Análise: B.I.O.T.A. matando saudades do meu game boy

Tanto pelo lado bom, quanto pelo ruim

Desenvolvido pela pioneira Small Bros e publicado pela Retrovibe chegou agora, dia 12 de abril, o game B.I.O.T.A.; mais um indie que tenta entrar nesse concorrido mercado e conquistar seu espaço com visual retrô focado na diversão e nostalgia. Será que ele consegue sua fatia do bolo? Venha conferir em nossa análise de B.I.O.T.A.

O game está disponível para PC via Steam e GOG e conta com legendas e interface em PT-BR.

Por mais simples que seja, B.I.O.T.A. possui história – Análise

Supreendentemente para um game com essa proposta, B.I.O.T.A. possui uma história até que interessante. Com a queda de um meteoro no século 22, um novo elemento fez com que a humanidade descobrisse uma nova fonte de energia. Esta tornou viagens interplanetárias viáveis e fez com que várias companhias de mineração competissem pela colonização de outros planetas. Porém, em uma mina da empresa V-Corp um organismo vivo, posteriormente chamado de “o agente”, dominou o ecossistema. Por conta disso, um grupo de cientistas são enviado para estudá-lo, porém, não retornam. Logo após isso, o esquadrão, o GEMINI II é enviado para descobrir o que aconteceu, e é aqui que sua aventura começa.

Visual simples e exagerado

O visual de B.I.O.T.A. conseguiu atiçar minha nostalgia. Ele possui gráficos típico do meu antigo – e querido – game boy. Além disso, existe a possibilidade de trocarmos a paleta de cores com uma opção considerável de escolhas. A variedade é bem grande e lembra algumas versões do nosso queridíssimo console portátil. Isso reforçou mais ainda a sensação de nostalgia que o game me proporcionou e agradou bastante, a princípio. Infelizmente B.I.O.T.A. acabou pecando bastante pelo exagero. Por mais que trazer uma melhoria ao clássico, o excesso de efeitos e explosões na tela atrapalharam mais do que agradaram.

Além disso, o próprio cenário possui efeitos que, por muitas vezes, eu não soube dizer se eram enfeites ou algum tipo de obstáculo. Eventualmente eu perdia a visão do personagem ao enfrentar um inimigo comum e o mesmo explodir. O que cobria boa parte da minha visão – e vale lembrar que em muitos momentos eram diversos inimigos.

Gameplay com variedades agradáveis, mas excessivas

B.I.O.T.A. possui controles bastante simples que consistem em pulo, tiro e especial. Começamos podendo trocar entre 4 personagens e é possível abrir outros 4 ao longo do game. Cada um possui habilidades e atributos diferentes. Por exemplo, o sniper – que por sinal é brasileiro – tem atributos focados no ataque a distância. Enquanto conta com a habilidade de disparar contra qualquer inimigo da tela em qualquer posição.

O mapa consiste em blocos a serem explorados e cada um conta com caminhos e inimigos que reaparecem ao sairmos e voltarmos. Para avançar precisamos coletar recursos dos inimigos que servem para comprar itens chave, do mesmo modo que evoluções para os personagens. Existe uma limitação desses recursos que podemos carregar. E um dos principais objetivos é achar mais “bolsas” que aumentarão esse limite, o que nos permitirá juntar para os itens chaves mais caros.

Essa característica do game é até divertida contudo, se tornou bastante enjoativa e repetitiva com o tempo. Por termos necessidade de explorar uma área, voltarmos a base e depois caminhar passando por tudo novamente, até chegarmos à loja e/ou objetivos, o game acabou criando uma repetitividade que se tornou cansativa rapidamente. Isso se sente ainda mais nos “mini-games” – ou foi assim que eu os considerei – que são partes do game onde a dinâmica muda temporariamente. Por exemplo, quando pegamos gasolina para um robô, precisamos passar por uma área cheia de inimigos. A dinâmica muda completamente, o que é bom à primeira vista. Porém, é tão prolongada que se torna chata rapidamente. ainda mais considerando que o game é um pouco difícil em alguns pontos e na hora da ação o save é pontual. Tornando essas partes ainda mais longas.

Uma experiência auditiva nostálgica

Falando do seu áudio, B.I.O.T.A. também não nega ao que veio. Com músicas e efeitos sonoros dignos dos games retrô o game consegue nos transportar de volta no tempo. Essa característica do game pode também ser um dos seus maiores problemas visto que essas músicas e efeitos se tornam rapidamente enjoativos e até mesmo irritante. O que fez horas de jogatina algo até mesmo difícil de aturar. Do mesmo modo que, ao contrário do que havia na época – por limitações técnicas, a introdução é totalmente narrada. Isso acabou destoando um pouco da proposta geral do game. Infelizmente, pelo menos para mim, certas coisas não envelheceram muito bem.

Conclusão da Análise de B.I.O.T.A.

B.I.O.T.A. não esconde para o que veio. O game traz nostalgia, mas não deixa de entregar uma história, o que costuma ser deixado de lado para esse tipo de game. Além disso, ele possui um visual retrô e áudio com a mesma pegada, contudo acaba pecando bastante pelo excesso. Isso também se reflete em sua jogabilidade que, embora seja bem divertida a princípio, também se torna bem cansativa com o tempo. Nesse sentido, infelizmente B.I.O.T.A. provavelmente não irá agradar a todos, principalmente aos que não forem muito nostálgicos ou fãs do gênero. Mas possivelmente não deixará de matar um pouco a saudade e a vontade daqueles que são.

Essa análise de B.I.O.T.A. segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

B.I.O.T.A.

Visual, ambientação e gráficos - 5
Jogabilidade - 6
Diversão - 5
Áudio e trilha-sonora - 5
Nostalgia - 8

5.8

Fraco

B.I.O.T.A. é um game que consegue trazer uma boa nostalgia para os mais saudosistas e fãs do gênero, mas que acaba pecando nos excessos. Não recomendo se você não se enquadra em um dos casos.

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Guilherme Segal

Apaixonado por games desde o Atari. Curte tanto PC que possui quase 800 jogos na Steam. Mas ainda acha que os games de hoje em dia não possuem o mesmo charme dos antigos, motivo pelo qual ainda joga Heroes of Might and Magic 2 até hoje.
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