivamente. Inclusive existem alguns segmentos de perseguição onde a realidade fica se alternando que merece grande destaque.

Conclusão

No geral, a Bloober Team teve sucesso com The Medium onde acertou no que sabe fazer de melhor: entregar uma ótima história com uma ótima ambientação. Os personagens e a história do mundo são muito bem feitas e atiçam sua curiosidade até o final.

Infelizmente a mecânica de realidade dupla simultânea foi completamente subutilizada e acaba perdendo espaço para as interações por vez de tanto da realidade como do mundo espiritual. O gameplay é extremamente simplista e poderá não agradar muito, onde terá uma interação limitada com o mundo e tendo poucos momentos desafiadores.

E por fim, o jogo não se apresenta otimizado como deveria no PC. Isso deve melhorar no patch do seu lançamento.

Essa análise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

The Medium te intriga até o final

Visual, ambientação e gráficos - 8.5
Jogabilidade - 6
Diversão - 8
Áudio e trilha-sonora - 9
História e Personagens - 9

8.1

Ótimo

No final, The Medium é uma ótima experiência narrativa com ambientações sublimes. Ele irá te intrigar até o final, porém, não irá agradar aos jogadores que gostam de um gameplay mais complexo.

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Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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