Análise: Unplugged traz uma experiência única de hand tracking ao VR

Jogo está disponível para Meta Quest e não necessita de acessórios para ser jogado, fazendo uso de uma funcionalidade pouco explorada do dispositivo

O gênero de jogos rítmicos se consolidou nas memórias dos jogadores há décadas, desde experiências simplistas como nas famosas estações de dança do clássico Dance Dance Revolution e até as festas agitadas aos sons das mais diversas bandas com Rock Band e Guitar Hero. As mecânicas de precisão e timing para acertar cada comando datam desde jogos dos anos 70, mas um dos maiores pontos de virada para o gênero ocorreu em 1996, com a chegada de PaRappa the Rapper.

Do Playstation 1 até a geração atual de consoles, os jogos de ritmos passaram por uma popularidade enorme, recebendo dezenas de acessórios dos mais diversos tipos, com instrumentos de plástico, tapetes de dança e até bongôs dignos do gorila mais famoso da Nintendo. Mas após a saturação de muitas destas franquias, os desenvolvedores tiveram que repensar as possibilidades de como inovar no meio, e entregar aos fãs de rock uma experiência divertida e reconfortante que reacendesse este sentimento de atingir notas e fazer parte de uma banda em ascensão.

Esta análise de Unplugged foi possível graças a um código cedido pela produtora. O jogo está disponível para Meta Quest e PC (via Steam).

Brincando de guitarra

Unplugged traz uma análise única aos jogos de ritmo, possibilitando aos jogadores manusear uma guitarra sem a necessidade de quaisquer acessórios adicionais nos dispositivos Meta Quest. Visto que o console conta com diversas câmeras integradas, o mesmo possui a capacidade de mapear os dedos dos jogadores e acompanhar os movimentos dos mesmos em torno do instrumento imaginário.

Por conta disso, a experiência é um pouco familiar a jogos de sucesso do passado, levando-nos a segurar os botões de nota com uma das mãos e a palheta com a outra. Após a preparação do posicionamento da guitarra, as notas aparecem à nossa frente e o fluxo segue da mesma maneira que em Guitar Hero. Algumas notas tem uma duração mais elevada, outras não necessitam que os jogadores dedilhem a guitarra, e nas seções de Solo, o jogador pode utilizar quaisquer notas para se sentir uma estrela do rock e ganhar pontos.

Apesar da forte semelhança com games do passado, Unplugged se coloca à prova de maneira arriscada ao remover qualquer resposta tátil aos jogadores sem utilizar acessórios nas mãos. Com a proposta de tornar a experiência de Air Guitar ainda mais realista, o jogo exige que seja configurado o posicionamento da guitarra a cada música, a fim de confirmar que o jogador esteja com o instrumento no local correto. No entanto, isso acaba quebrando o fluxo do game ano caso dos jogadores posicionarem o instrumento incorretamente, ou em locais diferentes a cada música.

Vale ressaltar que apesar de bastante preciso, certos movimentos pode tirar o reconhecimento das mãos, e isso também ocasionará em notas erradas e dificuldade para retomar o reconhecimento dos dedos pelo Meta Quest. Tudo isso varia de jogador para jogador, mas a experiência funciona conforme esperado em sua maior parte.

Diversos hits de Rock para curtir

Assim como qualquer jogo de ritmo, Unplugged precisa contar com uma boa trilha sonora para que suas mecânicas sejam cativantes aos jogadores. Por conta disso, os fãs de Rock devem se sentir bem servidos com 24 músicas inclusas no game, contendo Ozzy Osbourne, Tenacious D, Lynyrd Skynard, The Clash, entre outros. O jogo ainda contará com pacotes de música extra que desbloquearão canções adicionais e podem ser adquiridos a parte.

Vale ressaltar que cada música possui três diferentes níveis de dificuldade, que devem servir possibilidades de aprimorar suas habilidades no game e expande o fator replay da experiência como um todo. Em conjunto às músicas, os jogadores podem desbloquear novas localidades para se apresentarem e variações de guitarra com base na quantidade de fãs que possuem. Cada canção tocada agregará um número de fãs, e com isso é possível selecionar modelos de guitarra novos disponíveis na loja do jogo.

As músicas possuem rotinas bastante diversas e exigirão que os jogadores se dediquem a aprendê-las, mas o sentimento de acertar diversas notas em sequência com certeza cativará os fãs de jogos rítmicos. Fora isso, com base no desempenho dos jogadores durante as canções, a plateia poderá interagir de maneiras diferentes, jogando objetos no guitarrista caso esteja se tocando mal, ou lançando sutiãs ao final de cada música se a performance for um sucesso. Isso é mais um detalhe que confirma como Unplugged funciona bem em um ambiente de Realidade Virtual, e poderia não acertar tanto em plataformas convencionais.

Conclusão da análise de Unplugged para Meta Quest e PCVR

Unplugged é uma experiência bastante única por trazer o sentimento de jogar Guitar Hero sem a necessidade de acessórios que ocupam um espaço imenso nas casas dos jogadores. Com uma trilha sonora não tão grande, mas justa considerando o valor do game no mercado, o fator Replay se mantém bastante grande para valer o preço da experiência.

Ainda, o game conta com gráficos bastante agradáveis e promove uma enorme imersão tanto mecânica quanto visual nas diferentes localidades presentes no jogo. O game chega a apresentar problemas de rastreamento das mãos no Meta Quest 2, porém com algum cuidado dos movimentos, os jogadores poderão se entregar por completo à experiência. Acredito que imersão seja algo muito importante para definir um bom jogo VR, e é exatamente este o sentimento que se passa durante toda a jogatina.

Essa análise de Unplugged segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Unplugged

Visual, ambientação e gráficos - 8
Jogabilidade - 8.5
Diversão - 8.5
Áudio e trilha-sonora - 7

8

Ótimo

Unplugged traz uma variação dos clássicos Guitar Hero mas tirando a estrela do show: a guitarra. Fazendo bom uso do rastreamento de mãos dos Meta Quest, o jogo diverte e renova um pouco do gênero que passou por uma saturação enorme na última década.

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Nicolas Togashi

Graduado em desenvolvimento de jogos e aficionado por essa mídia, perde mais tempo jogando do que efetivamente utilizando a graduação para alguma coisa. Ama RPGs, e se esforça para ser um bom aliado nos jogos online.
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