Análise: Streets of Rage 4 é impecável

Jogo entrega uma maravilhosa experiência e renova a série

Streets of Rage 4 é o mais novo jogo da franquia que estava em um hiato de duas décadas. A franquia originalmente lançada para Mega Drive teve seu último jogo Streets of Rage 3 lançado em 1994 e agora o quarto jogo retorna com dezenas de novidades.

Prepare seu continue, chame seu Player 2 e confira nossa análise desse excelente jogo que coloca o gênero Beat Them Up de volta aos holofotes.

Uma nova velha história

A história de Streets of Rage 4 segue o mesmo caminho de seus antecessores. Para quem não sabe, a franquia conta a história de uma cidade onde o crime organizado tomou conta da cidade e cabe a um grupo de justiceiros acabar com essa situação.

O vilão da as caras

Mais uma vez seguimos esse mesmo estilo de história. Aqui a empresa Y está dominando a cidade, incluindo a polícia através de uma nova tecnologia de controle mental via música. Clássicos personagens como Axel, Adam e Blaze se unem a novos personagens como Floyd e Cherry para derrubar esse novo mal que paira sobre Wood Oak City.

A história é bem simples e ela serve seu propósito de dar uma razão para nossos heróis seguirem em frente (algo obrigatório em um Beat ‘em Up). Quando eles interagem com um novo personagem ou então trocam de fase, aparece uma animação que lembra muito um quadrinho. A arte é extremamente agradável!

O legal é que todas as 12 fases são muito representadas e aqui fica o primeiro elogio: Como tudo é muito bem feito. Não estamos falando de gráficos AAA logicamente, mas o jogo traz um charme e uma alta qualidade para esses gráficos 2D cartunesco, cheio de inimigos e objetos interativos.

Levando chicotada

Streets of Rage 4, um Beat ‘em up com cara de jogo de luta

Logo que iniciei Streets of Rage 4 eu escolhi o Axel e comecei minha aventura. A minha primeira impressão foi: Poxa! Bem que ele podia ter uma esquiva e/ou uma defesa. Logicamente algum tempo depois eu morri e comecei a testar os outros personagens e tudo ficou claro.

Esqueça a pancadaria desenfreada dos Beat ‘Em Up usuais. Aqui nós temos algo muito técnico e cada personagem é único. Primeiramente, nós temos estilos únicos. Axel é equilibrado. Blaze é equilibrada, mas muito ágil. Já Floyd é um verdadeiro tanque de guerra. Cherry é ultra rápida e é a única que corre. Já Adam, também é equilibrado, mas tem um dash. Isso analisando os personagens do jogo.

Ou seja, você não irá escolher um personagem porque é mais legal ou bonito. Você irá ser um expert em um personagem, assim como em um jogo de luta. Irá ter que pensar em agilidade, força de ataque, de vida e no especial de cada um. Assim como algumas características únicas. Mas isso é apenas parte do gameplay.

Quase um Kame Hame Ha

Ao entrar na luta, temos muitas coisas a considerar. A primeira é que ao apertar o direcional para frente duas vezes + ataque irá dar um golpe diferenciado e estiloso. Além disso, existe um botão dedicado à um especial, este, como sempre, é uma grande aposta. Ao utilizá-lo, irá dar um grande dano e inclusive poderá interromper ataque dos inimigos. Porém, esse ataque irá comer parte da sua vida. Mas não se preocupe, caso consiga encaixar alguns ataques normais, poderá recuperar sua vida. Mas caso receba dano, você perdeu a aposta.

Isso é apenas uma fração do gameplay do jogo e dos personagens. Ele é extremamente estratégico ainda mais se incluir os diversos chefões e subchefes. Também será possível utilizar diversos itens deixados no chão, uma interação clássica para o estilo. Inclusive, tacar um item, pegá-lo no ar e sentar uma marretada logo em seguida é um grande prazer.

5 minutos no tapa sem perder a amizade

Fator replay sensacional. Jogue com um amigo!

Streets of Rage 4 tem cerca de 3 a  4 horas de gameplay para finalizar a campanha pela primeira vez, porém, essa não é a graça do jogo. Você terá inúmeros motivos para jogar diversas vezes.

