Preview: série de TV de Halo tem futuro promissor

Demorou cerca de nove anos desde o anúncio na E3 de 2013 para que a série de TV de Halo ficasse pronta. Nesse meio termo, tivemos muitas mudanças de produção, vários games lançados e muitos boatos de cancelamento. Contudo, a série enfim chegará ao público no dia 24 de março de 2022. Eu tive acesso aos dois primeiros episódios disponibilizados pela Paramount+ para a mídia especializada e posso confirmar que a espera parece ter valido a pena. Leia abaixo minha análise prévia (preview) da série de TV de Halo enquanto esperamos o lançamento oficial.

obs: tentei ao máximo evitar spoilers, mas é possível uma menção ou outra a pontos específicos que não comprometem a história

Trama

O espectador começa caindo de paraquedas em um entreposto rebelde no planeta Madrigal no meio de uma guerra interestelar de duas frontes. Por um lado temos alienígenas conhecidos como Covenant contra a humanidade, representada aqui essencialmente pelo Comando Espacial das Nações Unidas (UNSC). Por outro lado, a própria UNSC caçando rebeldes pelos planetas do sistema, entre eles Madrigal. No meio de tudo isso está o conhecido espartano Master Chief (Pablo Schreiber) e a rebelde Kwan Ha (Yerin Ha).

Tudo isso se desenrola em uma sequência de abertura de dar inveja a altas produções do cinema. Com ação pesada, de alta intensidade e carga dramática, em menos de 10 minutos qualquer espectador entende que: 1) Covenant são brabos e humanos não são páreos para eles; 2) espartanos são máquinas de matar, únicos que podem fazer frente aos alienígenas; e 3) aliados e antagonistas não são tão claros assim. Além disso tudo, essa abertura também é uma carta de amor aos fãs da série, pois é fácil se sentir dentro de um jogo de Halo.

Um guerreiro Covenant

“Espartanos não são humanos”

Infelizmente, o primeiro episódio não nos conecta tanto assim com o personagem tão icônico da série, Master Chief. Pelo contrário, boa parte do capítulo mostra Chief e os outros espartanos como nada mais do que máquinas militares obedientes. Só os últimos 10 minutos são dedicados ao nosso querido espartano. Contudo, a revelação que temos é forte (e muito diferente dos games) o suficiente para entramos na sua cabeça e conectarmos com seus anseios. Já a rebelde Kwan Ha é apresentada devidamente como uma protagonista. Ou seja, desde o primeiro momento somos parceiros de seus medos e desejos.

Para além dos visuais, o texto do primeiro episódio deixa um pouco a desejar. Diálogos muito explicativos (mais do que série de TV exige) acabam atrapalhando os telespectadores mais exigentes. Por outro lado, o segundo episódio melhora um pouco, achando um equilíbrio mais saudável entre ação, visuais e diálogo mais cadenciado.

Mas é de fato um Halo?

Depois da intensa sequência de abertura, as similaridades com o game começam a ficar menos evidentes. Tirando alguns aspectos da história dos personagens, a série se solta das amarras dos consoles dá um pulo para a nova mídia (TV). Dessa forma, Halo deixa para trás o formato de videogame FDS e se torna mais complexa, tanto no sentido de sua ambientação quanto do arco de seus personagens. Afinal, uma série de TV não se sustenta só com um ou dois personagens.

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Master Chief e outros espartanos estão muito bem retratados na série. O protagonista em especial, parece recortado dos games e colado nas telas da TV, ou seja nada a reclamar nesse quesito. Algumas mudanças pontuais em certos inimigos e vilões podem incomodar fãs inicialmente, mas são mudanças bem vindas para o formato da TV. O acerto nessas mudanças ficam rapidamente evidentes quando a ambientação do universo é expandida em cenas seguintes e no segundo episódio.

Em outras palavras, todas essas mudanças são necessárias. Se a ideia de uma série de TV não for captar novas audiências, então que Halo ficasse apenas em jogos de videogame. Eu faço esse aviso, pois é imperativo que fãs entendam que TV é TV, videogame é videogame. Mudanças vão acontecer e, em sua maioria, para o bem. As dinâmicas da trama na televisão são diferentes de um jogo, ainda mais um FPS.

Ruínas desconhecidas

Aliás, falando em audiência, é visível o desafio que Halo terá em conseguir o máximo de audiência possível para sustentar a qualidade da produção da obra. A série conta com um design de produção de cair o queixo, efeitos especiais de primeira e, até então, muita ação. Tudo isso custa dinheiro, toneladas de dinheiro, e para fazer valer a pena o investimento, a Paramount precisa de retorno: audiência. Ou seja, se você é fã de Halo e quer ver essa série dar certo, comece a indicar ela para todo mundo, todo mundo mesmo.

Vale a pena?

A série de TV de Halo pode não ser exatamente o que você esperava, mas certamente é a obra que vai prender pessoas. A jornada dos protagonistas é tocante e gera empatia suficiente para qualquer pessoa que assiste e isso vai fazer muita gente sentar o bum bum no sofá e experimentar Halo. Por trás do arco de cada um deles, há também uma trama maior que deve conduzir a(s) temporada(s) e a guerra com os Covenant adiante. Além disso, os primeiros episódios deixam várias pontas soltas para nos manter curiosos.

Entre acertos e erros pontuais, os dois primeiros capítulos da série de TV de Halo parecem nivelar bem o terreno para essa primeira temporada. Fãs e nova audiência vão ser bem-vindos nessa empreitada espacial com muita ação, efeitos especiais e fantasia. O resultado final só saberemos dentro de algumas semanas, mas a boa notícia é que uma segunda temporada já está confirmada, independente do sucesso dessa temporada inicial.

Nos vemos no dia 24 de Março!

Kwan Ha – Rebelde de Madrigal

Ricardo Carvalho

Gosto muito de escrever, desenhar, de me frustrar com política, de filosofar no barzinho, assistir filmes e defender que games são arte! Me segue no twitter que eu sigo de volta, beleza? twitter.com/perfilricardoc Beijos e boas jogatinas!
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