Análise: depois de anos e anos, FIFA 22 traz evolução clara

Evoluções gráficas, pequenas melhorias na interface e tecnologia Hypermotion chacoalham a franquia que andava paralisada no tempo

Antes de entrar para o Última Ficha, por ter acesso limitado aos jogos (pois eu ganhava menos dinheiro para comprar jogos e precisava escolhê-los de forma inteligente), FIFA e PES eram jogos que iriam aparecer na minha biblioteca todos os anos. Quando você tem amigos inseridos nesse vício, você meio que tem essa obrigação de todo ano comprar o novo FIFA ou PES. Pode não ser no lançamento, quando os preços são absurdos, mas poucos meses depois, quando geralmente o preço começa a chegar na metade. E por que essa introdução para a análise FIFA 22?

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Desde essa época eu já era bem crítico aos lançamentos anuais destes jogos, por evoluírem quase nada, cobram preço cheio todo ano e, principalmente FIFA, começar a focar em um modo pay to win dentro de um jogo de preço cheio. Depois de entrar no Última Ficha, entender mais como funciona esse mundo, ser mais técnico, ser mais crítico e principalmente ter que avaliar os jogos, iniciou-se uma espécie de ataque a estas franquias anuais de esporte, principalmente o FIFA.

Foram algumas análises descontentes com as poucas inovações (FIFA 21, FIFA 19 e PES 20) e algumas matérias batendo ou no FIFA ou no modus operandi da EA, vou listar algumas delas abaixo para vocês verem o quão honesto vou ser nesta análise, que sim, será um elogio à uma evolução de FIFA depois de anos.

Agora que você percebeu que eu estou longe de ser um fanboy de FIFA ou PES, para evitar aqueles comentários que sempre aparecem de “você é FIFEIRO!”, “você é PESZEIRO” ou “kkkk análise comprada”. Venho batendo com vontade na EA e na franquia há alguns anos, mas quando há acerto, é nosso dever como mídia especializada expor para vocês. Dito isso, vamos ao que importa que é falar do FIFA 22 e dar sua nota.

E um pequeno disclaimer antes de começar esta análise de FIFA 22, o que vou falar aqui é baseada na experiencia da nova geração de consoles. Infelizmente as versões de PC, PS4 e Xbox One receberam apenas uma atualização tendo como base FIFA 21.

Esta análise foi possível graças a uma cópia digital de FIFA 22 gentilmente cedida pela EA Games. A análise foi feita utilizando a versão de Playstation 5.

ANÁLISE FIFA 22 – NÃO FALTAM MODOS DIFERENTES PARA EXPLORAR FIFA 22

Algo que você não pode reclamar são as inúmeras possibilidades dentro do jogo. Partidas rápidas offline contra a IA, contra amigos, partidas rápidas online, diversas ligas reais e licenciadas para você escolher seu time preferido, modo de carreira como treinador, como jogador (estes dois últimos excelentes, vou falar mais sobre), Pro Clubs, Volta (cof cof, sem sal nenhum), Ultimate Team… não tem como reclamar da falta de opções.

A parte triste e chata dessa disputa de longos anos entre FIFA e PES (press ‘F’ to PES death) é a guerra de licenciamento, que atinge ainda mais profundamente nós brasileiros. Um time é exclusivo de um jogo, outro time do outro, licenciamentos horríveis por conta da organização de direitos de imagem do futebol brasileiro, enfim, uma comunhão de fatores que arruínam o desejo dos fãs de jogar um bom Brasileirão, com todos os times, todos os uniformes, patrocinadores, direito aos nomes e jogadores realistas. O futebol brasileiro no FIFA 22 é horroroso, nem tenta ser legalzinho. Quem sabe um dia teremos algo igual a Premiere League no FIFA, com TUDO, até placares iguais.

Eu vou evitar me alongar sobre o Ultimate Team, pois a opinião permanece. Ele continua sendo predatório, ofensivo, pay to win e desleal. Não tem chance de você se divertir e ser competitivo jogando na raça. Nem com muita raça. Você paga quase 339 reais (versão de PS5) por um jogo em que dentro, existe um modo bem sedutor que só fica interessante se você despejar uma enorme quantia de dinheiro nele. ENORME QUANTIA DE DINHEIRO. Isto é um casino online em um jogo de preço cheio. É tosco, é vergonhoso e é cruel com crianças e pessoas que se viciam facilmente nestas práticas.

Já os modos Carreira, seja ele Manager ou Jogador, são MUITO divertidos e BEM completos. O modo carreira de Manager não é uma repaginada completa, pelo menos não na minha cabeça. Ele permanece sólido, divertido, desafiador e traz uma mistura bacana de Football Manager e uma liga comum dentro do FIFA. Você sente um pouco de controle do clube e pressão por parte da diretoria. É um modo que acerta em cheio.

