Análise: 88 Heroes é imprevisível, estranho e… Altamente divertido!

Existem jogos que partem de premissas complexas e criam universos gigantescos. Outros que conseguem a partir de uma ideia simples criar algo complexo. Muitos games apresentam personagens densos e se apoiam neles para alcançar o coração dos jogadores. E alguns jogos são simplesmente jogos e focam no jogar, no gameplay. O que, no entanto, não desqualifica a complexidade da tarefa para quem o cria. Esse é o caso de 88 Heroes, um jogo de plataforma estranho e altamente divertido (inclusive de assistir) onde o número 88 parece ser uma espécie de entidade cabalística mas termina parecendo apenas uma grande brincadeira com palavras, tempos de jogo e personagens. Aliás, a melhor parte de 88 Heroes é que ele não se leva a sério por sequer um segundo, a começar pelo slogan estampado no site oficial do jogo: “Eles chamaram os melhores, mas os melhores estavam ocupados. ”

Você conhece algum herói que chega de ônibus para salvar o dia? Pois então lhe apresento 88 deles. Um ônibus escolar amarelo encosta na porta de um grande edifício e de lá saem nada mais nada menos do que o conjunto mais esquisito, inusitado e divertido de personagens que já se viu em um só jogo. Aliás eles não são apenas parte do game, porque 88 Heroes tem 88 protagonistas. 88 desmiolados que vão de um bug de computador, a um homem de meia idade comum, passando por um gato robótico, uma espécie de Rambo, irmãos tatu que lembram as tartarugas ninja, aquele cara do sax que você provavelmente conhece do youtube, um cantor new age com dancinha questionável também achável no gigante dos vídeos da internet e uma penca de outros personagens que sozinhos já valem umas risadas e quem sabe a compra do jogo.

Saxy Dave mais conhecido como Epic Sax Guy (pesquise no you tube)
Saxy Dave, mais conhecido como Epic Sax Guy

88… heróis?

A missão dos nossos heróis (?) é a seguinte: derrotar o temível Dr. H8. Pegou a jogada das palavras? H em inglês se pronuncia algo como eitche. Ou seja, o malvadão do jogo é o doutor Eitche eight, o que sou quase como 88 na língua dos estadunidenses. Mas e daí, certo? Certo! Porque no fim das contas a incontável quantidade de vezes que o número 88 aparece no jogo é basicamente uma grande brincadeira em volta da qual todo o design do game gira. Para derrotar o Dr. H8 você terá 88 minutos para passar de 88 fases diferentes, com 88 segundos de limite para cada uma e com nossos queridos 88 heróis à disposição. Parece uma grande teoria da conspiração, mas é só um jogo, acredite.

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E sabe a coisa mais legal de ter 88 protagonistas num só jogo? É que cada um tem poderes e habilidades completamente diferentes. Ou seja, cada personagem significa um jeito novo de interagir com a fase. A pequena bailarina de cristal não tem ataques mas consegue se segurar nas paredes e dar pulos duplos. O Rambo tem um belo ataque com sua metralhadora, mas movimentação mediana. A medusa petrifica os inimigos, o gato robótico faz com que o tempo se mova apenas quando ele também se move, a dona de casa tem uma escada que te permite pular completamente a progressão normal da fase e assim por diante. O design dos heróis e das fases brilha bastante durante o gameplay pois cada um, por mais simples que seja, parece único e cada fase parece prover diversas oportunidades para se utilizar os diferentes poderes e habilidades. Uma salva de palmas para os (88?) desenvolvedores do game, sobretudo aos que cuidaram das fases e personagens.

Mas faltou falar de algo crucial. Em termos de jogo uma das melhores coisas de 88 Heroes é a maneira pela qual se dá o uso e a troca dos personagens. O game é basicamente um jogo de plataforma. Você tem que saltar, tem que escapar dos inimigos e tem tempo para passar da fase. Mas o pulo do gato (literalmente ou não, já que um dos heróis é um gatinho que solta laser da boca) é que quando você morre (e você vai morrer bastante) com algum herói um novo personagem surge para salvar o dia. Ou seja, se você morrer, você perderá de vez aquele que estava usando e caberá aos que sobraram passar das fases seguintes. Você não tem o mínimo controle do herói que virá em seguida e isso é que torna a experiência ainda mais divertida. Como cada um deles tem habilidades diferentes e interage distintamente com a fase os desafios, durante o jogo também dependem do herói que você controla e não poder escolher torna tudo ainda melhor, promovendo aquela surpresa que sempre agrega valor ao fator gameplay de qualquer jogo.

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88 minutos, 88 segundos, 88 heróis, oitenta e oito, oitenta e oit, oitenta e oi…

Agora pare para pensar. São 88 minutos para zerar o jogo. 88 minutos para passar de 88 fases e um limite de 88 segundos para cada uma. E as fases são belissimamente bem desenhadas para que você morra e morra bastante. A conclusão é a seguinte: Zerar 88 Heroes é uma tarefa e tanto. No meu primeiro gameplay (um pouco preguiçoso eu admito), no qual não conhecia nenhuma fase e nenhum herói, cheguei à fase 30 e já tinha perdido 87 heróis e tinha apenas cerca de 25 minutos sobrando para zerar, pois cada morte reseta o relógio da fase, mas não o relógio total do jogo. Na segunda vez fui consideravelmente melhor e é assim que jogos deste tipo funcionam. Quanto mais conhecemos ele melhor nos saímos.

A imprevisibilidade de 88 Heroes é o que o faz ser um ótimo jogo e de fato este é um belo exemplo no qual jogar é muito mais importante do que zerar, mas os que são movidos por chegar ao fim do jogo mais facilmente podem se frustrar um pouco com o game. Portanto, 88 Heroes é indicado para os que gostam de desafios no estilo Super Meat Boy e para os que gostam de sentar e jogar e apenas se divertir, dar algumas risadas com o design dos personagens sem se importar com finais e desfechos. Para um jogo singleplayer ele também acaba por surpreendentemente oferecer uma bela atração para os amigos e é incrivelmente divertido jogar ele com outras pessoas na sala, revezando os controles ou não.

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