Análise: L.A. Noire chega discreto à nova geração

L.A. Noire está de volta. Sucesso na geração passada, o jogo de ação-investigação desenvolvido pela Team Bondi e publicado pela Rockstar Games chega à nova geração seis anos após seu lançamento original para PlayStation 3, Xbox 360 e PC em 2011. A versão que chega agora para o PlayStation 4, Xbox One  e Nintendo Switch traz o jogo original completo e todo o conteúdo adicional para download que foi oferecido na época. Além disso, ela traz melhorias técnicas visuais e de desempenho, incluindo: iluminação, efeitos de nuvens, novos ângulos de câmera cinematográfica, texturas em alta resolução e muito mais. O jogo roda nativamente em 1080p nos consoles PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch (720p no modo portátil e 1080p dockado) e em 4K no PlayStation 4 Pro e Xbox One X.

Mas e aí, vale a pena pegar essa versão remaster de L.A. Noire?

Calma, Padawan. Já vamos falar sobre isso. Antes, deixa eu te falar um pouco mais sobre o jogo que testamos para essa análise. A história de L.A. Noire se passa em uma violenta Los Angeles de 1947 e segue Cole Phelps, um oficial do Departamento de Polícia de Los Angeles que precisa resolver diversos casos criminosos. As investigações vão desde acidentes de trânsito a tráfico de drogas, passando por incêndios criminosos e assassinatos brutais.

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Jogabilidade única

Diferentemente de jogos como GTA (para fazer um paralelo com outro jogo da Rockstar), em que você vai de um ponto a outro ativando e completando missões, em L.A. Noire os casos se emendam automaticamente uns nos outros. Aí é que vem a confusão. Entre cada caso, rolam uns flashbacks das memórias de Cole que mostram ele na guerra, depois entrando para o Departamento de Polícia, e tudo vira uma salada danada. O mais confuso é que isso acontece já no começo do jogo, quando você mal aprendeu as primeiras mecânicas de L.A. Noire.

Existe também uma mecânica de mundo aberto que torna o jogo não tão linear. É possível ficar andando pela Los Angeles da década de 40 e resolver pequenos assaltos, fazer perseguições e mais.

As mecânicas do jogo

Como disse acima, o jogo mescla elementos investigativos, com cenas de ação. Na maioria do tempo L.A. Noire mantém um ritmo mais lento, focando na investigação e coleta de evidências do crime que serão utilizadas nos interrogatórios, que são o ponto alto do jogo. Assim que você fica cara a cara com um suspeito, você pode iniciar um interrogatório fazendo perguntas e utilizando as evidências coletadas para solucionar o caso. Dessa forma, é importante investigar ao máximo para que você tenha uma gama de opções para que possa encontrar a melhor resposta.

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O problema é que o sistema é muito confuso. De cara você tem três opções: bom policial, mau policial e acusar. Ao escolher qualquer uma dessas, você pode determinar já de cara o fim do interrogatório, o que é bem frustrante. Na minha opinião, o ideal seria que você fizesse perguntas ao acusado e, ao final, você tomasse uma conclusão. Mas o jogo não permite isso e você precisa sempre escolher um único caminho para desvendar o caso. Para piorar, as dicas e evidências nem sempre fazem muito sentido. Portanto, você precisa usar um recurso do jogo chamado ‘Intuição”, que vai eliminando as respostas erradas e, com isso, facilita sua vida na hora de investigar. Em muitos casos, você precisará de uma boa dose de sorte ou de uma providencial busca no YouTube ou no Google (alô, Gamefaqs, aquele abraço) para lhe mostrar qual caminho seguir.

Porém, a investigação em si (que representa 70% do jogo) é bem divertida. Quando você chega na área de um crime, um som parecido com o de uma campainha toca cada vez que você passa por uma pista. Estas podem incluir cadáveres, bolsas, manchas de sangue, marcas de freadas (no asfalto, não na cueca), pegadas, janelas quebradas e muito mais. Além disso, você pode ler  jornais para aprofundar seu conhecimento sobre a história.