Uma novidade muito pedida e que finalmente chegou é a criação do seu próprio time no modo Carreira Manager. Nome, uniformes, qual liga participar, rival, estádio e nível geral do time que você pretende administrar. A liga em que você se insere vai influenciar na nacionalidade de quase todo o time, mas você pode rodar novamente a roleta da sorte e trocar todo o elenco.

O modo Carreira de Jogador está EXCELENTE. Conseguiram implementar uma espécie de RPG dentro do modo, tornando ele mais complexo, desafiador e divertido. Viciante também. Existe uma árvore de habilidades agora, algo que está super na moda em quase todos os jogos. Para você ganhar pontos para ir desbloqueando avanços na sua árvore, é preciso concluir objetivos de jogo, ganhar experiência e treinar (sim, treinar com o seu boneco ou colocar uma simulação caso você seja preguiçoso, mas simulando você ganha menos pontos). Vai ser sempre um desafio você optar por seguir os objetivos que seu treinador passou ou simplesmente ficar na área e espetar um belo hat-trick. Isso define se você vai evoluir de um jeito mais rápido ou mais lento.

Volta, continua Volta. Legal para jogar uma vez, longe de ser o saudoso FIFA Street. Os modos de Pro Clubs e temporadas online continuam na mesma pegada, o que é positivo.

ANÁLISE FIFA 22 – BONS GRÁFICOS E GRANDE EVOLUÇÃO EM IMERSÃO GRAÇAS AO HYPERMOTION

FIFA 21 desembarcou próximo ao lançamento da nova geração de consoles. Obviamente isso limitou seu avanço, mas trouxe um respeitável modo 4K60 como opção na época, sem custo extra. Já FIFA 22 já foi pensado em grande parte, não totalmente porque ainda temos PS4 e Xbox One suportados, para a nova geração. Isso reflete também as versões vendidas separadamente ou a versão Ultimate que suporta os dois. Esta versão custa ofensivos R$498,90 na PSN.

Deixando de lado esse detalhe que nunca vai mudar na EA, chamado ganância, o jogo evolui em termos gráficos, visuais, em desempenho e principalmente em imersão. Quando digo imersão falo em relação ao maior realismo trazido pela tecnologia Hypermotion. Esta tecnologia foi anunciada como a combinação da captura de movimentos reais com a inteligência artificial para produzir novas animações, adicionando mais de 4 mil movimentos. Ela foi feita a partir da captura de dados de uma partida real entre 22 jogadores reais. Quando anunciaram lá atrás eu achei que era somente mais uma tecnologia com nome bonito, mas me enganei.

Certamente o que traz um ar de nova geração ao FIFA 22 é o Hypermotion. A movimentação dos jogadores, seus posicionamentos em campo, a física, a reação e o comportamento geral de todas as peças em campo estão em outro nível da simulação de jogos de futebol. O destaque fica para algumas defesas dos goleiros, muito menos robóticas e surreais, bem mais naturais e realistas. Chega também de gol de bicicleta toda hora, finalmente.

Somado ao Hypermotion temos lisos e agradáveis 60 quadros por segundo em resolução 4K no PS5. Tempos de loading não existem. Você clica em jogar partida e já cai direto nela, chega de telinha de chute a gol!

ANÁLISE FIFA 22 – JOGABILIDADE BOA, INTERFACE NEM TANTO

Sabemos que as atualizações vão mudando a jogabilidade dos FIFAs, muitas vezes para pior. Mas tenho que falar do que se tem agora. FIFA 22 começou cadenciado, mais realista e menos arcade e com foco na troca de passes, com construções de jogadas mais inteligentes em busca de se livrar da marcação. Se você não está jogando competitivamente, onde o jogo fica tosco e feio, focado em se aproveitar de bugs ou coisas irreais, jogando tranquilamente e sozinho você vai conseguir simular uma partida bem próxima da realidade.

Agora a interface é algo que me irrita há anos. Gosto do design dela e de como os blocos são distribuídos, mas achava que a sensação de lenta, arrastada e travada tinha alguma relação com o hardware da geração antiga. Tinha real esperança que ela pareceria muito mais responsiva, rápida e imediata na nova geração.

Não é o que acontece, os menus não são imediatos, não sei se é uma animação de troca de menus proposital da EA ou se é algo relacionado a programação. Torço pelo dia que os menus sejam muito mais responsivos aos toques, clicou, trocou de tela, trocou de menu. Se jogos mobile conseguem isso, o multi bilionário FIFA também pode.

