Análise: Sea of Thieves diverte, mas peca por repetição excessiva

Me lembro de quando a Microsoft anunciou Sea of Thieves, na E3 2015. Na época, ninguém entendia direito qual seria a proposta do jogo. A classificação genérica do jogo era “um jogo de ação e aventura em primeira pessoa com temática pirata. Seria mundo aberto? Teria ele batalhas entre jogadores? Seria cooperativo? Após quatro anos de desenvolvimento, Sea of Thieves finalmente chegou. Mas será que o jogo realmente corresponde às expectativas? Confira nossa análise abaixo para descobrir:

No primeiro momento em que joguei Sea of Thieves, confesso que fiquei apaixonado. Pulei para a tela de escolha de pirata, escolhi meu franzino saqueador e fui lançado para um dos muitos Outposts espalhados pelo grande mapa do jogo. Obviamente, iniciei minha jornada com mais três amigos e fui explorar a experiência que a Rare quis trazer. Assim que nasci na ilha, fiquei maravilhado com os belos gráficos do jogo, principalmente da água, que é simplesmente a mais bonita já vista em um videogame. Pensei: “Wow, realmente, a Microsoft e a Rare não mediram esforços para trazer um grande jogo! Vamos lá”. E eu fui lá. Após admirar um pouco a paisagem, me juntei a meus amigos e fomos direto para o navio fazer o que Sea of Thieves traz de melhor, navegar.

Diferente de outros jogos de navegação ou com temática pirata, Sea of Thieves é praticamente obrigatório de ser jogado com amigos. Digo mais até. Sem uma party fechada, o jogo perde grande parte da sua graça. Cada um dos personagens exerce um papel fundamental na movimentação do barco, ficando um no leme, dois controlando as velas e um alternando entre localizar o barco e auxiliar em monitorar os arredores. E essa ideia é simplesmente genial. É muito divertido controlar o barco com seus amigos coordenando fatores como direção do vento, das ondas e o quanto de vela é necessário para fazer uma manobra. O fator cooperação é essencial para que tudo dê certo nesse sentido, já que a navegação tem o seu quê de simulação. A física do vento e da água influenciam muito na velocidade e capacidade de manobra dos barcos, deixando a navegação uma experiência menos arcade e mais realista.

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Bom, para navegar devemos ter um destino definido, certo? Perfeito, Sea of Thieves traz quests que consistem em busca de tesouros, itens misteriosos, mensagens enigmáticas em garrafas pelas ilhas, desafios da Companhia de Comércio e missões de matar inimigos. Especificamente sobre as quests de busca de tesouro, as mais jogadas de longe, assim que recebemos missões dos NPCs espalhados pelos Outposts, devemos localizar a ilha em que o tesouro se encontra em um grande mapa no centro do navio. Uma vez que saibamos onde o mesmo se encontra, devemos utilizar dos nossos conhecimento de navegação e localização para nos locomovermos até ele. Através de pequenos mapas que mostram o formato da ilha buscada e um X que denuncia a localização do tesouro na mesma, é possível de se saber exatamente onde cada baú está localizado nas ilhas. Após cavá-los, devemos levá-los para nosso navio para então carregar para um dos diferentes Outposts para vendê-lo. Cada tipo de tesouro tem uma dificuldade diferente e, dependendo desta, pode trazer quantias de dinheiro distintas entre os NPCs. Por dificuldade, não falo somente sobre o perrengue de se localizar e achar os baús nas ilhas, mas também de enfrentar os inimigos que se encontram nas mesmas.