A cada nova fase, você irá ter uma quantia de pontos que irá encher uma barra. A cada novo ponto alcançado, você irá receber um dos personagens de Streets of Rage 1, depois do SOR 2 e por fim, SOR 3. Sim, você não leu errado. Você irá ter no final do jogo quase TODOS os personagens da franquia (dois personagens de SOR 3 ficaram de fora). O legal é que irá jogar com eles pixelados como se tivesse vindo diretamente do Mega Drive. Esses personagens tiveram um tratamento especial para entrar no jogo incluindo um trabalho na iluminação deles.

E sim, cada um desses novos personagens terão sua área de ataque e seu especial. Isso aumenta ainda mais o balanceamento do jogo e a especialização em um personagem. A exceção são os personagens do SOR 1 que são mais simples. Caso tente usá-los, terá um desafio ainda maior.

Um outro motivo para re-jogar, é para ter aquela nota máxima em cada fase (sou ruim e fiquei feliz com A e B). Felizmente é possível escolher a fase que quer jogar por qualquer motivo que seja. Além de escolher as fases existem vários modos como poder jogar o modo arcade (igual ao modo história, mas sem receber novas vidas quando passa de fase), é possível jogar o dificílimo modo chefão onde deverá encarar todos os chefões do jogo um atrás do outro e também é possível entrar em um modo “contra” onde dois personagens podem cair na porrada.

Dificuldade Mania. Tem que ser maníaco para ir nela!

Mas o que faz esse jogo brilhar intensamente é o modo cooperativo. Jogar com um amigo transforma a experiência em Streets of Rage 4. Já mencionei que como o jogo é técnico, é possível fazer diversas ações em dupla como um segurar o inimigo e o outro bater nele. Ou então tacar um inimigo para você poder continuar batendo nele. Ou então brincar de “não deixa a bola cair” e tentar dar inúmeros ataques em um pobre coitado (incluindo chefões).

Todos os modos são jogáveis entre amigos e isso acaba melhorando muito a experiência. Embora tenha sofrido um pequeno lag durante a jogatina, não foi nada que tenha atrapalhado e me diverti por mais de 12 horas sem ver o tempo passar.

Desce uma gelada meu bom canguru

Streets of Rage 4 está repleto de detalhes e homenagens

Chegando ao final da análise de Streets of Rage 4, tenho alguns breves e ótimos detalhes a serem abordados. O primeiro é a excelente trilha sonora que ouvirá ao longo do jogo. E se for nostálgico, não se preocupe, é possível mudar para a trilha 16 bits.

Outra coisa legal é que existem diversas homenagens/detalhes/easter eggs dentro do jogo. Um rápido exemplo que posso dar é que em certo momento você enfrentará duas chefonas que tem referência a Beyoncé e a Rihanna. Existem diversos outros detalhes que valem a pena ficar de olho, incluindo referências a antigos jogos da franquia.

Um detalhe que pode ser bobo para muitos, mas que achei interessante é que além de poder escolher a trilha sonora antiga, é possível também mudar o desenho dos itens de recuperação. Que tal um bolinho de arroz ao invés de uma maçã? Ou então um Llamén ao invés do frango assado?

E, para fechar, vou dizer que existem segredos muito legais ao longo do jogo. Inclusive a possibilidade de jogar contra chefões dos jogos antigos. Mas como se faz isso? Bem, é segredo e lhe desejo boa sorte para descobrir!

Essa análise segue nossas diretrizes internas. Clique aqui e confira nosso processo de avaliação.

Streets of Rage 4 é MUITA diversão garantida

Visual, ambientação e gráficos - 10
Jogabilidade - 10
Diversão - 10
Áudio e trilha-sonora - 10
Fator Replay - 10

10

Perfeito

Streets of Rage 4 consegue de forma magistral reviver a franquia ao trazer uma excelente trilha sonora, gráficos e ambientações muito bons e uma jogabilidade muito técnica que lembra os mais apurados e balanceados jogos de luta. Com um fator replay gigantesco e diversão garantida com seus amigos, você certamente irá querer jogar e re-jogar ele por dezenas de horas.

User Rating: 4.7 ( 1 votes)

Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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