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Outro ponto bacana de L.A Noire é o sistema de reação facial. Ao investigar um suspeito, você consegue deduzir algumas coisas simplesmente olhando para o rosto do suspeito. Inclusive, este foi o grande diferencial de quando o jogo foi lançado. Todos os rostos e reações foram gravadas com 32 câmeras HD para que as expressões fossem as mais reais possíveis.

Gráficos decepcionantes

L.A. Noire utiliza a mesma engine de Grand Theft Auto IV. Ou seja, um jogo pra lá de datado. E por mais que o time de desenvolvimento tenha feito melhorias nas texturas, o impacto visual logo nas primeiras cenas do jogo decepciona. Ainda mais em se tratando de Rockstar, que nos entregou uma remasterização sensacional de GTA V para a geração atual. Não faço ideia do quanto de trabalho daria para recriar o jogo em uma engine mais moderna, mas certamente sei do impacto negativo de se apostar em uma antiga para produzir efeitos visuais bacanas nesta geração que tem tantos jogos poderosos graficamente. Outra coisa que pudemos perceber é que essa remasterização não foi contemplada com uma melhora no mundo como, por exemplo, deixar o jogo mais “vivo”. Muitas vezes, andamos pelas ruas de Los Angeles completamente vazias.

A versão para Nintendo Switch está boa?

Além da versão de PS4/Xbox One, nós também jogamos a versão de Nintendo Switch, que funciona muito bem no portátil e tem uma performance triste quando no dock.

Antes de mais nada, o jogo sustenta muito bem os gráficos com relação à versão de Xbox One e PS4. Claro, é perceptível que as texturas são inferiores. Detalhes como sombra, reflexo e fumaça também foram afetados, mas nada que seja grosseiro ou que atrapalhe a jogabilidade. Sua versão é superior a do jogo lançado e também contém todos os DLC’sdo jogo.

Agora vamos para o grande problema desta versão, o modo dockado. Enquanto o jogo funciona muito bem no modo portátil (rodando a 720p), o mesmo não acontece no dock, tornando o gameplay um desafio penoso devido ao upscale para 1080p. As quedas de FPS são simplesmente perceptíveis demais em muitos momentos. E não para por aí. Existe um pequeno delay entre o input do controle e o comando no jogo. Dirigir o carro se torna algo muito estranho e confuso.

Novamente, é bom ressaltar que quando o jogo está no modo portátil, ele roda tranquilamente sem nenhum dos problemas mencionados. Além disso, a versão do Switch traz dois “gimmicks”. O primeiro é o touch da versão portátil. O segundo é o uso do giroscópio para movimentar a câmera ou os objetos. Sinceramente, achei o uso do giroscópio do Joy-Con algo que atrapalha muito mais do que ajuda. Felizmente é possível desligá-lo ou colocá-lo a uma sensibilidade mínima.

Trilha sonora e ambientação bacanuda

Se graficamente L.A. Noire deixa a desejar, na parte de ambientação o jogo arrebenta. A Los Angeles dos anos 40 é bem legal. A cidade foi praticamente toda recriada e explorá-la é bastante divertido. Ao longo do jogo você vai conhecendo o modo como as pessoas viviam em uma das cidades mais conhecidas do mundo. Tudo isso ajuda na imersão do jogo (que saudade dos cabarés…).

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Conclusão

L.A. Noire é um dos jogos mais aclamados e bem avaliados da geração passada. Infelizmente, a “remasterização” deixou a desejar. Some os gráficos datados com alguns sistemas de jogo confusos e o resultado é um L.A. Noire abaixo do esperado (ainda mais em se tratando de Rockstar, que sempre nos entrega trabalhos primorosos). Também temos que citar o fato de que o jogo funciona muito bem no modo portátil do Switch, mas sofre para rodar quando está dockado.

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Fundador do Última Ficha. Jornalista, nerd, marido, pai e gamer. Acredita fielmente que videogames são para divertir. #PAS