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Essa mecânica é bastante interessante e, juntamente com o quesito cooperação, traz bastante diversão a Sea of Thieves em um primeiro momento. Agora, vamos lá, achar um tesouro é legal, achar vinte exatamente da mesma forma é exaustivo. Aqui começam os pecados do jogo. A mecânica é simplesmente repetitiva demais. O ciclo é sempre o mesmo, falar com um NPC para começar uma quest, navegar em um mar praticamente vazio até a ilha do tesouro, cavar o tesouro e matar esqueletos, colocar no navio e voltar para o Outposts… É sempre a mesma coisa. A diferença entre uma jornada e outra se atém a inimigos um pouco mais fortes, tempestades, ou o Kraken, que aparece vez ou outra, mas a essência é absolutamente a mesma. A impressão que tive era a de que o beta, que aconteceu cerca de duas semanas antes do lançamento do jogo, já trazia todas as possibilidades da versão final do jogo. Ou seja, com mais ou menos cinco horas de jogo já é possível de se fazer tudo. Daí para frente Sea of Thieves consiste em repetir e repetir e repetir. Curiosamente, a sensação que o jogo me trouxe foi a mesma de quando joguei No Man’s Sky. Em um primeiro momento gostei bastante, mas depois que percebi que o jogo consistia em fazer a mesma coisa infinitamente, abandonei e nunca mais toquei nele. Infelizmente, Sea of Thieves não é muito diferente. Além da repetição, o título não traz qualquer propósito ou motivação para que o jogador continue a buscar tesouros. Todo o dinheiro que conseguimos só serve para comprar cosméticos, seja para nossos personagens, seja para o navio.

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Sea of Thieves se assemelha muito a jogos como Destiny em sua essência. Apesar de ser considerado um MMO por alguns, não jogamos exatamente de forma massiva nos servidores em que somos colocados. Podemos sim encontrar outros jogadores e travar batalhas com eles, mas cada servidor possui uma quantidade limitada de pessoas ao mesmo tempo. Não há uma quantidade absurda de gente em um mesmo local como acontece nos grandes MMOs, muito menos inimigos em si. Tudo se restringe a grindar por mais baús e, consequentemente, por mais itens cosméticos para seu personagem e seu barco. Há um sistema de níveis sim, mas ele não traz qualquer progressão para o jogo. A Rare quis deixar o jogo mais equilibrado possível, tentando evitar que jogadores mais experientes tivessem barcos muitos superiores. O problema disso foi que ao mesmo tempo foi retirado grande parte do apelo de se grindar cada vez mais. Enquanto Destiny nos possibilita a obtenção de novas armas, Sea of Thieves permite que compremos novas roupas e pinturas para nosso barco. A grande pergunta é: Quem gastaria horas de vida buscando baús exatamente da mesma forma repetidamente para no final comprar uma nova gravata para seu personagem?

Um dos pontos fortes de Sea of Thieves é a sua direção de arte. É incontestável que o jogo seja extremamente belo. Além disso, a trilha sonora, apesar de não muito variada, é muito bem feita. Todos os detalhes de todos os cantos de Sea of Thieves foram feitos com carinho. Em muitos momentos parei o que estava fazendo para admirar algum efeito no horizonte, seja a tempestade em um lugar distante, o lindo pôr-do-sol, ou o Kraken destruindo um barco. O mais incrível é o fato de que o jogo roda em computadores relativamente fracos com uma beleza bastante aceitável. Não há o que reclamar quanto a isso.

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Em suma, Sea of Thieves é um jogo excelente por algumas poucas horas. O excesso de repetição e a ausência de um sistema de progressão tiram o propósito de se gastar mais horas jogando-o. A impressão que temos é que o jogo é uma base para futuras atualizações, DLCs e upgrades. O roadmap do que virá daqui para a frente é interessante, entretanto. Talvez em alguns anos o jogo se torne menos um mapa vazio e traga mais desafios e aventuras. Até o momento Sea of Thieves vale à pena SOMENTE por conta do Game Pass, já que o jogo é gratuito através do mesmo. Entretanto, caso você esteja se questionando se deveria comprar somente o jogo, minha recomendação é: Espere por mais conteúdo.

{{

game = [Sea of Thieves]

game = []

info = [Lançamento: 20/03/2018]

info = [Produtora: Rare]

info = [Distribuidora: Microsoft Studios]

plataformas = [Xbox One e PC]

nota = [3/5]

decisão = [Deixe para quando o jogo estiver mais completo]

texto = [Sea of Thieves traz uma boa ideia,]

texto = [mas peca por repetitividade]

positivo = [Gráficos]

positivo = [Navegação Realista]

positivo = [Cooperação]

negativo = [Repetitividade]

negativo = [Sem progressão]

negativo = [Itens cosméticos]

}}

Bernardo Cortez

Formado em Relações Internacionais, Bernardo aproveitou o dom de escrever para algo útil. Músico, viajante, cronista e amante de qualquer coisa que seja relacionada a jogos, seu sonho é ser jornalista na área. Tem um carinho especial por jogos que tragam o melhor de todas as formas de arte que os englobam.
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