Análise: Solasta Crown of the Magister é um ótimo RPG baseado em D&D

Um dos melhores jogos do ano

Solasta Crown of the Magister se trata de um RPG baseado nas antigas jogatinas de lápis e papel, seguindo as regras do clássico Dungeons and Dragons (D&D). Solasta esteve em desenvolvimento desde 2018 e disponível em acesso antecipado desde outubro de 2020 acumulando um punhado de fãs. Porém, foi neste dia 27 de maio de 2021 que o jogo enfim foi lançado oficialmente, deixando o status de acesso antecipado. Com isso, Solasta está disponível em praticamente todas as plataformas digitais. A espera valeu a pena? Veja nesta análise de Solasta Crown of the Magister se esse novo RPG merece uma chance.

Esta análise de Solasta Crown of the Magister foi realizada com um código de review cedido por sua distribuidora e segue nossas diretrizes internas.

RPG raiz

Role Playing Game, ou RPG para os íntimos, não surgiu nos videogames, muito pelo contrário. O jogo tem suas raízes na mesa, com papel, lápis e borracha e um conjunto de dados. Diferentes foram os sistemas de atributos e eles datam de até mesmo centenas de anos atrás. Contudo, a interpretação de personagem e o peso da história ganharam relevância com Dungeons and Dragons (D&D) nos anos 70. Atualmente, D&D já está em sua quinta edição e conta com viciados ao redor do globo.

Análise Review Solasta Crown of The Magister Combate DnD (1)

Portanto, não é de se espantar que muitos desses jogadores tenham transportado sua paixão para os videogames. Eu sou um deles, pois jogo D&D de mesa e sempre busco um game baseado nas regras do clássico. Posso dizer com autoridade que Solasta Crown of the Magister fez um trabalho primoroso em adaptar as regras de D&D 5 para as telas e entrega uma experiência completa.

Personagens

Para início de conversa, o jogo conta com uma boa quantidade de recursos de criação de personagens. As principais classes e raças estão lá, você pode criar um humano guerreiro, um elfo mago e até mesmo um anão ladino. São cinco raças, algumas com sub-raças e seis classes com diversas subclasses para se especializar ao longo da jornada.

A mecânica de criação segue as origens do D&D te dando a oportunidade de rolar dados para os atributos. Dessa forma o jogo confia ao jogador como criar sua própria aventura de forma honesta e legítima. Se você precisa de uma facilidade, rode os dados novamente, mude os itens iniciais e faça uma combinação a seu gosto. Por outro lado, se quer um desafio insano, junte raças, classes e uma rolagem de dados raquítica para elevar a dificuldade da aventura.

O ponto negativo aqui fica para a limitação visual dos personagens. Apesar da boa variedade de raças e classes, cada uma conta com poucos recursos para tornar os personagens únicos. Poucos cortes de cabelo, pêlos faciais, limitada personalização do corpo e poucas opções de faces deixam seus heróis um pouco genéricos demais.

Sem protagonista, mas vários heróis

Assim como o D&D de mesa, Solasta não foca em um herói específico deixando os outros em papéis secundários. Pelo contrário, é necessário criar quatro personagens com suas personalidades e características próprias e se aventurar como um grupo. Portanto, não é exagero dizer que o protagonista dessa aventura é o grupo e a interação entre seus membros.

E essa interação se dá de forma incrível, pois não importa como você cria seus personagens, todos vão ter sua relevância. O sistema do jogo balanceia a combinação dos traços de personalidade e do passado de cada personagem e usa isso ao longo da aventura. Dessa forma, os personagens vão agir da devida maneira em seu tempo específico durante conversas, batalhas e missões.

Personagens cínicos vão soltar aquela piadinha na hora H e deixar todo mundo na saia justa. Um herói com o passado das ruas e do gueto vai conseguir aquele contato no submundo para facilitar determinadas missões. Já os de origem mais abastadas vão oferecer contatos entre os poderosos. Os mais violentos podem atrapalhar uma negociação e arremessar o grupo em um batalha mortal. Essa infinidade de interações é um charme como poucos jogos possuem.

A Coroa do Magistrado

Toda essa sociedade viva é pano de fundo para uma iminente catástrofe. Mil anos antes, um portal para o mundo dos Humanos (Tirmar) foi aberto para Solasta, a terra do título, governada por elfos há milênios. Os humanos fugiram para Solasta através do portal, pois os Soraks (criaturas reptilianas) estavam destruindo Tirmar a mando de um Deus malígno.

Porém não somente humanos atravessaram o portal até Solasta. Uma invasão de Soraks também se iniciou levando os povos de Solasta a unir forças a fim de fechar a passagem. A magia para selar a conexão entre os dois mundos, contudo, gerou um cataclisma de proporções apocalípticas.

No tempo presente, o grupo de heróis que criamos esbarra com evidências e artefatos, principalmente a coroa do título do jogo, que sugerem que Soraks voltaram à Solasta e o portal pode ser aberto a qualquer momento. Para evitar isso, todos devem restaurar um poder milenar, único capaz de evitar mais um armagedom.

A trama em si não é das mais originais, e se tratando de alta fantasia, poucas são de fato. Além disso, NPCs, cidades e algumas localidades parecem um pouco vazias. Por outro lado, as histórias do mundo de Solasta podem ser lidas através de livros, pergaminhos e outras escritas espalhadas pelos locais. Essas acrescentam muito para quem busca uma imersão ainda maior.

Portanto, é o caminho até o fim que torna a trama de Solasta especial. Como já mencionado, a interação entre personagens e o mundo, as civilizações e toda a atmosfera de Solasta deixam o jogo muito bem amarrado e divertido. E para coroar tudo isso, a cereja do bolo: o combate.

