Análise: Ghost Recon: Wildlands e a importância de ter amigos


Após tanta espera e muitos Alphas e Betas, finalmente a Ubisoft lançou o seu mais novo jogo que leva a chancela Tom Clancy’s. Ghost Recon: Wildlands te colocará em uma Bolívia dominada pelo tráfico e caberá a você e mais três amigos desmantelarem esse cartel de drogas em um mapa gigantesco.

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Reconhecimento, ataque e fuga (de novo e de novo)

Ghost Recon: Wildlands começa te contando uma história simples. A agente Karen Bowman teve seu parceiro assassinado pelo Cartel de Santa Blanca. Ricky Sandoval estava infiltrado na operação de narcotráfico e como quase todo filme em que alguém está infiltrado acabou sendo exposto e eliminado por El Sueño, líder do Cartel de Santa Blanca. Agora, cabe a você e seus companheiros desmantelar toda a estrutura da organização e matar El Sueño no melhor estilo bang bang de vingança.

As missões do jogo seguem basicamente um mesmo roteiro: Reconhecer a área, achar brechas até o objetivo, ou eliminar seus inimigos sem que os outros sequer saibam que você esteve ali. Algo que oferece um pouco de variedade é o fato de que dependendo do período do dia (manhã, tarde e noite) em que a missão será feita, os inimigos se comportarão de forma diferente e tomarão posicionamentos diferenciados. Um exemplo é que à noite é possível encontrar inimigos dormindo, o que facilita algumas missões.

Para o reconhecimento, o Drone é a maneira mais efetiva, porém muitas vezes os inimigos têm equipamentos que sabotam eletrônicos e te obrigam a seguir sem essa ferramenta a não ser que os jogadores se prontifiquem a desativar todos os bloqueadores de sinal. Outras opções como cortar a energia dos acampamentos, libertar os rebeldes, desativar alarmes e outros, servem para instigar diferentes formas de abordar o objetivo.

Jogue com a galera

Essa repetitividade de roteiro é sentida de uma forma muito mais intensa quando você está jogando solo ou sem sincronia com os jogadores online. Isso se dá principalmente porque sempre que você é visto (e você VAI ser visto) o caos toma conta da área e você terá que matar toda a horda de inimigos sem nenhum tipo de estratégia, tornando o jogo um shooter em terceira pessoa sem espírito ou emoção. Uma movimentação não esperada ou tiro fora de sincronia pode transformar uma missão perfeita em uma verdadeira guerra com tiro, porrada e bomba para todos os lados. Entrar atirando pode tornar o jogo um tanto quanto chato e sem sentido, já que sua estrutura e graça está em fazer as missões como um Ghost (fantasma), como o nome já diz.

A partir do momento em que você está jogando com mais três amigos ou três pessoas online que querem jogar o jogo da maneira correta uma experiência mais elaborada de Wildlands, o jogo se torna extremamente imersivo e complexo. Terminar uma missão sem ser visto ou eliminando todos os inimigos sem alertar ninguém é o que faz o jogo e as missões parecerem diferentes e desafiadoras a cada área de maior dificuldade. Porém, isso se torna realmente raro, já que os inimigos muitas vezes tem um campo de visão um pouco acima do normal, por assim dizer.

Deixo aqui uma crítica forte partindo da premissa que Ghost Recon: Wildlands foi feito para ser um jogo stealth em sua essência. Carregar os corpos dos inimigos eliminados é (super) básico para um jogo do gênero. A falta dessa opção facilita a detecção por parte dos adversários e tira uma opção de abordagem meio que usual nos jogos stealth. Pensem nisso…

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Uma linda e enorme “fazenda”

A Bolívia imaginada pela Ubisoft Paris poderia ser muito mais viva do que o apresentado. O mundo é gigantesco e cheio de nada. As paisagens são lindas, mas falta vida. A sensação é que grande parte do mapa é uma grande fazenda. As distâncias são sempre longas e você não tem porque ir pela terra, já que há sempre um helicóptero para chegar mais rápido nos lugares.

Já as diferentes vegetações de cada área do mapa são um ponto super positivo. Você passará por pântanos densos, florestas gigantes, ou usará veículos terrestres para atravessar o salar, o grande deserto de sal. Isso faz com que, apesar das missões repetitivas, as estratégias mudem de acordo com a área em que se vai atacar e da disposição dos inimigos.

