Os fatos e personagens históricos por trás de Nioh

Sabe quando você descobre que aquele filme que você quer muito ver é baseado em fatos reais? Ou aquele livro eletrizante que diz o mesmo? Nioh será lançado amanhã e, para já irmos entrando no clima, resolvi fazer um texto sobre o cenário de pano de fundo do jogo. Sim, apesar de ser uma obra de clara ficção, Nioh se passa em um período histórico que de fato aconteceu. E muitos dos personagens no jogo são figuras lendárias no Japão, o que torna o título ainda mais interessante.

Nioh se passa no Japão feudal, em um dos períodos mais cultuados na história do país: o Sengoku. O Japão estava mergulhado em uma guerra civil que perdurava alguns anos, desde que alguns Daimiôs (uma espécie de senhor feudal) desafiaram o Shogun vigente.

Após intensas e sangrentas batalhas, o Japão chegou ao ano de 1600 dividido em dois lados: o clã Tokugawa e o clã Toyotomi. Tokugawa formou um enorme exército ao leste do Japão, enquanto Ishida Mitsunari (representando os Toyotomi) reuniu suas forças à oeste.

A BATALHA DE SEKIGAHARA

Esse certamente é um dos marcos mais famosos desse período na história do Japão. A Batalha de Sekigahara, ou popularmente conhecida como a “divisão do reino”, foi o conflito decisivo, ocorrido em 15 de setembro de 1600 que abriu caminho para a ascensão do Shogun Tokugawa Ieyasu ao poder do Japão. Após o seu desfecho, demorariam apenas três anos para Tokugawa consolidar seu poder sobre o clã Toyotomi (falaremos mais sobre seus membros abaixo), da casa de Osaka, e os outros daimiôs contrários à casa de Edo (futuramente se chamaria Tóquio) dos Tokugawa. A batalha de Sekigahara é amplamente considerada como o começo não-oficial do Tokugawa bakufu – o último shogunato que exerceu controle sobre o Japão . Após o conflito, o Japão viveu um longo período de paz.

PERSONAGENS HISTÓRICOS DESSE PERÍODO

Nessa época, por conta não apenas da lendária batalha que unificou o Japão, mas dos inúmeros conflitos e feitos durante o período, surgiram figuras históricas que marcaram pra sempre o imaginário dos japoneses e do mundo, como:

Ieyasu Tokugawa

O lendário Shogun que deu início ao último shogunato do Japão (de 1600 a 18…) Foi o grande vencedor da batalha de Sekigahara. Apesar de ser um bom estrategista, Tokugawa se destacava por sua habilidade política. Isso o ajudava a construir alianças fortes e evitar conflitos desnecessários contra opositores ou Daimiôs neutros no conflito.

Hattori Hanzo

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Hanzo, retratado na série de jogos Samurai Shodown

Esse é, tranquilamente, o nome mais famoso deste período. Principalmente fora do Japão. E não é por menos. Oriundo das montanhas de Iga, no Japão, Hanzo era um lutador habilidosíssimo e desde novo já liderava os guerreiros daquele região montanhosa. O clã de Iga era famoso por sua habilidade em luta e sua capacidade de execução de missões altamente arriscadas (algumas tidas como impossíveis).

Porém, o feito de maior destaque de Hattori Hanzo neste período foi quando ele salvou Tokugawa da morte. Logo após ter traído Oda Nobunaga e incendiado seu castelo, Akeshi Mitsuhide parte para matar Tokugawa (até então aliado de Oda), mas seus planos são frustrados por Hanzo. Contando com um sistema de espionagem digno das lendas ninjas, Hattori Hanzo é informado dos planos de Akeshi e parte para salvar Tokugawa das mãos do general traidor de Nobunaga.

Após salvá-lo, Hanzo foi elevado ao patamar de general do exército que futuramente dominaria o Japão. Dá pra imaginar o quão bem ficou Hanzo na fita com um dos maiores Shoguns que o Japão já viu, né? Isso certamente lançou luz ao clã Iga, mudando pra sempre a história daquela região.

Oda Nobunaga

Nobunaga retratado pela série de jogos de vídeogame Nobunaga's Ambition
Nobunaga retratado pela série de jogos de vídeogame Nobunaga’s Ambition

Outra figura histórica conhecidissima desse período é Oda Nobunaga. Famoso por sua genialidade em estratégias militares, Oda era um Daimiô sanguinário que não acreditava em deidades, xintoísmo, vida após a morte e nada que não pudesse simplesmente ver.