D&D na veia

É justamente no combate extremamente fiel ao D&D que Solasta Crown of Magister brilha ainda mais. Ao encontrar inimigos, um tabuleiro virtual com blocos, nos quais sua equipe e os inimigos podem se movimentar, irá surgir delimitando a área de combate. Todos os participantes rolam seus dados de vinte lados para definir os turnos de cada um e então a melhor parte do jogo começa.

Fique atento aos arredores, pois pontes podem desabar, deixando você e/ou inimigos presos e vulneráveis. Colunas e pedras estão disponíveis a serem empurradas em cima dos inimigos e a cobertura de uma parede pode te ajudar a evitar maiores problemas. Uma parede tampando a iluminação pode te dar a vantagem necessária para acertar aquela flecha no inimigo desavisado.

Veja Mais

Alguns inimigos têm visão no escuro, assim como algumas raças de personagens. Mas outros podem ter pavor da luz e fugir de sua tocha. Escale, salte ou voe ao redor ao redor do tabuleiro virtual. Surpreenda os inimigos, de um lado ou do outro, ou até mesmo de cima ou de baixo. Há diversas abordagens no combate de Solasta Crown of The Magister. 

A inteligência artificial é muito boa e reflete muito bem cada inimigo. Um vampiro milenar vai saber te atrair para fora de uma situação vantajosa, por outro lado, um Orc peão vai tomar decisões bem equivocadas. Dragões e criaturas inteligentes vão focar nos personagens que são mais risco para eles e fazer de tudo para forçar sua equipe para uma situação arrsicada.

Em resumo, Solasta conta com um combate tático e estratégico em três dimensões com ambientes dinâmicos que oferecem muitas opções interessantes. Com isso, posso dizer que a necessidade de pensar com antecedência cada movimento e decisão é o que há de mais desafiador e animador no jogo.

Minha única crítica fica para a limitada falta de interatividade com os objetos que compõem o ambiente. Jogos um pouco antigos como Divinity ofereciam uma gama de possibilidades de interação. Entre elas aproveitar-se da água do terreno para congelar ou eletrocutar, do material espalhado pelo chão para colocar fogo etc.

Aspectos técnicos

Para terminar essa análise/review de Solasta Crown of the Magister, não podemos deixar de lado os aspectos técnicos. Durante os anos de desenvolvimento e os meses de acesso antecipado, a desenvolvedora Tactical Adventures, conseguiu polir o jogo a um nível incrível. Levando em consideração o tamanho reduzido da equipe, por se tratar de um estúdio independente, e o preço de lançamento do jogo, o trabalho foi sensacional.

Os visuais não são de nível de next-gen, claro, mas por outro lado facilita o game rodar em muitos PCs. Para o gênero e o preço cobrado, tirando as limitações de NPCs e cidades um pouco vazias, os gráficos estão mais do que satisfatórios. Os efeitos de magias, invocações e detalhes como água, lava e núvens estão muito bons ajudando na imersão.

Um ponto a destacar, porém, foi que em meu AMD Ryzen 5 2600, o jogo puxou demais da CPU, para um game não tão detalhado visualmente e sem uma grande quantidade de processamento comparado a jogos mais pesados. Fiquem atentos.

Enfrentei poucos bugs/glitches ao longo das minhas 50 horas de gameplay. A maioria esmagadora foram glitches visuais e de interface que não impediram o andamento de nenhuma missão ou batalha. Além disso, patches frequentes chegam para o jogo, o que significa que esses pequenos percalços vão ser resolvidos muito em breve.

Veredito

Para os fãs de um bom jogo baseado em Dungeons and Dragons, Solasta é uma compra necessária. Atualmente seu maior concorrente é Baldur’s Gate 3 que, ainda em acesso antecipado, custa R$ 199,99. Para finalizar o pacote, Solasta Crown of The Magister oferece uma ferramenta de criação de Masmorras para criamos e compartilharmos aventuras inéditas online, adicionando ainda mais conteúdo. Contudo, é válido destacar que o jogo não tem opção de audio nem legendas em português, o que pode ser um problema para os brasileiros.

Por fim, digo com certeza absoluta nessa análise / review que Solasta Crown of the Magister vale muito a pena. O jogo foi lançado por R$ 79,00, cerca de 30% o preço de um game AAA e entrega conteúdo e aventura de qualidade para dezenas horas de jogatina. Além disso, como cada personagem interage com o mundo de formas diferentes e suas classes oferecem abordagens de combates únicas, ainda há o fator replay. Solasta é sem dúvida merecedor de todas as coroas que tem recebido por fãs e críticos e é um dos melhores lançamentos de 2021.

Melhor jogo de D&D em anos!

Visual, ambientação e gráficos - 8
Jogabilidade - 10
Diversão - 9.5
Áudio e trilha-sonora - 9
História e trama - 8

8.9

Ótimo!

Solasta Crown of the Magister se trata de um RPG baseado nas antigas jogatinas de lápis e papel, seguindo as regras do clássico Dungeons and Dragons (D&D). O jogo foi lançado por R$ 79,00, cerca de 30% o preço de um game AAA e entrega conteúdo e aventura de qualidade para dezenas horas de jogatina. Solasta é sem dúvida merecedor de todas as coroas que tem recebido por fãs e críticos e é um dos melhores lançamentos de 2021.

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Ricardo Carvalho

Gosto muito de escrever, desenhar, de me frustrar com política, de filosofar no barzinho, assistir filmes e defender que games são arte! Me segue no twitter que eu sigo de volta, beleza? twitter.com/perfilricardoc Beijos e boas jogatinas!
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