Análise: Resident Evil Village entra para a história

Continua a história de Ethan Winters!

Todo jogo de Resident Evil é um marco para a geração de games, para o Última Ficha e para mim. Com esta análise de Resident Evil Village, não será diferente. O jogo vem, para muitos, como o oitavo da série principal e como o segundo da história de Ethan Winters, o protagonista de Resident Evil 7 que caiu de paraquedas nessa incrível série.

Esta análise de Resident Evil Village foi possível graças ao código cedido pela Capcom, a qual agradecemos a parceria e confiança.

Enredo e herança de jogos passados

Como visto nos trailers e demos, após os eventos de Resident Evil 7, Ethan presencia Chris atirando em Mia e agora precisa ir atrás de sua filha, Rose. Para isso, Ethan vai parar em uma misteriosa vila, onde tenta entender, não só o paradeiro do bebê, como também o que está acontecendo no local e que criaturas são essas que ali vivem.

Deixo aqui um convite/recomendação para você jogar Resident Evil 7 antes de Village. Sua experiência seguirá a história de Ethan, então não dê esse mole! Os jogos podem ser comprados em conjunto, mas vale lembrar que RE7 está Playstation Plus Collection e no Game Pass – não dê esse mole!

Durante o jogo, podemos ver que o enredo é similar ao do Resident Evil 7 (um civil indo atrás de sua família). Entretanto, vários elementos de outros jogos da franquia foram trazidos para Village. Não quero, nem vou dar spoilers, mas muitas mecânicas que vimos em jogos anteriores estão de volta nesse novo título.

Uma das maiores reclamações do público com Resident Evil 3 Remake foi o fato de o jogo ser bem linear e com quase nenhum puzzle. Isso com certeza foi ouvido pelos desenvolvedores, já que temos uma grande melhoria na parte do “vai-e-vem” do mapa, em que precisa-se de acessos diferentes para entrar em lugares que você viu até mesmo no início do jogo. Então, temos essa essência da franquia de volta em Resident Evil Village. Os puzzles estão presentes no jogo, mas ainda senti falta de algo realmente desafiador, no estilo Resident Evil 2.

Review da Jogabilidade de Resident Evil Village

O jogo é em primeira pessoa e possui mecânicas de movimentação e combate muito parecidas com Resident Evil 7. A grande diferença que quero trazer nesse review é com relação ao inventário presente no jogo. O inventário foi tirado do Resident Evil 4, onde deve-se organizar e deixar espaço para os itens coletados pelo caminho. O itens essenciais da história e tesouros, que podem ser vendidos, não ocupam espaço no inventário. Provavelmente por conta disso, não senti um desafio muito grande em gerenciá-lo. O jogo não possui baús de armazenamento (presentes em vários jogos da franquia) e é possível descartar itens ou vendê-los.

O mercador está de volta e agora personificado em Duque, um personagem curioso que irá acompanhar sua história e te ajudar a se preparar para os desafios. Ele será responsável por tudo que envolve dinheiro e melhorias. Você ficará feliz em encontrá-lo, já que ele será aquele sentimento bom de chegar numa sala de save após inúmeros encontros desagradáveis.

As armas são variadas e você poderá aprimorá-las, como vimos na demo, aumentando seu poder de fogo, cadência de tiro, quantidade de balas engatilhadas, etc. Pra isso você usa dinheiro (Lei), que podem ser adquiridos durante seu gameplay (seja eliminando inimigos ou achando pelo mapa), vendendo objetos valiosos e itens de uso comum. Dinheiro é essencial em Resident Evil Village e você deve usá-lo com cuidado – principalmente nas dificuldades mais altas.

Ao invés de termos melhorias no personagem com a injeções presentes em Resident Evil 7, aqui devemos caçar animais e usar suas carnes para fazer alimentos. Essas comidas trazem benefícios permanentes que vão desde o acréscimo de vida até o aumento de velocidade de movimento. Essa mecânica funciona muito bem para o andamento do jogo e te proporciona uma vantagem a mais para os desafios seguintes. Vale lembrar que algumas carnes são mais raras, então fique atento e explore bastante os locais da Vila!

Falando da parte que o fã raiz sempre se pergunta quando lê uma crítica: “Preciso me preocupar com a quantidade de munição?” E a resposta é um grande DEPENDE! (eu também odeio essa reposta). Se você, assim como eu, quiser matar todos os inimigos pelo seu caminho na sua primeira zerada, as balas podem ser sim um problema, e você deve tomar cuidado. Para provar como isso é verdade, o jogo te dá três maneiras de conseguir munição: Achando pelo mapa, comprando usando Lei e criando balas a partir da pólvora – o crafting do jogo. Eu nunca usei tanto um crafting na série quanto em Resident Evil Village, seja para munição ou vida – essa segunda se apresentando bem mais escassa em sua forma final. Dessa forma, o gerenciamento de Resident Evil Village está nos insumos e não no produto final.

