O poder de compra e o custo dos games no Brasil

É o que vamos tentar descobrir adiante

Nas primeiras semanas de junho fomos “contemplados” com mais um aumento da tarifa elétrica e do valor do gás de cozinha. Ainda este ano, sofremos reajuste no valor da cesta básica o que levanta a dúvida a seguir: como tudo isto influencia na hora de sentar em frente à TV, ligar o videogame e relaxar para se desprender um pouco da realidade e acompanhar histórias que nos cativam, enfrentar desafios ou mesmo aquela partida ranqueada? Afinal, o que influência no poder de compra no mundo dos games no Brasil?

É o que vamos tentar descobrir adiante.

Há muito tempo sentimos no bolso que gastar com jogos ou videogames não está saindo nada barato. Basta lembrar do valor do PlayStation 4 oficial no Brasil de R$3.999,99 na data do lançamento, por exemplo. Ainda hoje, o valor da atual geração sai em torno de R$4.500,00 em média para Xbox Series X e PlayStation 5. Ou seja, são quase 4 meses e meio de salário mínimo para ingressar na nova era dos games. Outro fator que ainda temos no mundo dos games são os recentes aumentos no preço dos jogos. Esses foram justificados pelas produtoras pela questão do alto valor para fazer jogos com a precisão de detalhes gráficos e o custo de vida cada país. Isso resultou, por exemplo, em um aumento de cerca de R$50 na PSN para jogadores da plataforma da Sony.

Se reajustes de preços que acontecem nos próprios meios dos games já influenciam no consumo, outros fatores externos como preço do dólar, reajustes no preço do gás, alimento, eletricidade afetam o consumo geral. Vamos de ponto a ponto para entender como isto funciona em comparação com o salário mínimo de 2021 em R$1.100,00, que teve um aumento de 5,26% (medida provisória Nº 1.021 DE 30 DE DEZEMBRO DE 2020).

O que influencia no poder de compra e no custo dos jogos no brasil? – O Dólar…

A taxa de câmbio é um dos fatores que mais afetam o nosso consumo e atingiu recentemente o seu maior valor, tendo como base apenas o ano de 2021, ao custar R$5,83 no dia 09 de março. Um dos setores que é mais impactado por esse valor, por exemplo, é o de combustíveis, que adota uma precificação internacional baseada na moeda americana. Isso acontece mesmo com o Brasil sendo um país produtor dos derivados para produção de combustíveis, com o intuito de manter a competitividade e atrair lucro para acionistas por ter capital misto. Pois é… pagamos mais caro do que deveríamos. O valor da gasolina representa uma inflação segundo o índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), onde o valor do índice inflacionário passou de 4,58% em maio de 2020 e passou para 5,82% em maio deste ano, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Inflação nos alimentos…

A inflação é, em termos gerais e amplos, outro fator que afeta nossa vida diária. Como? Em suma, esta reduz o poder de compra da população, já que o índice representa o aumento do custo dos produtos e serviços em determinado período de tempo. O problema, é que por muitas vezes, o aumento dos salários não acompanha a inflação. Para ser mais preciso, segundo o site do IBGE, “Inflação é o nome dado ao aumento dos preços de produtos e serviços. Ela é calculada pelos índices de preços, comumente chamados de índices de inflação.”

O IBGE produz dois dos mais importantes índices de preços: o IPCA, considerado o oficial pelo governo federal, e o INPC.

Os jogos e videogames não sofrem tantas alterações significativas (mas vamos esperar atualização quanto a estes aumentos recentes nos games), ainda mais por não ser algo básico ao nosso consumo. Isso nos faz olhar para o valor dos alimentos. A cesta básica teve aumento significativo, segundo o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Econômicos) na tabela de Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos em 17 capitais e diminuição apenas em duas. Entretanto, houve um aumento em todas as capitais se compararmos o preço conjunto, ainda segundo a pesquisa.

Isso nos leva ao custo de 54,84% do total do salário já tomando como base os descontos da Previdência Social. Isso resulta em R$450,00 de sobra para o trabalhador para todos os gastos adicionais (consumo de água e energia elétrica, por exemplo, que falaremos a seguir).

Fichário: Os preços dos jogos da nova geração devem aumentar? Entenda!

Reajuste elétrico – Como influencia no poder de compra e no custo dos games no Brasil?

Nem citei o gás de cozinha, que teve aumento também, mas vamos direto ao ponto da conta de luz, pois não adianta escapar de fazer alimento na panela ou em fogão elétrico. Vejam só, a conta de luz ficará mais cara e não há perspectiva de reduções no momento. Isso tudo acontece em meio à discussão sobre a privatização da Eletrobrás, cuja MP já tramitou do Congresso ao Senado.

Dessa vez, o que pesou nos bolsos foi a crise hídrica. Com a água abaixo do nível necessário nas hidrelétricas, será necessário ativar reatores termoelétricos, o que encarece a produção, e acarreta em um aumento de 20% para cada 100 Kwh. Ou seja, mais R$6,24 (atualização 29/06/2021: subiu para R$9,42) para cada hora de jogo na tarifa vermelha. Isto é bem decisivo para nós gamers, pois se jogarmos duas horas/dia em média, teremos R$12,48 a mais no nosso lazer. Em uma semana, pegando o mesmo tempo de jogo, chegamos ao valor de R$87,36

É isso, gamers de plantão!

O que nos resta é aguardar e ficarmos atentos a estas nuances, e entender que o valor refletido do aumento de cada segmento no salário mínimo é algo que gera um custo diretamente nos games no Brasil, ainda mais nestes tempos de pandemia onde, por vezes, precisamos permanecer em casa e consumir games. Jogos e consoles estão caros e, se pensarmos bem, sempre foram. Conforme a Sony já revelou, somos um “mercado em potencial de consumo“, e agora, resta esperarmos por tempos melhores, que sim, estão por vir.

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