Mercado: artista brasileiro fala sobre carreira na EA Games

Marcelo Ferreira, carioca de 33 anos, formado em Desenho Industrial, decidiu seguir seu coração gamer. Ele é um dos mais recentes integrantes do cada vez maior grupo de profissionais brasileiros na indústria de games AAA internacional. O jovem artista agora integra o quadro de profissionais da EA Games de Vancouver, responsável por títulos de peso como a série FIFA e Madden NFL. Nessa entrevista, ele conta que sempre estuda, desenvolve trabalhos para seu próprio portfólio, diz que o profissional brasileiro é muito bem visto no exterior e dá dicas para os iniciantes.

Confira abaixo:

 

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Você é um artista 3D na EA Games, correto? Está trabalhando em que por lá? Pessoas, monstros, cenário?

Sim, sou artista 3D na EA Vancouver, parte do time de Kits & Accessories do FIFA 20. No time, somos responsáveis pelos uniformes dos times e seus acessórios – mais especificamente bolas, chuteiras e luvas.

 

Por que decidiu entrar no mundo dos games?

Sempre fui um gamer. Desde pequeno passei muito tempo jogando com meus amigos. Desde o Mega Drive, passando por Nintendo 64 e até hoje em dia.
Aos poucos, quando fui ficando mais velho, comecei a me interessar por modelagem 3D e toda a parte relacionada à arte nos games, filmes e animações, o que me fez querer trabalhar nesse mundo.

 

“desde os tempos de estagiário, tentava ir me encaixando na parte mais de 3D das empresas”

 

Qual sua formação acadêmica? E o que você acha que contribuiu mais para sua carreira nesse ramo?

Sou formado em Desenho Industrial, projeto de produtos pela UFRJ. Sempre, desde os tempos de estagiário, tentava ir me encaixando na parte mais de 3D das empresas, realizando renders arquitetônicos ou de móveis.

Quando comecei a trabalhar no Instituto Nacional de Tecnologia, onde fiquei por 5 anos, tive contato com diferentes tecnologias e grandes projetos. Lá, pude trabalhar com motion capture* e a parte toda de escaneamento de pessoas. Foi onde comecei a fazer mais a parte de 3D profissionalmente e comecei a estudar mais o assunto, fazendo cursos e tentando aprender sozinho o máximo possível.

* técnica onde se captura o movimento real das pessoas através de roupas com pontos que são computados e utlizados para animar os modelos 3D dos games.

 

“Quem estiver começando, não pode ter medo de postar os trabalhos pedindo criticas”

 

Como foi para ingressar na EA Games? Processo seletivo normal ou alguém te achou?

Em 2016, eu e minha esposa nos mudamos para o Canadá onde vim estudar modelagem 3D para animação e games na LaSalle College Vancouver. Lá, pude aprender melhor sobre o mercado de games aqui no Canadá, que é muito grande.

Terminei meu curso no final de 2018 e apliquei para o meu visto de trabalho. Em 2019, já com o visto em mãos, comecei a aplicar para algumas vagas e fui chamado para uma entrevista na EA.

No final do curso, a EA realizou um evento na sede deles, para recém-formados e alunos que estavam para se formar, onde você tinha a chance de conversar com algumas pessoas que trabalhavam na empresa.

Conversei com um funcionário e ele pediu para eu enviar meu currículo e portfólio para ele. Depois de um tempo, recebi um e-mail de um recrutador da EA, onde fui selecionado para fazer um teste de artes. Depois do teste, fui para uma entrevista na empresa e depois de um tempo fui selecionado para o time de kits & accessories.

 

“Ainda quero voltar a trabalhar como freelancer, você acaba aprendendo muito nesse período”

 

Muita gente se insere nesse meio via freelance, você chegou a trabalhar desta maneira? Se sim, quais os pontos positivos e negativos?

Cheguei a trabalhar um pouco, por um curto período de tempo. Fiz alguns trabalhos para uma empresa de arquitetura.

Você tem que encarar o freelance como se estivesse em uma empresa normal. Então tem que ter muita disciplina com os seus horários e datas. Acredito que a melhor parte (do trabalho freelancer) seja você poder fazer seus próprios horários e trabalhar de casa. Ainda quero voltar a trabalhar como freelancer, você acaba aprendendo muito nesse período.

Você tem que se atualizar sempre e procurar estudar e melhorar o seu portfólio mesmo enquanto está com contrato vigente em alguma empresa.

Robin, por Marcelo Ferreira (trabalho em andamento)

O que você acha da ainda incipiente indústria brasileira de games?

Eu não conheço muito do mercado de trabalho de games no Brasil, mas tenho lido que está crescendo. O Brasil é um dos maiores consumidores de games do mundo, mesmo com os preços absurdos que temos que pagar.
O que posso dizer é que pelo que eu vejo aqui fora, o artista 3D brasileiro é muito valorizado. No Brasil, você acaba aprendendo um pouco de tudo para poder conseguir emprego na área, então você acaba chegando aqui com um diferencial sobre outras pessoas que podem ser muito especializadas em uma área específica do trabalho.

 

“Você tem que se atualizar sempre e procurar estudar e melhorar o seu portfólio”

 

Qual seu maior medo nesse ramo?

Acredito que a instabilidade no início, pois muitas empresas, quando você está começando, acabam por te oferecer contratos mais curtos. Então, você nunca sabe o que vai acontecer quando o seu estiver parar terminar. E aqui, apesar de geralmente ter bastante opções de vaga, a concorrência também é muito grande. Você tem que se atualizar sempre e procurar estudar e melhorar o seu portfólio mesmo enquanto está com contrato vigente em alguma empresa.

 

“No Brasil, você acaba aprendendo um pouco de tudo (…) o artista 3D brasileiro é muito valorizado”

 

E sua maior expectativa?

Continuar crescendo na minha carreira como artista 3D e poder sempre ter meu nome nos créditos de grandes games.

 

Alguma dica para quem quer entrar nesse meio artístico de games? Cursos? Etc.?

Hoje em dia acredito que seja um pouco mais fácil de começar a aprender, pois existem vários canais de tutoriais no Youtube e na internet e você tem acesso a algumas ferramentas grátis como o Blender.

É uma área que está crescendo no Brasil, então já existem também diversos cursos e faculdades oferecendo aulas presenciais e inclusive online. Quem estiver começando, não pode ter medo de postar os trabalhos pedindo criticas e feedback. Nessa indústria, é muito importante você fazer o networking e conhecer outros artistas e profissionais.

 

Você pode entrar em contato com Marcelo e/ou conferir seu talentoso trabalho em suas redes pessoais:

www.linkedin.com/in/marcelopferreira

www.artstation.com/marcelo_pf

www.instagram.com/ferreira.p.marcelo


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Ricardo Carvalho

Ricardo Carvalho é escritor, desenhista, filósofo de sofá, cineasta frustrado e ativista pela aceitação mundial de que videogame é arte. Redes: twitter.com/perfilricardoc, instagram.com/perfilricardoc.
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