Gráficos, áudio e ritmo – Análise Resident Evil Village

Se você conseguiu jogar a demo, já deve ter tido uma ideia. Resident Evil Village tem gráficos fascinantes e uma fotografia digna da nova geração de placas e consoles. Fizemos essa análise de Resident Evil Village jogando de forma antecipada no Playstation 5, onde o FPS se manteve estável durante a maior parte do jogo, mesmo com o Ray Tracing ligado. Como indicado anteriormente, se você quiser uma experiência com 60 FPS quase que cravados a todo momento, jogue com o RT desligado.

Os diversos ambientes e cenários presentes no jogo ajudam e muito para essa experiência. De masmorras claustrofóbicas a vistas abertas e com um belo horizonte. Você se pegará admirando as paisagens e efeitos de iluminação do game a todo momento.

Falando sobre o Playstation 5, tivemos a implementação e uso do Feedback háptico, a tecnologia presente gatilhos do Dual Sense. Apesar de não se comparar com o que vimos com jogos como Call of Duty Black Ops Cold War, Atro’s Playroom e Returnal, ter isso em títulos multiplataformas é sempre algo a ser pontuado, e confirma uma vontade extra da desenvolvedora de agradar aos donos do console da Sony.

Como já era de se esperar, a trilha do jogo é muito bem feita, assim como seus efeitos sonoros. Passos, grunhidos e eventos pelo mapa poderão ser ouvidos claramente, assim como os sons de tiros, animais e cachoeiras. Na minha opinião, as músicas de ambientes de Resident Evil 2 clássico ainda são as campeãs – mas isso pode ser só o meu saudosismo falando. Além disso, a Capcom soube usar muito bem o famoso Tom de Sheppard, técnica muito utilizada em filmes e jogos de terror que traz tensão e desconforto com tons sobrepostos que dão uma ilusão auditiva infinita.

Com tantos ambientes diferentes e momentos memoráveis, é importante dizer que a Capcom soube fazer uma bela quebra de ritmo em alguns momentos do jogo. Acompanhando alguns acontecimentos, temos as várias emoções de Ethan e com isso uma quebra de ritmo e de gameplay. Alguns momentos serão mais corridos e outros mais cautelosos, mas o que fica na nossa cabeça é como tudo isso se encaixa perfeitamente com o que estamos vendo e passando com o protagonista.

Resident Evil Village vale a pena?

Resident Evil Village tem, sem sombra de dúvidas, a melhor narrativa que já vi na série. O jogo segue os acontecimentos de Resident Evil 7 sem se enrolar muito para contar o porquê e a motivação para os eventos que acontecem durante sua jornada. Os personagens são interessantes, seus diálogos são importantes e nem tudo é contado apenas nos arquivos e papéis. Cada casa, cada inimigo e cada ambiente nos dá pedaços da história, que culmina em um final marcante.

Seu gameplay é muito acertado, e é fácil de se acostumar aos comandos e locais dos itens no controle. Se torna natural sacar a arma certa para o momento correto e desviar de ataques avassaladores. Além disso, deu pra sentir o carinho com os fãs de longa data e com os novos fãs que surgiram com o sucesso do jogo dos Bakers. Temos aqui um jogo que tenta, e consegue, agradar aos diferentes tipos de jogadores.

Resident Evil Village ficará marcado na história da franquia e só me faz querer que o tempo passe e novos títulos sejam lançados. Eu já sentia isso há um tempo, mas, com certeza, a franquia está de volta ao seu auge e espero que esse momento dure.

Nos acompanhe para muitas novidades, debates, teorias e MUITO mais detalhes após o lançamento do jogo no dia 7 de maio de 2021. Vale lembrar que ainda temos o RE:Verse que ainda não foi lançado até a publicação desta análise e do modo mercenário, que falaremos em outro momento.

Resident Evil Village será lançado para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series, Google Stadia e PC (via Steam).

Essa análise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Resident Evil Village

Visual, ambientação e gráficos - 10
Jogabilidade - 10
Diversão - 10
Áudio e trilha-sonora - 10

10

Perfeito

Resident Evil Village entra para o hall dos grandes jogos da história e da grande franquia da Capcom. O jogo tem um ritmo único, mecânicas aprimoradas, o melhor enredo da série e te traz aquela tristeza/abstinência ao terminar. Recomendado para todos que curtem a série e jogos de survivor horror.

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Bruno Degering

Gamer há tanto tempo que usa consoles como referência cronológica para lembranças de sua vida. Amante de Mega Man, Resident Evil e Warcraft. Se gaba por ter zerado Battletoads aos 9 anos mas abandonou Bloodborne com 26.
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