Análise: Sonic Forces não agradará a todos

Antes de mais nada, sou obrigado a deixar claro que sou um grande fã de Sonic. Enquanto muitos choram ao ver o lançamento de um novo Mario, eu sou assim com Sonic. Porém, isso não impede de eu fazer uma análise crítica do jogo e enaltecer seus pontos positivos e criticar o que fez de errado. E infelizmente tenho que adiantar que existem bastantes críticas a Sonic Forces. Em especial por ser alvo de comparação com Sonic Mania que é sublime. Mas vamos ao que interessa!

Sonic finalmente foi derrotado

O primeiro jogo de Sonic foi lançado em 1991 e desde então ele trava uma peleja eterna com o Dr. Ivo Robotnik (Eggman). Sonic Forces começa com o nosso amado porco espinho sendo derrotado pela mais nova invenção de seu nêmesis, o personagem Infinite que tem poderes infinitos (trocadilho no nome). Seis meses depois e com o mundo praticamente conquistado por Eggman, a resistência formada por personagens como Knuckles, Tails, Amy, Rouge, Silver e muitos outros resolvem parar de esperar um milagre chamado Sonic e vão para a luta contra o exército de Eggman.

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Saudades de quando era somente Robotnik

Nesse momento chegam dois novos heróis. Um deles é o Sonic clássico que se encontra com Tails e a história de sua chegada é rasa demais. Simplesmente um portal se abre (devido ao uso da energia desconhecida por Eggman) e ele aparece. E é isso ai, sem mais sem menos. Por outro lado aparece o novato, que será seu personagem. Será possível escolher sua classe animal (lobo, cachorro, gato, porco espinho e mais) e cada uma terá uma pequena vantagem no jogo.

Como todo bom vilão clichê (tirando o filme Kingsman onde ele mata o herói no ato), Eggman tem a necessidade de mostrar seu plano concluído para Sonic. E obviamente que Sonic escapa e caberá a Sonic clássico, Sonic Moderno e seu Avatar retomar o mundo das mãos de Eggman, Infinite, Metal Sonic, Shadow, Chaos e Zavok.

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Arrogância de Infinite sempre o leva a derrota

Novos personagens

Temos dois novos personagens em Sonic Forces. Infinite e seu Avatar. Por um lado Infinite também acaba sendo um vilão clichê e com uma motivação um tanto rasa. Ele é extremamente poderoso, afinal seu nome é infinito de poder infinito. Ele é tão poderoso que ele chega a ser muito arrogante em diversos momentos e sempre deixa os heróis viverem para tentar derrota-lo um outro dia. Afinal ele sente falta de um verdadeiro desafio.

Do outro lado temos a maior e melhor adição ao jogo que é o seu Avatar. Incrivelmente ele é a melhor coisa que o jogo vai oferecer. Embora ele sofra do mesmo problema de todo herói silencioso, ele tem uma coisa que nenhum outro personagem tem, armas! Sim, os chamados Wispon dão diversos poderes e possibilidades dentro do jogo. Não só isso, eles literalmente abrem novos caminhos. É possível jogar um lança chamas em seus inimigos, ou então um chicote elétrico ou, porque não, dar uma marretada neles. E isso são apenas algumas das muitas possibilidades.

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Olha o tamanho do bicho que o novato tem que enfrentar

Você também irá perder um tempo vestindo seu personagem a cada 10 minutos. É comum após acabar uma nova fase, em especial se conseguir a nota S, receber em torno de 15 novos itens podendo ser roupas ou armas. E é incrivelmente divertido ficar trocando de roupa de seu avatar. As novas armas farão com que você teste e re-teste elas em diversas fases procurando sempre o melhor e mais rápido caminho.

