Análise: Ashen, o último grande jogo indie de 2018, no melhor estilo Souls

No fim deste ano muitos poderiam pensar que os grandes lançamentos haveriam acabado, tirando o Ultra Smash Bros, porém, Ashen chega para mostrar que merece sim a atenção de todos.

Ashen é um RPG de ação baseado na clássica série Souls onde copia muitos de seus princípios básicos, mas consegue ter uma identidade própria além de aplicar um estilo único. Vamos ver como o jogo se sai em nossa análise.

A luz de Ashen

A tradução direta de Ashen significa cinzas e isso faz muito sentido. Na mitologia do jogo, Ashen era um ser alado (uma espécie de Deus) que levou luz para o mundo. Com o passar do tempo ele foi ficando fraco chegando até seu falecimento. Depois de muitos anos na escuridão, Ashen renasce e a luz volta ao mundo. Porém, você deverá correr em sua jornada, pois as forças da escuridão estão trabalhando para acabar com a Ashen o quando antes e devolver para seu estado sem luz.

E com essa história de fundo você controla um protagonista sem nome ou rosto que irá desbravar as  terras recém iluminadas e poderá ver os diversos efeitos que a escuridão causou no mundo. Embora o jogo não tenha um apelo para seus gráficos, o seu estilo visual funciona muito bem e você se acostuma com ele muito rapidamente! Particularmente achei bonito e agradável as paisagens de Ashen, além de mesclar cenários diferentes como montanhas, florestas, uma área cinzenta, cidades vastas, dungeons escuras e por aí vai…

Além disso, ao longo da história, você irá “construir”sua própria vila. A cada missão concluída um novo morador irá se juntar a sua vila e ela irá crescer de forma automática. Alguns desses personagens serão NPC’s principais que lhe passarão uma série de missões que se dividem entre missão principal e secundária (novidade né?!). Com a evolução do jogo e consequentemente da vila, irão aparecer novas construções e opções de interação como, por exemplo, um baú para guardar suas coisas.

Roubando a luz de Ashen

Como falei acima, existe uma disputa para roubar a luz do mundo e devolvê-la a escuridão. Isso acaba adicionando uma mecânica bem legal que é o abuso de lugares escuros, assim como tentarem roubar a sua luz (de um lampião especial). Inclusive, um dos chefões é especializado em “comer” a luz e deixar os ambientes mais escuros.

Assim como na série Souls, você será surpreendido por muitos inimigos que estarão estrategicamente escondidos atrás de uma parede ou em um posto de vigilância. Para ajudar em sua jornada, você jogará 100% do tempo com um parceiro que poderá ser ou a Inteligência Artificial (que é bem boa) ou então um jogador real. Muitas vezes será necessário estar com essa segunda pessoa para sair de uma armadilha, tirar um inimigo que “montou” em cima de você ou então abrir uma dungeon.

Vale frisar que embora possa chamar um amigo para jogar com você através de uma senha, não existe comunicação dentro do jogo, nem de sinais. E por mais que você tenha uma quest ativa, nem você, nem seu amigo virtual serão obrigados a cumprí-la. Isso faz com que jogar com uma pessoa desconhecida seja muito ruim e desmotivante. Em cerca de 15 horas de gameplay, eu nunca encontrei um desconhecido que efetivamente me ajudasse nas minhas missões.

Por fim, posso falar do mapa, que achei bem interessante – Em um primeiro momento você vai achar que ele é bem grande, mas ao explorá-lo, verá que na realidade ele é pequeno e é possível fazer uma travessia rápida. Pensando nisso, a equipe de desenvolvimento usou e abusou do game design ao botar diversas dungeons e lugares com muitas esquinas e cantos escuros. Há ainda a possibilidade de explorar verticalmente diversos lugares… um pequeno espaço cheio de opções!

Aquele gameplay muito bem conhecido pelos fãs de Darksouls

O que posso adiantar sobre o gameplay e a estrutura de Ashen, é que caso conheça a franquia Souls, você saberá exatamente o que encontrar. Seu mundo é completamente explorável e contém os mais diversos ambientes. Será possível equipar seu personagem com escudos, tipos diferentes de armas de uma e duas mãos, itens de recuperação e novas armaduras.

Na questão de gameplay vemos a mesma mecânica de esquiva, rolamento, ataque fraco, ataque forte, uso de stamina, inimigos que podem te matar com facilidade e todo o resto do pacote Souls. O que posso ressaltar é que ele é um jogo muito mais rápido do que Dark Souls (particularmente prefiro muito mais) e que o uso de um companheiro aumenta as táticas, pois um personagem pode pegar sua atenção enquanto o outro ataca por trás.

Além desse básico já conhecido e consolidado, com a evolução do jogo será possível desbloquear a viagem rápida que é uma verdadeira mão na roda. Ele também usa um sistema muito comum em RPG que é um diário das missões. Isso faz com que seja muito mais prático achar a missão e seguí-la no mapa.

E claro, temos que falar do bom e velho level up né? Em Ashen você evolui ao fazer as missões principais e secundárias. Além da evolução da cidade como falado anteriormente, você ganhará um aumento em sua vida e/ou sua estamina. Também é possível achar pelo mundo alguns itens que aumentem um pouco seus status em geral.

Realmente não tenho nenhuma crítica a seu gameplay, porém, senti falta de uma customização/evolução maior das armas. Só era possível melhorar suas armas de ataque e tirando a diferença de acerto crítico, a diferença na força delas era bem pequena.

Conclusão

É inegável que a franquia Souls influenciou o mundo dos games e graças a ela podemos ver excelentes jogos no mercado. Felizmente Ashen é um destes que utiliza a formula já conhecida e consegue aplicar seu estilo próprio. Acredito que seu grande diferencial vá para seu estilo visual diferenciado além de promover um ritmo mais veloz e colocar constantemente um segundo jogador na aventura, seja ele um NPC ou um jogador real.

Ao final de minha jogatina, minhas críticas para Ashen são mínimas! Acredito que poderiam ter investido um pouco mais na customização do personagem e na evolução de todo seu equipamento. Além disso, faltou um polimento maior na hora de jogar online, pois,graças a falta de comunicação em tempo real, cada jogador faz seu jogo e cumprir sua próxima missão pode se tornar complicado quando jogado cooperativamente.

notas

Publicado
Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.

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