Análise: A Way Out desafia a brodagem com um belo enredo

A Way Out faz parte de um programa da EA Electronic Arts  chamado de EA Originals e embora ele leve as letras EA, que teve um ano duríssimo em 2017, o jogo foi desenvolvido pela Hazlelight, estúdio independente que fez todo o jogo sem as pressões de uma grande publisher por trás.

Mas porque este preambulo? Simples, pois A Way Out é um excelente jogo cooperativo que não sofre dos vícios e problemas que a EA apresentou durante o ano de 2017. Assim como Josef Fares, criador/produtor de A Way Out e Brother: A Tale of two Sons, falou durante a The Game Awards de 2017: Eles fizeram o jogo sem influência da distribuidora e é muito fácil criticar a EA quando se erra. Ele também falou a célebre frase “Fuck the Oscars”

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Bem, deixando de lado a loucura do criador, em A Way Out nós temos um jogo 100% cooperativo onde você DEVE jogar com um amigo via a internet ou então com um co-op presencial (couch coop). Para facilitar esta tarefa, o jogo que custa em torno de R$ 100, vem com uma segunda chave para você compartilhar com um amigo. Nada mais justo já que o jogo necessita de um segundo player obrigatoriamente. Porém, não é somente na “mão aberta” que ele impressiona, ao longo da partida você terá que optar por caminhos que segue o estilo e personalidade de cada um dos jogadores. Isso valoriza muito o fator replay, pois para conhecer todas as variáveis da história e finais, você precisará jogar duas vezes.

E claro, temos que falar da história de A Way Out certo? Pois bem, a história se passa na década de 70 onde os dois personagens, Leo e Vincent, estão presos. Após algumas brigas e ameaças os dois se veem com um objetivo em comum: Fugir da prisão e matar Harvey, a pessoa responsável por ambos estarem presos. Daí em diante não posso falar muita coisa, pois seria spoiler. O que posso dizer é que o jogo claramente conta uma história de amizade entre os dois personagens, onde podemos ver suas vidas sofridas, problemas pessoais, problemas de conduta e muito mais. Em resumo, A Way Out tem uma história muito bem escrita com um enredo e jogo de câmeras que deve elevar o gênero ainda mais.

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Ao longo da jogatina eu pude perceber 3 grandes destaques.

  • O primeiro vai para o ângulo da câmera e os muitos takes. Diversas vezes você fica boquiaberto e tem que prender a respiração ao escalar uma parte ou então ter que se equilibrar ao passar por um vão de um prédio, etc. Não só isso, existem algumas excelentes cenas de perseguição a nível de Uncharted, câmera em segunda pessoa em alguns corredores e muito mais.
  • Já o segundo destaque vai para o co-op de todo o jogo. A grande maioria dos puzzles terão que ser feitos em parceria e para tal, é necessário uma excelente comunicação entre os jogadores. E as mecânicas e puzzles são as mais diversas. Por exemplo, em certo momento você precisa pegar uma chave inglesa, para tal um personagem tem que distrair o NPC que está usando ela, enquanto o outro chega sorrateiramente por trás. Ou então na hora de trocar um pneu onde um tem que levantar o carro e outro tem que tirar a base que tava levantando o carro. Ou então fazer uma chupeta na bateria do carro e por ai vai.

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  • O terceiro e último destaque vai para as pequenas interações que o jogo proporcionar. Teoricamente A Way Out dura somente cerca de 5 horas de jogo, porém, existem muitas interações que são divertidas. Por exemplo, em um certo momento do jogo você chega a uma casa vazia e pode ficar passando trotes no telefone. Ou então pode tocar um banjo. Também é possível fazer uma tarefa para se camuflar, como, por exemplo, operar um torno mecânico. E claro, existem alguns mini games que você pode jogar com seu amigo como um fliperama, board game e mais. Trazendo diversos pontos de interação e disputa entre os jogadores.

Vale dizer que todo o jogo é jogado com a tela dividida entre os dois jogadores e o jogo não apresenta nenhuma perda de performance por isso. Diversas vezes cada personagem estará fazendo algo completamente diferente e é super útil, ou então interessante, fitar a tela do amiguinho para saber o que está acontecendo e decidir a melhor estratégia.

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Conclusão

A Way Out é um daqueles jogos o qual amamos cada segundo dele, uma excelente adição ao mercado. Com ele podemos vivenciar uma história marcante que mostra a evolução de um enredo muito bem escrito e adaptado perfeitamente para o modelo cooperativo.  Felizmente os desenvolvedores dão um segundo código para facilitar essa tarefa. Claro, o jogo não é perfeito, mas é muito bem feito. A mecânica de dirigir um carro, por exemplo, talvez seja arcade demais para um jogo mais tenso, mas não tira o brilho de A Way Out. Não somente isso, mas muitas vezes fomos surpreendidos por belíssimos cenários e fotografias, e isso vindo de um jogo indie é ainda mais impressionante.

notas

Publicado
Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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