Análise: Sonic Origins faz jus ao Ouriço Azul?

Muita nostalgia envolvida

Eu sempre fui fã de Sonic e sempre tive um carinho enorme pelos jogos clássicos da época do Mega Drive. E sabendo desse sentimento que é compartilhado por milhões de fãs do ouriço azul em todo mundo, a SEGA resolveu lançar a coletânea Sonic Origins onde trarei sua análise aqui.

Será que vale a pena comprar pela milésima vez Sonic 1, Sonic 2 e por aí vai ou é mais do mesmo? Será que temos aqui modos que adicionam conteúdo ou não? E a polêmica dos bugs e problemas? Vocês irão conferir tudo aqui na análise de Sonic Origins.

A análise de Sonic Origins foi possível graças a um código cedido pela produtora. O jogo já está disponível para PS5, PS4, Xbox Series, Xbox One, Nintendo Switch e PC e conta com legendas em PT-BR.

Pincelando os jogos clássicos

Eu não estou aqui para julgar os jogos clássicos, pois não sou digno de criticar as obras de arte da década de 90. Brincadeiras a parte, eu ficava meus finais de semana em minha infância zerando um Sonic atrás do outro e descobrindo seus inúmeros segredos e mais. Portanto, já posso cravar que os jogos são maravilhosos, com exceção do Sonic CD que falarei em breve.

Nesta coletânea dos jogos clássicos nós temos Sonic 1 que deu início a franquia, Sonic 2 onde adicionaram o famoso Tails e Sonic 3 já com Sonic e Knuckles. Ao jogar essas maravilhas numeradas é possível ver claramente a evolução em diversos sentidos com novos desafios, gráficos mais detalhados, novas mecânicas e mais.

Perfeição apenas

Por exemplo, a partir de Sonic 2 o herói pode se transformar em Super Sonic. Já em Sonic 3 ele consegue escudos que dão novas habilidades e resistência a ele. Aqui temos uma sequência numerada absolutamente fantástica.

E andando de mão dadas com os jogos mencionados, temos também nesta coletânea Sonic CD que só podia ser jogado na época com o SEGA CD que se conectava ao Mega Drive. Sendo sincero, eu não tive o SEGA CD e não joguei o jogo na época. Mas diversas vezes posteriormente eu tentei jogá-lo, incluindo nesta coletânea, e o sentimento é o mesmo.

É um jogo bagunçado e estranho. Aqui temos uma mecânica de viagem no tempo que muda um pouco a ambientação de cada fase assim como a fase em si. Adicionalmente, todas as fases são muito poluídas visualmente e fazem pouco sentido se parar para analisar o game design. Por fim, a animação de viagem no tempo é chata e acontece muitas vezes tirando a fluidez do jogo.

Mas de qualquer forma, todos os jogos escolhidos foram ótimas escolhas e gostar mais ou menos de algum deles é questão de gosto pessoal.

Knuckles em Sonic 1? Sim, aqui pode!

Novidades em Sonic Origins

E agora começo na parte interessante da análise de Sonic Origins. Afinal, quais são as novidades trazidas pela SEGA para justificar esta coletânea?

Curiosamente eu me surpreendi ao jogar e ver que muita coisa foi adicionada. Antes de mais nada, além de uma entrada animada muito bem feita, cada um dos jogos possui uma entrada e fim animados que é muito bacana.

Além disso, cada um dos jogos tem o modo aniversário, que é a remasterização dos jogos colocando na dimensão 16:9, ou seja, com a tela estendida, e que também possuem vida infinita. Adicionalmente, cada um dos jogos possuem um modo no estilo Boss Rush onde é possível enfrentar um chefão atrás do outro sem anéis de poder, o que é bem desafiador. Por fim, é possível escolher o modo clássico caso queira jogar na dimensão 4:3 e voltar ao esquema de vida clássico. E o jogo ainda possui um sistema simples de filtros para adaptar a tela ao seu gosto.

Especificamente para Sonic 3 e Knuckles é possível jogar o modo bônus de coletar as bolas azuis de forma seguida. A novidade aqui é que é possível optar pelas novas fases que contam com a bola verde, que vira azul após ser tocada, e também a bola rosa que te teletransporta para um lugar da fase.

Adicionalmente existe um modo história onde você irá jogar os jogos de forma cronológica que efetivamente não muda nada. E também existe um modo espelho onde jogará todas as fases ao contrário.

E agora que tirei da frente as mudanças mais técnicas, existem duas grandes mudanças no jogo. A primeira é que como a vida foi removida do jogo em seu modo aniversário, é possível pegar moedas que servirão para tentar novamente uma fase de pegar uma esmeralda do caos, caso tenha falhado, ou então liberar uma infinidade de itens no museu.

Jogue com quem quiser, aonde quiser

Já a segunda novidade é que é possível jogar com Tails e Knuckles em jogos que originalmente não estavam disponíveis como em Sonic 1, por exemplo. Fiquei surpreso ao ver que funciona, mas acaba quebrando um pouco o jogo, em especial com o Knuckles que pode planar por muito tempo e dribla todos os desafios.

E por fim, faço a nota da inclusão do spin dash em Sonic 1 que originalmente não existia assim como do drop dash que veio do Sonic Mania, mas sendo bem honesto, não foi tão bem implementado quanto poderia ser.

Um museu para os fãs

Eu mencionei há pouco nesta análise que Sonic Origins conta com um novo esquema de moedas certo? Então, essas moedas poderão ser utilizadas para desbloquear inúmeros itens no museu do jogo.

