Mal da geração: porque não vou comprar Star Wars Battlefront II

Star Wars Battlefront II está em fase de Beta Aberto no PC e nos consoles (estendido até o dia 11 de outubro) e, de várias maneiras, corrigiu os defeitos mais gritantes de seu antecessor. O novo jogo da DICE chega mais belo do que nunca, com um gameplay menos raso, missões mais cadenciadas e diversas e, finalmente, uma campanha que parece realmente interessante (além de várias outras novidades). No entanto, antes mesmo de entrar na primeira partida, um fato me desagradou profundamente: as Loot Boxes do jogo.

Loot Boxes, ou Caixas de Espólios, surgiram primeiro em alguns MMOs obscuros, sendo adotadas na sequência pelas populares franquias da Valve, como o Team Fortress 2 e Counter-Strike: Global Offensive. Com a maturação dos marketplaces digitais nesta geração de consoles, o fenômeno se popularizou enormemente entre os títulos AAA de grandes estúdios. Jogos como Halo 5: Guardians, Overwatch, CoD: Infinite Warfare e Battlefield 1 – que além de custarem os costumeiros 60 dólares de um lançamento de primeira linha, “escondem” parte do conteúdo prático e/ou cosmético de um jogo e o distribuem de maneira aleatória para os jogadores que alcançam certas condições. É o processo de Gamblification (que vem da palavra em inglês “Gambling”, ou “jogo de azar”), em que os jogadores são estimulados ao grind para tentar a sorte para, talvez, desbloquear o conteúdo desejado.

Star Wars Battlefront II Loot Boxes

Nos últimos dias, NBA 2K17 e Middle Earth: Shadow of War, vêm chamando atenção por serem jogos Triple A com um sistema de Loot Boxes que estimula a compra dos itens com dinheiro real. Mas Battlefront II salta aos olhos pelo absurdo da proposta: basicamente, toda sorte de desbloqueável no jogo só pode ser obtida pelas Loot Boxes (que são categorizadas por classes de soldados e naves), de armas e upgrades a animações de vitória.

Em outras palavras, toda a progressão dos jogadores ficará agora condicionada à sorte (e ao dinheiro) dos mesmos. Por mais que o primeiro Battlefront da DICE tenha sido um tiro no pé em termos de conteúdo e jogabilidade, ao menos havia uma progressão satisfatória e razoável no desbloqueio de armas e Star Cards.

Aliás, os Star Cards receberam um nova camada de “profundidade”, como tudo nesta sequência. Agora, cada Star Card pode ser classificado como “Bronze”, “Prata” e “Ouro”, que medem a sua eficácia – além de raridade. Portanto, é bem possível que você consiga versões de uma carta Bronze que, por exemplo, aumente seu dano em 15%. Mas talvez você esteja enfrentando um outro jogador que jogou tanto quanto você mas foi mais feliz ao abrir as caixas de recompensa (que foram conseguidas com dinheiro real ou créditos do jogo) e pegou a mesma carta na versão dourada, e é capaz de dar 30% de dano a mais que o padrão. Além de ser injusto pra caramba, essa situação ainda pode ser virtualmente irreversível, uma vez que você não tem controle sobre o conteúdo das Loot Boxes e a carta dourada pode acabar não vindo nunca.

Star Wars Battlefront II Loot Boxes

Vejo muita coisa errada em sistemas de Loot Boxes em jogos AAA com preço padrão, mesmo que elas incluam apenas itens cosméticos, como em Overwatch. Mas a canalhice das caixas em Battlefront II superou meus piores pesadelos. Durante esse curto Beta, já me deparei com jogadores com alguns cards dourados que invariavelmente encabeçavam os placares – ou não, mas não deixava de ser entristecedor perder um confronto contra um jogador artificialmente mais forte.

Então, sim, enquanto a EA e a DICE Battlefront II capricharam no conteúdo para não perder a base de jogadores tão rapidamente quanto no primeiro jogo, erraram a mão nas microtransações, que transgridem o limite do aceitável e revolta a mim: um fã de carteirinha de Star Wars e shooters competitivos. E enquanto esta situação não mudar, não irei comprar Battlefront II.

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Vicente leva uma vida marcada por vícios: leitor compulsivo, viajante (mas nunca turista) obcecado, rato de academia e jogador fissurado. Tenta também ser editor do Última Ficha quando sobra um tempinho. Fã de RPG, FPS, RTS e outras siglas.