A qualidade gráfica de Wildlands tem seus momentos. Muitas vezes você vai se pegar admirando uma vista ou paisagem de seu mundo aberto (que são absurdamente lindas), outras vezes os bugs e a grama com movimentação plástica vão chamar sua atenção. A noite será tão escura que você vai precisar de recursos como a visão noturna ou térmica. Um dos poucos jogos que esse tipo de utensílio tem de fato uma razão para ser usado (e isso não é ruim).

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Por fim, a trilha sonora é praticamente inexistente. Isso até faz sentido se você pensar que o jogo foi feito para ser jogado de forma estratégica e com comunicação entre o time a todo momento. Porém, ao jogar sozinho, ou até mesmo com os amigos, isso se torna um incômodo. Seu grande companheiro sonoro é o rádio, que sempre estará tocando as mesmas músicas ou então passando as mesmas entrevistas. Depois de um certo ponto do jogo, fica irritante ouvir a mesma coisa sempre.

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Bugs e pontos de melhoria

Algo que impressiona no jogo é a diversidade de armas e suas melhorias. O mapa está repleto de ícones para pegar essas armas e modificá-las até o talo. Infelizmente, as diferenças entre uma e outra (dentro da mesma classe) não são muito perceptíveis. Você sempre irá andar com uma sniper e uma arma mais rápida, seja uma SMG ou um rifle automático, e seu principal foco será em atirar com um silenciador. A diferença delas será sentida somente quando uma for muito fraca e outra mais forte.

Algo que foi amplamente criticado por todos nós da redação é a jogabilidade limitada dos veículos, que simplesmente não foi bem acabada. Nos intrigou muito o fato de que sempre que se dirige há a impressão de que existe um certo atraso entre a ação no controle e a resposta do veículo no jogo. Há muitos exemplos de jogos mundo aberto que não arriscam muito no quesito veículos e fazem um trabalho satisfatório (alguns da Ubisoft, inclusive), mas Wildlands certamente não faz parte dessa lista. Esses exemplos poderiam ter servido de inspiração para criar uma jogabilidade em veículos ao menos OK, mas infelizmente não é isso que acontece. É simplesmente estranho dirigir ou pilotar em Ghost Recon: Wildlands.

Os bugs são um grande problema de Wildlands. Texturas se misturando, missões que não podem ser concluídas, inimigos que acabam te vendo mesmo de muito longe, granadas que não dão dano, objetivos destruídos e não contabilizados, e por aí vai. Esses problemas podem ser corrigidos facilmente com atualizações, mas foram vistos até essa análise ser publicada. Teria sido mais aconselhável atrasar o jogo e polir sua jogabilidade ao invés de lançar um produto inacabado. A impressão que se tem depois de tantos Betas e Alphas é que eles serviram muito mais para o marketing da Ubisoft do que para corrigir erros de desenvolvimento propriamente.

Por fim, jogar partidas solo de Ghost Recon: Wildlands nem chega a fazer sentido, já que a IA não erra um tiro quando requisitada e não toma posições estratégicas. Ela simplesmente te segue sempre e é muito complicado formular qualquer tipo de estratégia. Algo muito comum quando jogamos com amigos é cada um abordar por um lado do acampamento ou se dividir em duplas. Ao jogar no modo single player, você não terá essa experiência.

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Conclusão

De forma resumida, o jogo conta com bons gráficos para os consoles e um ótimo número de missões e áreas distintas. Porém, sofre com a repetitividade, já que todas as missões seguem basicamente a mesma lógica (reconhecer – executar – sair da área). Isso, aliado com uma história rasa, falta de carisma dos personagens, e muitos bugs que são encontrados de forma corriqueira durante o jogo (alguns glitches chegam a ser hilários), acaba atrapalhando a experiência como um todo.

Ghost Recon: Wildlands é um bom e divertido jogo para se jogar com amigos e se torna um jogo abaixo da média quando é jogado solo. Por isso, tenha certeza de que tem bons e fiéis amigos ao seu lado antes de enfrentar o Cartel de El Sueño na linda, vasta e bugada Bolívia.

notas

Bruno Degering

Gamer há tanto tempo que usa consoles como referência cronológica para lembranças de sua vida. Amante de Mega Man, Resident Evil e Warcraft. Se gaba por ter zerado Battletoads aos 9 anos mas abandonou Bloodborne com 26.
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