Novas animações são incríveis

Será possível desbloquear músicas e versões alternativas, vídeos, concept art e até vídeos da orquestra sinfônica tocando algumas músicas em celebração aos 30 anos de Sonic. Eu como fã achei esse museu fabuloso e certamente irei desbloquear tudo.

E para conseguir essas moedas existem dois jeitos. A primeira é ganhar o que seria a vida durante a jogatina, ou seja, coletar 100 anéis, achar as caixas com essas moedas ou então fazer uma boa pontuação no fim de cada fase.

Já a outra forma de conseguir essas moedas é através do interessante modo desafio. Nele você será jogado em partes específicas com configurações específicas de cada fase e deverá alcançar a melhor nota possível. Seja um desafio de tempo, de moedas ou para destruir uma quantidade específica de inimigos, você terá um desafio para lhe render um ranking e claro, moedas.

Tails, você está bem ai meu amigo?

Polêmicas e bugs

E bem, até o momento eu falei das novidades que Sonic Origins trouxe, mas eu nunca falei se elas funcionam ou não perfeitamente.

Quem está acompanhando o conturbado lançamento do jogo, está ciente de muitos problemas e bugs que o jogo está carregando.

O primeiro que todos viram até antes do lançamento foi seu preço. Ele hoje custa R$ 215 em todas as plataformas, o que acaba sendo um valor um tanto elevado para o que é oferecido.

A segunda é que algumas músicas de Sonic 3 foram removidas por causa de direitos autorais e músicas inferiores foram coladas em seu lugar. Você pode conferir este vídeo que o canal da GameXplain fez onde explica exatamente as músicas que saíram (Carnival Night Zone, Ice Cap Zone e Launch Base Zone) e quais foram colocadas em seu lugar. Resumidamente, o eterno imbróglio jurídico com a participação de Michael Jackson, fez com que as músicas das fases mencionadas fossem substituídas por músicas de quando o jogo estava em seu estado de protótipo.

E por fim, temos os bugs. Inclusive esse problema escalou quando o próprio desenvolvedor do jogo Simon ‘Stealth’ Thomley, fundador da Headcannon e que produziu o excelente Sonic Mania, falou que o jogo possuia bugs e a SEGA estava ciente disso, mas que não permitiu corrigir os erros por causa da data de lançamento.

Eu só acho que esses anéis não deveriam estar aí…

Sendo muito sincero, os bugs variam de pessoa para pessoa assim como de plataforma. Eu vi muita gente reclamando da versão de PC e de Nintendo Switch, mas no PS5, os bugs estão bem mais suavizados. Uma informação interessante que posso trazer aqui é que diferente de muitos ports que vemos por aí, incluindo do próprio Sonic, em Sonic Origins temos todos os jogos refeitos na mesma engine de Sonic Mania. Com isso, temos animações mais polidas, fases mais estáveis a 60 frames e resolução nativa a 4K como percebi em meu PS5. Muitos dos bugs podem ser provenientes do fato do jogo ter sido refeito e não apenas portado.

E dentre estes bugs, eu não achei nada que quebrasse o jogo, mas foi possível ver muita coisa como o Sonic empurrando uma parede invisível ou então o Tails ficar preso fora da fase dando para ouvir ele pulando e acelerando, mas nada acontecia. Isso aconteceu demais em Sonic 2 e admito que era irritante. Já algo que vi muito em Sonic CD, foi o péssimo posicionamento das caixas com bônus ou então as moedas. Muitas delas apareciam em lugares que era impossível de alcançar, como dentro das construções.

Eu não tive o sentimento de ter minha experiência quebrada nos jogos, mas certamente existiu uma frustração de um produto não finalizado e com falta de polimento. E caso queira focar apenas nos possíveis problemas do jogo, a internet está recheada de exemplos.

E lá vamos nós de novo

Conclusão da análise: Sonic Origins vale a pena?

Sonic Origins coloca o fã do ouriço azul em uma posição muito complicada. De uma lado temos sim uns dos melhores jogos do mascote da SEGA com novidades interessantes, modos divertidos e um museu robusto. Isso além do fato de podermos jogar em widescreen e livremente a 60 frames o que melhora muito o controle dos personagens e a fluidez de toda a experiência do jogo.

Porém, de outro lado temos algumas músicas chaves que não chegaram a versão final do jogo com substitutas que estão em um nível abaixo. Temos também bugs que podem atrapalhar a experiência e tirar a imersão.

E, por fim, temos um preço que está acima do que seria justo para jogos tão antigos. Talvez se a SEGA tivesse adicionado jogos como Sonic 3D Blast e Sonic Spinball e feito uma coletânea pensando na era do Mega Drive, esse preço seria mais justificável. Ou então, quem sabe, colocar Sonic Mania também no pacote.

A grande verdade é que é possível esperar patches de correção assim como uma promoção antes de comprar Sonic Origins.

Essa análise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Sonic Origins traz muitas novidades

Visual, ambientação e gráficos - 8.5
Jogabilidade - 8
Diversão - 8.5
Áudio e trilha-sonora - 8.5
Polimento - 6

7.9

Bom

Sonic Origins é um pacote com os melhores jogos do mascote azul da SEGA e traz novidades interessantes e inesperadas juntamente com um museu recheado de artes e vídeos. Infelizmente, falta ainda um polimento final para podermos indicar o jogo de olhos fechados, ainda mais se considerar seu preço elevado.

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Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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