Nobunaga ascendeu ao poder muito novo e a forma como derrotou seus inimigos só fez crescer sua fama. Durante anos, foi um aliado de Tokugawa e provavelmente teria unificado o Japão antes de seu parceiro, não fosse sua morte terrível no que conhecemos como o “acidente em Honno-ji”, em Kyoto (antiga capital do Japão).

Em Honno-ji, Oda foi surpreendido pela traição de um de seus generais, Akeshi Mitsuhide. Mitsuhide, num ato de extrema traição, cercou o castelo de Nobunaga e o obrigou a cometer o Sepukku (uma espécie de suicídio, muito famoso no Japão, que somente era utilizada frente a grandes atos de desonra ou como forma honrosa dos samurais morrerem (o Sepukku é famoso no Ocidente pelo nome de Harakiri).

Após a morte de Oda Nobunaga, seu general Toytomi Hideoshi assume os exércitos de Oda e segue com o plano de seu antigo mestre de unificar o Japão. Já o general Akeshi Mitsuhide foi morto dois dias depois, pelas mãos do próprio Toyotomi.

Toyotomi Hideyoshi

Toyotomi Hideyoshi foi o sucessor de Oda Nobunaga e trouxe um fim ao Período Sengoku (das grandes guerras civis). O período de seu governo é muitas vezes chamado de período Azuchi-Momoyama. Nele, originaram-se algumas heranças culturais, como a famosa restrição de que apenas os membros da classe dos samurais poderiam portar armas (isso só seria mudado quase 300 anos depois, já com o fim do shogunato de Tokugawa e o início da restauração Meiji). Hideyoshi é considerado como o segundo “grande unificador” do Japão, após Oda Nobunaga e antes de Ieyasu Tokugawa.

Ishida Mitsunari

Toyotomi Hideyoshi, à época um dos generais de Nobunaga Oda, viu um grande potencial em Ishida Mitsunari, após este ter sido vencido por Oda Nobunaga na batalha de Azai, e decidir fazer dele seu servo. Mitsunari, como ainda era muito novo, não participou de nenhuma das batalhas até a morte de Nobunaga. Foi Ishida Mitsunari quem sucedeu Hideyoshi após sua morte e liderou os exércitos do Oeste na grande Batalha de Sekigahara, contra Tokugawa.

Miyamoto Musashi

Musashi, retratado na série de mangá Vagabond
Musashi, retratado na série de mangá Vagabond

O samurai mais famoso da história do Japão, nunca tendo perdido uma só luta em toda sua existência, lutou a Batalha de Sekigahara pelo exército do oeste. Como ainda era muito novo (tinha apenas 17 anos) e acabara de perder seu Daimiô (Ishida Mitsunari morreu durante a batalha), Musashi vira um ronin e começa a viajar pelo Japão em busca de auto-conhecimento e lutadores capazes de testar suas habilidades sem igual com a espada. Provavelmente Musashi teve pouco ou nenhum contato com o lado vencedor (Hanzo, Tokugawa etc.), mas ele enfrentou a famosa família de espadachins Yagyu, que teve em Jubei Yagyu seu maior expoente, uma vez que Jubei era parte dos mestres do exército de Tokugawa.

William, héroi de Nioh, e o general “gaijin” de Tokugawa

William Adams, também conhecido no Japão por Anjin “sama” Miura, foi um navegador inglês, o primeiro da sua nacionalidade a chegar ao Japão. James Clavell, no seu livro Xógum, inspirou-se na sua figura para criar o personagem protagonista John Blackthorne. Qualquer semelhança com nosso héroi William de Nioh?

Na história do William “original”, logo após chegar no Japão, ele se tornou um importante conselheiro do Shogun Tokugawa Ieyasu e construiu para ele os primeiros navios japoneses com um estilo ocidental. Adams foi, mais tarde, importante para estabelecer feitorias entre os Países Baixos e a Inglaterra. Ele também estava envolvido no comércio de shuinsen, fretando e comandando vários navios para o Sudeste Asiático. Ele morreu no Japão aos 55 anos e é reconhecido como um dos estrangeiros mais influentes no Japão durante este período.

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