Análise: Crossing Souls: uma linda história passada na década de 80

Em uma noite misteriosa, uma tempestade assusta os moradores de uma pequena cidade da Califórnia (EUA). Mal sabiam eles que essa tempestade mudaria para sempre a vida deles.

Crossing Souls foi desenvolvido pelo fenômeno Devolver e chega neste dia 13 de fevereiro para o Playstation 4 e PC. O estúdio tem se mostrado muito capaz produzindo indies de altíssima qualidade. Crossing Souls não é diferente. O jogo traz uma história muito bonita de amizade, coragem e reflexão sobre a importância da vida.

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De volta para os anos 80

O ano é 1986 e ele ficará marcado para sempre na vida dos amigos Chris, Charlie, Big Joe, Matt e Kevin. Ao descobrir um artefato cujos poderes eles não entendem completamente, os amigos entraram em uma aventura que desafia as leis da natureza e, de alguma forma, interagem entre dois planos da realidade: a vida e a morte. Como desenrolar da trama, uma série de eventos inesperados se desencadeiam, envolvendo os jovens em uma conspiração do governo e um misterioso general do Exército dos EUA com seus próprios planos nefastos.

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Visual retrô e jogabilidade inspirada nos antigos clássicos

Crossing Souls é um jogo de ação e aventura com visual pixelado. O estilo, que é marca registrada do estúdio, casa perfeitamente com o ambiente do jogo. Afinal, ele se passa na década de 80, época em que consoles como Nintendo dominavam o cenários com seus jogos “crocantes”, mas cheios de criatividade e diversão. Se o visual lembra os jogos antigos, a jogabilidade é bem atual. Apesar de Crossing Souls surfar em algumas mecânicas clássicas, a resposta dos comandos e a fluidez das ações é deliciosa.

A ambientação retrô anos 80 é sensacional. Músicas, construções, estilo de se vestir, gírias e costumes. Tudo é cuidadosamente recriado. Lanchonetes, cortes de cabelo, gangues de rua. Tudinho. E, a cereja do bolo, é Crossing Souls ser pixelado, o que dá ainda mais imersão aos jogadores.

Narrativa envolvente

Crossing Souls tem uma narrativa leve, divertida e cheia de ação. Fãs da série Stranger Things, da Netflix, vão amar e certamente vão querer ter Crossing Souls em suas coleções. O jogo bebe em muita fonte de filmes clássicos, como Goonies (a maior referência), Poltergeist, Gremlins, Stalone Cobra, De Volta Para o Futuro e muito mais.

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A trama começa com uma aventura adolescente clássica dos anos 80. Problemas com gangues, pequenas contravenções, medo da bronca dos pais e das autoridades locais. Nada de terrorismo, crianças abrindo fogo dentro de escolas ou lunáticos invadindo shows com carros. Era uma época mais pacífica nos EUA (fora dele o bicho sempre pegou) que foi fielmente retratada em filmes, séries e, agora, em Crossing Souls.

Porém, conforme você avança na trama, as coisas começam a sair do controle gradativamente e os jovens terão que amadurecer rapidamente frente às provações que a história impõe. É impressionante como Crossing Souls aprofunda um debate que começa, como eu disse, de maneira juvenil até desencadear em assuntos mais filosofais como qual é o sentido da vida, de onde viemos e para onde vamos. O jogo fala sobre bondade, compaixão e sobre força de vontade para combater as adversidades. Ao final, fica uma lição muito bonita, que catapulta Crossing Souls a um daqueles jogos obrigatórios por conta de sua poderosa e emocionante narrativa.

Os personagens

Em Crossing Souls podemos jogar com cinco personagens diferentes: Cris, Charlie, Joe, Kevin e Mat. Cada um tem uma habilidade diferente.

Chris é o líder do grupo, digamos assim. Ele é balanceado e serve para boa parte dos momentos do jogo. Seu taco de baseball garante dano razoável nos inimigos e pode ser usado com certa rapidez. Sua habilidade especial é escalar superfícies específicas.

Mat é um cientista que usa de suas criações para ajudar seus amigos. O canhão laser dispara projéteis que atingem inimigos à distância. Porém, ele dá menos dano que o bastão de Cris. Seu poder special é flutuar e, com isso, consegue cobrir grandes distâncias.

Charlie é a única menina do grupo. Ela é valente e muito habilidosa. Com um chicote, ela golpeia velozmente seus inimigos, sendo uma ótima opção de ataque para o time. Além disso, sua habilidade especial é dar um “dash” rápido, que serve tanto para iludir inimigos mais lentos, quanto passar no meio de projéteis.

Big Joe é o mais forte do grupo. Seus socos dão grande dano nos inimigos, porém gastam muita stamina. A habilidade única de Joe é arrastar objetos pesados graças a sua grande força. Ele também tem um grande coração.

Kevin é o irmão caçula de Chris. Destemido, ele é o responsável pela descoberta que iniciará a aventura destes grandes amigos. O grande poder de Kevin é sua perspicácia e ele será uma peça chave na trama até o final do jogo.

Batalhas contra Chefões para nostálgico nenhum botar defeito

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Se tinha uma coisa espetacular e marcante nos jogos de videogame que dominaram a década de 80 eram as batalhas contra chefões. Como esquecer os duelos entre Mário e Koppa, ou em Ninja Gaidem, Shinobi, Contra, Golden Axe e tantos outros jogos? Crossing Souls faz jus aos clássicos dos anos 80 traz lutas pra lá de divertidas. O time da Devolver usou de sua conhecida criatividade para oferecer algumas das batalhas contra chefões mais memoráveis da minha vida. Uma em especial me marcou muito, pois os desenvolvedores utilizaram o recurso de um dos brinquedos mais badalados da minha infância para compôr a batalha.

Conclusão

Crossing Souls é mais uma daqueles jogos que entram para a história. Extremamente feliz em suas escolhas, a Devolver traz um debate muito bonito e profundo de uma maneira divertida e cativante, ambientada na Califórnia da década de 80. Crossing Souls é um exemplo de storytelling e de como os jogos podem contar histórias memoráveis.

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Fundador do Última Ficha. Jornalista, nerd, marido, pai e gamer. Acredita fielmente que videogames são para divertir. #PAS