Análise: Vane apresenta uma exploração aberta demais e não empolga

Quando eu vi a proposta de Vane pela primeira vez, me interessei na hora. Ele seria o primeiro jogo do estúdio japonês Friend & Foe que conta com desenvolvedores de grandes jogos como The Last Guardian, Killzone, Battlefield 3 e Bionic Commando. Em sua proposta, ele seria um jogo que mesclaria um grande terreno a ser explorado e te envolveria em puzzles.

Após jogar Vane eu infelizmente acabei me decepcionando bastante com o jogo. Sim, sua proposta é cumprida com êxito, porém, ela é feita de forma tão solta que acaba desafiando a paciência do jogador e não desafiando suas habilidades, vou explicar.

Um mundo vasto demais a ser explorado

Ao iniciar o jogo você é um garoto que está em uma cidade/vila e está no meio de uma grande tempestade que envolve areia, água e raios. Após andar por esse cenário de destruição por alguns minutos, você irá sucumbir a tempestade e teoricamente morrerá. A cena seguinte você já será um pássaro no meio do deserto, sem nenhuma explicação.

Após jogar o jogo por um tempo, será possível entender que esse vasto deserto em que está foi o que sobrou da cidade do início do jogo. E a partir daí você terá liberdade para voar por todo esse cenário e ver antigos pontos da cidade assim como tentar encarar a tempestade de areia e descobrir diversas cavernas com alguma referência a cidade, agora reduzida a cinzas.

Durante o gameplay, você poderá utilizar a forma de ave ou então (em pontos específicos), voltar a ser aquele garoto do inicio do jogo. Embora existam puzzles quando está na forma de ave, você irá utilizar essa forma para explorar o mundo. Já quando estiver na forma de menino, será possível resolver os puzzles que serão apresentados durante o jogo. E toda essa exploração segue uma estética única que particularmente me agradou muito.

Hora de resolver puzzle e se perder na escuridão

Embora tudo isso na teoria seja perfeito, eu não me senti envolvido pelo jogo, pois é tudo completamente aberto sem nenhuma explicação ou sistema de guia. O que eu entendi é que a intenção do desenvolvedor foi deixar tudo em aberto para que o jogador possa explorar cada centímetro desse mundo e descobri-lo. Infelizmente o mundo não é interessante a esse ponto e você se sentirá completamente desamparado ao longo da sua jogatina.

Não somente você ficará perdido nesse mundo, mas pude notar que o jogo possui alguns bugs como a câmera atrapalhar em certos pontos, algumas plataformas você passa entre elas e destrói o puzzle dentre outros problemas (aqui vale pontuar que o desenvolvedor já lançou um patch para corrigir alguns desses erros). Porém, o que mais me incomodou foi o sistema de save do jogo. Sempre quando você inicia Vane, você volta como ave para a mesma árvore. Eu fiz e refiz o mesmo puzzle mais de uma vez e isso é simplesmente inadmissível. E até onde pude ver, não existe um sistema de save manual. Somente um automático que acontecerá 4 vezes durante o jogo inteiro. Caso você não chegue até onde o jogo quer que chegue, terá que fazer tudo de novo.

Resolvi esse puzzle 3 vezes…

Conclusão

Muito tristemente, Vane me decepcionou. Embora ele tenha uma boa ideia por trás de mesclar exploração com puzzle em um mundo aberto, ele simplesmente não motiva o jogador a explorar cada centímetro dele. Além disso, a total falta de um guia faz com que se perca muito tempo tentando entender o que se tem de fazer. Por exemplo, eu demorei cerca de meia hora para fazer o primeiro puzzle do jogo que envolve a ave e outras aves. Depois quando o refiz, demorei nem cinco minutos.

Embora o jogo tenha problemas de bugs, o desenvolvedor já está ciente e está trabalhando em correções. Porém, o que mata o jogo é que o sistema de save simplesmente não funciona. E ter que refazer tudo de novo e mais uma vez, simplesmente não empolga.

notas

Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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