Análise: The Centennial Case – A Shijima Story é um jogo nichado

The Centennial Case: A Shijima Story é o mais novo jogo de aventura e mistério em live action da Square Enix. Dirigido por Koichiro Ito, que trabalhou com Hideo Kojima em Metal Gear Solid V, e produzido por Junichi Ehara, responsável por Nier: Automata, The Centennial Case traz uma história cheia de mistérios interpretada por atores de verdade.

Confira a nossa análise de The Centennial Case: A Shijima Story abaixo:

O enredo

O jogo nos coloca na pele de Haruka Kagami, uma escritora de livros de mistério em ascenção que é recrutada por Eiji Shijima, um cientista que a auxilia na criação das histórias, para solucionar o caso de um assassinato na propriedade da sua família. Em meio a essa trama, a jovem escritora se vê em um mistério complexo, que envolve uma sequência de assassinatos que ocorrem ao longo de um século. Através do raciocínio lógico a escritora vai juntando pistas e mistérios para criar hipóteses que levem à solução dos assassinatos, que envolvem a família Shijima, dona de uma empresa de biotecnologia pioneira, e um suposto Fruto da Juventude, que teria o poder de prolongar a vida dos seres humanos.

As mecânicas do jogo

À medida em que vamos avançando na história, vamos descobrindo junto a Haruka pistas que vão auxiliando o jogador a criar hipóteses sobre os diferentes assassinatos. Cada capítulo é dividido em três partes, que são Incidente, Raciocínio e Solução, e é basicamente aqui que o gameplay do jogo acontece. Sempre que terminamos de assistir o Incidente de cada capítulo, somos introduzidos a um tabuleiro com hexágonos vermelhos, que apresentam questionamentos, e cinzas, que liberam hipóteses sempre que encaixamos as pistas corretas. Sempre que habilitamos uma hipótese, uma cutscene simples é mostrada representando o que poderia ter acontecido. Dessa forma, vamos juntando as peças do quebra cabeça de cada mistério para tentar descobrir quem é o assassino de cada capítulo.

A grande questão é que nem todas as hipóteses são corretas, e a cada capítulo, perdemos pontos de raciocínio que diminuem o nosso rank geral toda vez que erramos nas nossas decisões. Para auxiliar nesse sentido, o jogo oferece mapas, replay de cenas, dicas, textos e organogramas que demonstram visualmente o que aconteceu e facilitam o raciocínio do jogador. A sensação que eu tive usando todas essas ferramentas e pensando em todas as possibilidades é a de jogar o clássico jogo de tabuleiro Detetive. A história e todas as cenas do jogo são muito bem desenvolvidos, fazendo com que o jogador precise prestar atenção em todos os detalhes para solucionar os casos. Apesar de algumas cenas inesperadamente cômicas, eu realmente fiquei imerso no jogo tentando entender quem poderia estar por trás de todos os acontecimentos. Eu confesso que The Centennial Case não é o meu tipo de jogo, mas ainda assim, ele conseguiu prender a minha atenção através do bom roteiro.

Uma boa atuação

Claro, nada disso funcionaria se o jogo não tivesse uma boa atuação. Como o gameplay se resume ao tabuleiro de raciocínio, a Square Enix precisou focar no elemento mais importante do jogo, que são os atores. Todos eles são bastante expressivos, e conseguem incrementar o clima de mistério muito bem, sempre colocando uma pulga atrás da orelha do jogador. Todos os personagens são bastante interessantes em todos os capítulos, e é difícil ler o que cada um poderia estar tramando até a fase final do Raciocínio. Aliado a isso, o jogo conta com uma trilha sonora que complementa bem cada momento, criando momentos de tensão nas horas certas. A cinematografia de The Centennial Case é muito boa, e não poderia ser diferente, já que o jogo conta com a presença de Yasuhito Tachibana, diretor de fotografia e cenário conhecido por “The Naked Director”, da Netflix.

Um gameplay simples demais

Apesar de todos esses acertos, o jogo tem algumas falhas que acabam o deixando enfadonho em alguns momentos. Surpreendentemente, a parte mais interessante do jogo são as cenas, que sustentam uma clima de mistério a todo momento. O problema é quando chegamos no tabuleiro de raciocínio e precisamos montar as hipóteses. Cada pista precisa ser encaixada na pergunta certa e, para isso, o jogo nos dá formas geométricas que indicam os hexágonos que se encaixam. Quando eu percebi isso, eu praticamente parei de pensar nas perguntas e dicas e comecei a simplesmente juntar as formas sem nem me preocupar com as hipóteses que eu estava descobrindo. Isso diminui em certa parte a premissa do jogo, que é o raciocínio, e atrapalha na imersão. Outro fator que não me pareceu muito bem pensado também foram as cenas criadas para cada hipótese. Todas elas são extremamente simples, e a impressão que fica é que a equipe de desenvolvimento nem se esforçou muito para dar algum dinamismo a elas. Esses dois fatores juntos foram uma bola fora da Square Enix que poderia ter sido melhor trabalhado sem gastar muitos recursos.

Conclusão – Análise: The Centennial Case – A Shijima Story

Para resumir essa análise de The Centennial Case: A Shijima Story é um jogo que vai agradar aos fãs desse gênero extremamente nichado de jogos de live action. A história, a atuação, a dublagem original e o roteiro são bem feitos e sustentam o jogo. O ponto fraco fica justamente para o gameplay, que se torna enfadonho quando as fases de Raciocínio ficam mais extensas. E vale fazer duas colocações: a primeira é que o jogo não possui qualquer tradução para português, então se você não fala uma das línguas suportadas, vai ser impossível jogar. A segunda é que o jogo está caríssimo, pelo menos nesse momento de lançamento. Se você realmente gosta do gênero e ficou interessado em jogar, eu esperaria por uma promoção.

A análise de The Centennial Case: A Shijima Story segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

The Centennial Case A Shijima Story

Visual, ambientação e gráficos - 7
Jogabilidade - 6
Diversão - 6
Áudio e trilha-sonora - 8
Narrativa - 8.5

7.1

Bom

The Centennial Case: A Shijima Story traz uma boa história, mas peca no seu gameplay monótono.

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Bernardo Cortez

Formado em Relações Internacionais, Bernardo aproveitou o dom de escrever para algo útil. Músico, viajante, cronista e amante de qualquer coisa que seja relacionada a jogos, seu sonho é ser jornalista na área. Tem um carinho especial por jogos que tragam o melhor de todas as formas de arte que os englobam.
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