ANÁLISE FIFA 22 – BUGS, BUGS, MAIS BUGS E UMA PITADA DE BUGS

Você que fica repetindo “The Sims é bugado mesmo, não tem jeito”, “ah, todo FIFA tem seus bugs, é normal” é o culpado por essa perpetuação de bugs hilários e irritantes em um jogo que acontece num pequeno espaço delimitado de mapa. Gente, FIFA ocorre dentro de um campo de futebol, não é um mundo aberto. Pare de isentar a desenvolvedora, os bugs são inaceitáveis e ridículos. O jogo não muda de mapa todo ano igual um GTA, evolua EA.

São chutes no vento, goleiros que saem para pegar a bola e atravessam ela, jogadores que se esbarram e se comportam de forma alienígena, partes do cenário que se comportam de forma totalmente diferente do que deveriam, frases da narração que entram na hora errada, repórteres de campo que repetem incansavelmente a mesma coisa e por aí vai. O Google e Fóruns por aí depõem contra todas as versões de FIFA, ano após ano.

Alguns que posso citar aqui que me tiram do sério porque eles acontecem em TODO-SANTO-JOGO:

  • O Caio Ribeiro não quer saber contra quem eu jogo, para ele não importa. Independente do adversário, sempre que eu abro o placar ele lança algo como “agora eu quero ver como o Liverpool vai reagir com essa desvantagem no placar”. Caio, eu não jogo contra o Liverpool todo jogo.
  • O repórter de campo só informa golaço, e só um tipo de golaço. 99% das vezes ele informou que o jogador X, do time Y, fez um golaço DE VOLEIO. Só tem gol de voleio rolando nas outras partidas. Uma vez eu vi ele anunciando um gol de cabeça, fiquei até confuso.
  • As placas de publicidade do Old Trafford são falsas, são apenas holográficos. TODO santo gol que os jogadores vão comemorar perto da beirada do campo ou com a torcida, eles deslizam e passam por cima da placa como se elas fossem hologramas. Isso broxa bastante o realismo do jogo.

EA, você recebe mais do que o suficiente com o Ultimate Team para dedicar um time completo para eliminar essas bizarrices que acontecem todos os anos em todos os FIFAs. Aproveite que a versão de 22 é boa, sólida e está sendo bem falada e termine de polir ela, para que fique ainda melhor.

ANÁLISE FIFA 22 – CONCLUSÃO

Eu nem lembro qual foi o último FIFA que eu falei “caramba, mudou, tá valendo uma parte do valor pago”. Talvez o primeiro ou segundo da geração PS4/XOne. FIFA 22 abraça a potência dos novos consoles, alta resolução, 60 quadros, bons gráficos, boas capturas de faces dos jogadores, fidelidade em ligas licenciadas e o Hypermotion, que aumenta a imersão do título.

Os modos de jogo são fartos e os que sempre me atraíram estão bem melhores, ficando ainda mais viciantes. O modo Carreira de Jogador, que agora tem aspectos de RPG, foi uma grata surpresa, junto com a criação do próprio clube no modo Carreira Manager. O cassino em forma de simulador de futebol, FUT, ainda existe e eu me recuso a falar qualquer coisa positiva dele.

Mesmo com evoluções gráficas e na jogabilidade, que trazem realismo não somente na movimentação dos jogadores, mas também na cadência do jogo, na criação das jogadas e na marcação, FIFA 22 peca em bugs irritantes. Eles precisam urgentemente ser solucionados em patches futuros. Assim como o absurdo que vem ocorrendo com alguns jogadores, que é a perda total do save game dos modos Carreira. Inclusive, um pop-up do problema apareceu ao iniciar o jogo da última vez, mostrando que a EA está ciente do problema. Não aconteceu comigo, mas eu ficaria FURIOSO em perder todos os meus avanços e criações. São erros muito básicos para um jogo que gera muitos bilhões.

No geral, depois de muitos anos, dá para encher a boca para elogiar um FIFA. FIFA 22 não justifica o preço cheio anual, mas é um avanço considerável em relação ao FIFA 21. Divertido, desafiante e agora, com a vergonha global que foi o lançamento de eFooball 2022 (PES), ele é o simulador definitivo de futebol para este ano e o próximo.

Essa análise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Depois de anos e anos, FIFA 22 traz evolução clara

Gráficos - 9
Jogabilidade - 9.5
Diversão - 9
Desempenho e Polimento - 6

8.4

Ótimo

Os modos de jogo são fartos e os que sempre me atraíram estão bem melhores, ficando ainda mais viciantes. O modo Carreira de Jogador, que agora tem aspectos de RPG, foram uma grata surpresa, junto com a criação do próprio clube no modo Carreira Manager.

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Pedro Nogueira

Formado em Administração e em GunZ: The Duel. Rei dos FPS e o Toretto dos jogos de corrida no site. O nerd/entusiasta do PC Master Race, responsável por análise de periféricos e hardware. Quebra um galho de streamer lá na twitch.tv/ultimaficha.
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