Análise: I Am Fish é mistura de Procurando Nemo com Dark Souls

Confira abaixo a nossa análise de I Am Fish:

I Am Fish é o mais novo jogo da Bossa Studios, um estúdio independente baseado no Reino Unido e fundado por dois brasileiros saídos da Globo. O estúdio é responsável por jogos como I Am Bread, o fatídico simulador de pão, e Surgeon Simulator, que fez muito sucesso com seu gameplay de cirugião completamente zoado. I Am Fish segue a mesma linha doida dos últimos jogos da empresa, nos trazendo um simulador de peixe. O jogo foi lançado neste dia 16 de Setembro para Xbox One e PC, e está disponível para assinantes do Gamepass.

Veja também a nossa análise de I Am Fish em vídeo:

Quem me dera ser um peixe – Análise: I Am Fish

O jogo tem uma história muito simples e direto ao ponto. Basicamente, quatro amigos peixes em um petshop são comprados e levados por diferentes pessoas e, assim que chegam aos seus destinos, percebem que não conseguem viver separados. Cada um desses peixes deve, então, fugir dos seus aquários para chegar ao mar e tentar achar seus amigos. Quem viu Procurando Nemo se lembra da parte em que o peixe conta com a ajuda dos seus amigos para fugir para o mar em Sydney. I Am Fish é claramente inspirado no filme da Disney Pixar, só que com uma pitada de insanidade do começo ao fim. O conceito geral é bem direto ao ponto, mas de forma muito mais doida e caricata.

Assim que começamos o gameplay com o Peixinho Dourado, que é o primeiro peixe que podemos usar, percebemos que as mecânicas de I Am Fish são feitas para te frustrar, e muito. Precisamos controlar peixes, que por sua vez, precisam guiar e girar os mais diversos recipientes e pessoas por caminhos inesperados rumo ao mar sem que o peixe morra no processo. Todos os lugares por onde passamos em I Am Fish são feitos para que você morra várias vezes e queira dar um soco na tela, e deixa eu explicar porque isso estranhamente me fez gostar do jogo.

Mais difícil que Dark Souls

Como alguns de vocês sabem, eu tenho um certo problema com jogos extremamente difíceis. Esse ano eu zerei uma penca que se encaixa nesse critério e eu diria que I Am Fish não está muito longe disso. Assim como em Demon’s Souls ou o meu amado Super Meat Boy, é necessário prestar atenção e se concentrar em cada centímetro na tela para avançar no gameplay. Claro, esses jogos não têm nada a ver com I Am Fish em termos de jogabilidade em si, mas ele me trouxe a mesma sensação de ficar vidrado na tela sentindo aquele suor de tensão escorrendo na testa. Esse efeito de suspense é o que me pega nesses jogos, e I Am Fish conseguiu me deixar extremamente tenso, apesar do seu humor e clima relativamente descontraídos. O jogo pode não ter um chefão brabíssimo que te arrebenta em poucos segundos e te faz querer vender seu videogame, mas humanos espalhados pelos diferentes mapas acabam se tornando nossos nêmesis ao chutarem e quebrarem nossos recipientes nos momentos mais cruciais.

Já bastasse o aquário redondo, que é bastante difícil de controlar, o jogo te coloca em baldes, lixeiras, copos, e qualquer outro lugar com água o suficiente para o seu peixe sobreviver. Inclusive, teve um momento em que eu fui parar no estômago de um maluco bêbado no meio de uma festa e eu tive que pausar para rir antes de continuar. Criatividade, tanto em termos de cenário quanto de gameplay, é o carro chefe de I Am Fish, e eu fui surpreendido a cada novo mapa que eu jogava.

De Peixe-dourado à Baiacu

Cada peixe possui um poder especial necessário para passar de certas partes nos seus respectivos mapas. O baiacu infla, rolando em terra firme ou se ejetando através da pressão, o peixe azul consegue voar, e o peixe verde tem uma mordida poderosa que arranca canos e outras coisas. As mecânicas de cada um são interessantes, e eu destaco o peixe voador, que surpreendentemente tem uma jogabilidade de voo excelente. 

Todos os checkpoints são um grande alívio, e é uma sofrência pensar em como passar de cada parte em cada cenário sem destruir o frágil vidro que mantém o nosso peixe vivo. Todos os cenários são magníficos, e eu não poderia elogiar mais o trabalho da Bossa Studios em criar mapas complexos, bonitos e vivos. Ao mesmo tempo em que tentamos passar por caminhos estreitos e perigosíssimos, podemos apreciar tudo que acontece ao nosso redor. Cada cenário é bem variado, e passamos por lugares que vão de feiras à céu aberto até festas em boates. Chega a ser meio insano imaginar como os desenvolvedores pensaram em certas situações.

Um oceano de detalhes

Falando agora sobre a direção de arte, o jogo tem visuais muito bem feitos e uma trilha sonora que agrada durante o gameplay. Claramente, I Am Fish não é um jogo de última geração com ray tracing e gráficos absurdos, mas dentro da proposta do jogo ele é bem bonito e detalhado, e consegue dar aquela sensação de pequenez dos peixes nos gigantes lugares por onde eles passam. O grande destaque vai para a iluminação, as sombras, e shaders que dão toda uma beleza a mais ao jogo. 

Vale destacar, entretanto, que o jogo não é dos mais leves. Por ser um jogo com um gameplay totalmente baseado na física, o processador é utilizado no talo durante 100% da jogatina e quedas acontecem com frequência, principalmente quando estamos em alta velocidade ou quando o vidro do aquário quebra. Nesses momentos, a taxa de frames manda um abraço, mas felizmente, não chega a ser algo que atrapalha muito no gameplay.

Conclusão – Análise: I Am Fish

Resumindo essa breve análise, I Am Fish é um jogo que me divertiu bastante. Eu não esperava muita coisa dele, e acabei me deparando com um jogo divertido, bonito e extremamente criativo. Os cenários são fenomenais e o jogo vai se superando a cada novo mapa, que traz caminhos e acontecimentos inusitados. Se você gosta de jogos com gameplays baseados em física ou se você gostou de qualquer outro jogo da Bossa Studios, I Am Fish com certeza vai te agradar durante as suas cerca de 8h de jogo. Só prepare o seu psicológico para xingar bastante durante toda a jogatina nesse jogo que mistura a frustração de Dark Souls com os visuais de Procurando Nemo.

Essa análise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

I Am Fish

Visual, ambientação e gráficos - 8
Jogabilidade - 8
Diversão - 9
Áudio e trilha-sonora - 8.5

8.4

Ótimo

I Am Fish me divertiu muito mais do que eu imaginava apesar do seu gameplay extremamente difícil.

User Rating: 4.55 ( 1 votes)

Bernardo Cortez

Formado em Relações Internacionais, Bernardo aproveitou o dom de escrever para algo útil. Músico, viajante, cronista e amante de qualquer coisa que seja relacionada a jogos, seu sonho é ser jornalista na área. Tem um carinho especial por jogos que tragam o melhor de todas as formas de arte que os englobam.
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