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Laaaaazy rider

Críticas ao gameplay

Como falei acima, neste ano tivemos o lançamento de Sonic Mania que ouso dizer que é perfeito em muitos sentidos. Mas em especial ao seu gameplay que este sim é perfeito. E isso infelizmente não é algo que eu possa dizer sobre Sonic Forces. No geral o jogo está mais linear do que gostaria e ele está tão rápido que acaba com a graça do jogo e o torna um grande passeio. Vamos analisar cada gameplay:

  • Sonic Moderno – Aqui seria possivelmente o gameplay mais chamativo para quem está de fora e que não chegou a jogar o jogo, mas a verdade é que ele é possivelmente o menos atrativo de todos. O que acontece aqui é o seguinte, a SEGA tomou a decisão de fazer o Sonic Moderno rápido, mas ele está rápido demais. Ao ativar seu turbo, o que é possível por quase toda a fase, você fica invencível. Ai o gameplay se torna 85% sendo um cometa azul passando pela fase. E ele fica tão rápido que você perde a maioria dos desafios de plataforma, afinal Sonic é um jogo de plataforma e não de correria.
  • Avatar – Aqui temos o ponto alto do jogo! Desprovido desse turbo, nós podemos levar a fase em outro ritmo e chegar a explorar ela com tranquilidade. Além disso a adição das já mencionadas armas “Wispon” fazem com que a cada nova tentativa você descubra novos modos de finalizar a fase de como encontrar seus segredos.
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Hora do chefão
  • Sonic Clássico – Sinceramente eu tenho sentimentos divididos com essas fases. No geral o Sonic Clássico funciona bem, mas tenho 2 críticas. A primeira é que a câmera fica perto demais da fase e isso não ajuda na tomada de decisão. Já a segunda é que não existe desaceleração do Sonic. Se você pular em um ponto ele grudará no chão que nem cola. É estranho controlar o Sonic Clássico.
  • Sonic Moderno + Avatar – Aqui temos um mix interessante dos dois personagens. Digamos que é a jogabilidade do Avatar com a possibilidade de usar o turbo do Sonic moderno.

Sonic Forces é absurdamente lindo

Se tem algo que tenho que aplaudir de pé é a sua beleza e a direção das cenas. Muitas vezes eu me peguei reclamando dos controles, mas no segundo seguinte eu falava “cara, que cena incrível”. Primeiramente, o jogo é lindo por si só. Independentemente das cenas, interações e personagens, o jogo é visualmente agradável e muito bem produzido. Ouso dizer que não tem nenhum bug inclusive.

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O caos é lindo!

E além dessa parte, nós podemos presenciar em cada fase diversas mini cenas que são dirigidas e há pouca interação. Nelas teremos um take de câmera diferente e mais aberto onde podemos ver os inimigos, destruição, toda a fase e seu personagem correndo por ela.

Claro, que isso tem seu lado positivo e negativo. Enquanto o positivo é claramente a beleza do jogo, o negativo é que ele acaba sendo guiado demais. Muitas pessoas certamente vão querer sentir um desafio em seu gameplay e na verdade estarão passeando pelas fases do jogo. Com isso podemos fazer um gancho com a dificuldade do jogo que é muito baixa. Eu recomendo que já comece na dificuldade Hard, que inclusive é proposta em seu início. Ela já achei muito simples e sem contar que os chefões são fáceis também em sua grande maioria. Todos os chefões começam fácil e depois de perder metade da vida eles propõe um mínimo de desafio.

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Mapa confuso e completado

Gotta go fast

É com muito pesar que digo que Sonic Forces não consegue manter o alto nível que Sonic Chronicles e que Sonic Mania colocaram à franquia, e ele é um título mediano. Não tenha dúvida que os fãs irão se divertir com o jogo e que no geral todos podem se divertir com o jogo. Mas a dura realidade é que o desafio proposto por Sonic Forces é mínimo e que ele tem algumas decisões no gameplay questionáveis. Vale reforçar que o jogo não apresenta bugs e que ele funciona perfeitamente bem dentro de sua proposta, mas essa proposta não vai agradar a todos. Felizmente a inclusão de um Avatar foi extremamente correta e ele brilha perante o astro da franquia. Não só isso, ele da uma sobre vida ao jogo graças as muitas possibilidades de refazer as fases.

E é sempre bom dizer, Sonic Forces tem uma duração de cerca de 4 horas, mas é possível joga-lo novamente centenas de vezes para atingir a melhor pontuação e cumprir os desafios propostos.

notas

Leonardo Coimbra

Mestre supremo do Ultima Ficha, não manda nem em seus próprios posts. Embora digam que é geração PS2, é gamer desde o Atari e até hoje chora pedindo um Sonic clássico e decente. Descobriu em FF7 sua paixão por RPG que dura até hoje. Eventualmente é administrador e marketeiro quando o chefe puxa sua orelha com os prazos.
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